Polícia encontrou adulterações no chassi, motor, vidros e etiquetas do Ford Ka; numeração escondida revelou veículo furtado em São Paulo, enquanto placa usada no carro levava multas para uma proprietária de Assis
Um motorista de aplicativo de 29 anos foi preso em flagrante em Nova Odessa, no interior de São Paulo, depois que policiais descobriram que o Ford Ka branco utilizado por ele escondia duas histórias diferentes: o automóvel havia sido furtado na capital paulista e circulava com identificação ligada a outro veículo.
A fraude tinha uma vítima a centenas de quilômetros dali. A proprietária do Ford Ka cuja placa estava sendo utilizada, moradora de Assis, vinha recebendo multas de radares da região de Campinas sem ter passado pelos locais das infrações.
A situação chegou ao ponto de ela registrar um boletim de ocorrência em agosto de 2026, desconfiando de que alguém estivesse utilizando irregularmente a identificação de seu automóvel.
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O caso ganhou um novo capítulo na noite de 25 de setembro, quando a Polícia Militar localizou o Ford Ka em Nova Odessa.
Radar colocou o Ford Ka no caminho da Polícia Militar
De acordo com informações publicadas pelo TodoDia, a Polícia Militar recebeu a indicação de que um Ford Ka branco circulava pela região possivelmente utilizando uma placa clonada.
O carro passou por um radar instalado na Rua Goiânia e seguiu em direção à Avenida Fuad Assef Maluf, no Jardim Picerno, em Sumaré. As informações foram repassadas pela Sala de Operações do 19º Batalhão de Polícia Militar do Interior.
Equipes que realizavam patrulhamento de Ações Especiais de Polícia passaram a procurar o veículo e encontraram o Ford Ka na altura do número 491 da Rua Goiânia, em Nova Odessa.
O motorista foi abordado e revistado. Segundo o relato da ocorrência divulgado pelo portal, nenhum objeto ilícito foi encontrado com ele naquele momento.
O problema apareceu quando os policiais passaram a verificar o automóvel.
Motorista disse que havia comprado carro pelo Facebook e entregado um Fiat Siena de R$ 16 mil no negócio
O homem informou aos policiais que trabalhava como motorista de aplicativo e realizava uma corrida com destino a Americana quando foi abordado.
Segundo a versão apresentada por ele, o Ford Ka havia sido comprado aproximadamente dois meses antes por meio do Facebook.
Na negociação, teria entregue um Fiat Siena avaliado em R$ 16 mil como parte do pagamento.
A informação passa a ser importante porque a investigação agora precisa reconstruir exatamente como essa compra ocorreu, quem entregou o Ford Ka ao motorista e em que momento foram feitas as adulterações encontradas posteriormente pela polícia.
Não há, nas informações divulgadas até agora, elementos suficientes para afirmar se o motorista sabia, antes da abordagem, que estava conduzindo um veículo furtado e adulterado. Essa circunstância deverá ser apurada na investigação.
Chassi, motor, vidros e etiquetas apresentavam sinais de adulteração
A inspeção policial mostrou que o problema ia muito além da placa instalada no automóvel.
Os agentes identificaram indícios de adulteração em diferentes pontos utilizados justamente para confirmar a identidade de um veículo: chassi, motor, vidros e etiquetas autodestrutivas.
Foi uma identificação encontrada na parte inferior do carro que mudou definitivamente o rumo da ocorrência.
Os policiais localizaram a gravação original do chassi. Ao consultar aquela numeração, descobriram que ela correspondia a outro Ford Ka, que possuía registro de furto ocorrido em 15 de novembro de 2025, na cidade de São Paulo.
Na prática, a aparência externa e os sinais identificadores que o carro apresentava não correspondiam à sua identidade original.
É justamente esse tipo de adulteração que torna um veículo clonado particularmente problemático: enquanto um automóvel circula utilizando os dados de outro, infrações registradas automaticamente podem chegar a alguém que sequer esteve no local.
Foi o que vinha acontecendo neste caso.
Proprietária de Assis recebia multas na região de Campinas e já havia procurado a polícia
Depois de descobrir a verdadeira identificação do Ford Ka abordado, os policiais entraram em contato com a proprietária do veículo cuja identificação estava sendo utilizada.
A mulher, moradora de Assis, contou que havia recebido diversas autuações registradas por radares na região de Campinas.
O detalhe chamava atenção justamente porque seu próprio automóvel não havia realizado aqueles trajetos.
A situação já havia causado desconfiança suficiente para que ela registrasse um boletim de ocorrência em 27 de agosto de 2026, quase um mês antes da abordagem em Nova Odessa.
Ela também enviou aos policiais um vídeo mostrando o seu Ford Ka estacionado na garagem de casa, elemento que reforçava a suspeita de que outro carro estivesse circulando com a mesma identificação.
A sequência ajuda a mostrar como a clonagem pode permanecer invisível para a vítima durante algum tempo. Neste caso, foram as multas produzidas longe de onde o veículo verdadeiro estava que começaram a revelar que alguma coisa estava errada.
Motorista foi preso por receptação e adulteração de sinais identificadores
Diante das adulterações encontradas e da identificação do veículo furtado, o motorista recebeu voz de prisão por receptação e adulteração de sinais identificadores de veículo.
Ele foi encaminhado, sem utilização de algemas, ao Plantão Policial de Nova Odessa junto com o Ford Ka.
Uma passageira que estava no automóvel durante a abordagem também foi conduzida para prestar esclarecimentos. Ela foi ouvida como testemunha e posteriormente liberada.
O veículo e dois aparelhos celulares foram apreendidos.
O caso foi registrado para investigação pela Polícia Judiciária.
Investigação agora precisa descobrir de onde veio o Ford Ka
A apreensão resolveu uma parte da história: permitiu localizar um automóvel que possuía registro de furto desde novembro de 2025 e interrompeu a circulação de um veículo com sinais identificadores adulterados.
Mas ainda existe uma etapa importante pela frente.
A investigação deverá apurar como o Ford Ka chegou às mãos do motorista de aplicativo, quem participou de sua comercialização e quem realizou ou participou das adulterações.
Também deverá ser esclarecida eventual participação de outras pessoas na utilização da placa clonada.
Para a proprietária de Assis, a localização do veículo dublê ajuda a explicar algo que durante meses parecia não fazer sentido: multas de trânsito continuavam chegando relacionadas a trajetos que seu carro nunca havia feito.

