Canola chega a 405 mil hectares no Brasil em 2026 e pode produzir 607,2 mil toneladas, com expansão puxada por rentabilidade e novos mercados.
A canola ganhou espaço rapidamente nas lavouras brasileiras e chegou a 405 mil hectares cultivados em 2026, mais que o dobro da área registrada dois anos antes. O crescimento ocorre principalmente no Sul, mas já alcança propriedades do Centro-Oeste, onde produtores buscam uma alternativa para ocupar a terra entre safras e melhorar a rotação com culturas de outras famílias botânicas.
O movimento também aparece nos números de produção. Segundo publicado em 25 de setembro pelo AgroIN, a expectativa para 2026 é de até 607,2 mil toneladas, caso o potencial projetado seja confirmado ao final da colheita. Em 2024, o país havia produzido 223 mil toneladas, enquanto no ano seguinte o volume chegou a 360 mil toneladas, acompanhando a expansão acelerada da área agrícola.
Rentabilidade ajuda a explicar avanço da canola
Um dos fatores que favorecem a entrada da cultura em novas propriedades é a relação entre custo e produtividade. O investimento necessário para conduzir uma lavoura costuma equivaler a aproximadamente 10 a 15 sacas por hectare, enquanto o rendimento médio observado no país supera 25 sacas na mesma área.
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Essa diferença tem chamado a atenção de agricultores interessados em manter máquinas e terras produtivas em períodos nos quais outras culturas não estão no campo. A canola também passou a contar com maior interesse de compradores, o que melhora as condições de comercialização e reduz dificuldades para escoar a produção.
Segundo Kennedy Dadalto, diretor comercial da Advanta Seeds, a presença de novas empresas adquirindo o grão no mercado brasileiro contribuiu para aumentar a liquidez. A demanda industrial também ganhou força e passou a oferecer mais alternativas comerciais para quem decide incluir a cultura no planejamento da propriedade.
Brasil já mira 1 milhão de hectares até 2030
A velocidade da expansão elevou as projeções do setor. A meta estabelecida para os próximos anos é alcançar 1 milhão de hectares cultivados até 2030, avanço que exigirá não apenas mercado para absorver os grãos, mas também disponibilidade de sementes adaptadas às diferentes regiões produtoras.
Em 2024, a área nacional era de 186,2 mil hectares. Um ano depois, atingiu 225 mil hectares, antes de dar um salto para os 405 mil hectares contabilizados em 2026. A mudança mostra que a cultura deixou de ocupar apenas nichos tradicionais e começou a entrar com mais força nos sistemas produtivos de novas regiões.

Parte dessa expansão depende do desenvolvimento de híbridos capazes de responder melhor às condições brasileiras. Empresas do setor trabalham com materiais de ciclos diferentes, tolerância a determinados herbicidas e características voltadas à estabilidade produtiva, além de buscar maior concentração de óleo nos grãos.
Qualidade da semente virou ponto de atenção
O estabelecimento da lavoura é outro fator que pode determinar o resultado econômico da safra. Problemas registrados recentemente foram associados ao uso de sementes importadas que chegaram ao campo com qualidade abaixo do esperado, comprometendo a formação inicial das plantas.
A multiplicação de sementes em território brasileiro aparece como uma estratégia para reduzir esse risco. A produção local permite maior controle sobre vigor, qualidade física e momento de disponibilização dos lotes, fatores importantes para que o plantio seja realizado dentro da janela considerada adequada em cada região.
Esse cuidado ganha importância à medida que a canola avança para áreas com condições de solo e clima diferentes das regiões onde a cultura já está consolidada. A adaptação genética e a qualidade do material utilizado no início da lavoura passam, portanto, a caminhar junto com a expansão territorial.
Óleo de canola também entra no radar do combustível de aviação
Além do mercado tradicional de alimentos e processamento industrial, o óleo extraído dos grãos começa a ser observado como possível matéria-prima para a produção de combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF.
No Brasil, essa cadeia ainda depende de avanços industriais e regulatórios antes de assumir maior escala, mas o movimento internacional amplia as perspectivas de demanda para os próximos anos. Caso esse mercado evolua, a cultura poderá ganhar uma nova frente de comercialização além das já existentes.
As informações são do AgroIN
