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Chevron prepara mais de US$ 7 bilhões para a Venezuela, ganha novas áreas no Orinoco e quer mais que dobrar produção para 600 mil barris de petróleo por dia

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Escrito por Roberta Souza Publicado em 08/09/2026 às 13:57 Atualizado em 08/09/2026 às 15:02
Gigante americana amplia uma presença iniciada em 1923 e aposta em novas condições fiscais, comerciais e jurídicas para acelerar três joint ventures com a PDVSA. O plano prevê mais de US$ 7 bilhões em cinco anos, novas áreas no Cinturão do Orinoco e custos totais abaixo de US$ 20 por barril.
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Gigante americana amplia uma presença iniciada em 1923 e aposta em novas condições fiscais, comerciais e jurídicas para acelerar três joint ventures com a PDVSA. O plano prevê mais de US$ 7 bilhões em cinco anos, novas áreas no Cinturão do Orinoco e custos totais abaixo de US$ 20 por barril.

A Chevron anunciou uma expansão bilionária de suas operações petrolíferas na Venezuela. A companhia e suas joint ventures pretendem investir mais de US$ 7 bilhões nos próximos cinco anos para elevar a produção a aproximadamente 600 mil barris de petróleo por dia, mais que o dobro do nível de 2026.

O plano acompanha novos acordos firmados com a Venezuela e inclui condições fiscais, comerciais e jurídicas atualizadas. Além disso, a companhia recebeu direitos para desenvolver novas áreas no Cinturão do Orinoco, uma das regiões petrolíferas mais importantes do planeta.

A dimensão do movimento fica ainda mais clara quando comparada ao nível atual. Recentemente, as operações venezuelanas ligadas à Chevron produziam aproximadamente 290 mil barris por dia. Portanto, alcançar 600 mil significaria acrescentar mais de 300 mil barris diários ao volume atual.

Chevron pretende chegar a 600 mil barris por dia

A meta representa uma das maiores expansões recentes da Chevron na América Latina.

A companhia informou que suas joint ventures planejam aplicar mais de US$ 7 bilhões durante os próximos cinco anos. Com isso, a produção deverá mais que dobrar em comparação com 2026 e chegar a aproximadamente 600 mil barris por dia.

Entretanto, esse volume ainda é uma meta futura, e não a produção atual.

Nos últimos meses, a Chevron produziu aproximadamente 290 mil barris diários na Venezuela. Além disso, suas três joint ventures aumentaram conjuntamente a produção em 15% desde o início de 2026.

A empresa acredita que novas áreas, infraestrutura existente e condições contratuais mais favoráveis permitirão acelerar esse crescimento.

Novas áreas entram no Cinturão do Orinoco

O acordo não envolve apenas investir mais dinheiro nos campos existentes.

A Petroindependencia, joint venture na qual uma subsidiária da Chevron possui 49% de participação, recebeu direitos para desenvolver duas áreas adicionais: Carabobo-1 e Carabobo-2-South-A.

As duas ficam próximas às operações existentes no Cinturão do Orinoco.

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Essa proximidade pode trazer uma vantagem importante. Como a Chevron já possui operações e infraestrutura na região, novos projetos poderão aproveitar parte da estrutura existente e reduzir a necessidade de começar toda a cadeia do zero.

Além disso, em abril de 2026, a companhia já havia elevado sua participação na Petroindependencia para 49% e obtido direitos para desenvolver Ayacucho 8, próximo à joint venture Petropiar.

Assim, a expansão anunciada em setembro representa mais uma etapa de uma estratégia que ganhou velocidade ao longo de 2026.

Venezuela volta ao centro dos investimentos petrolíferos

O movimento ocorre durante uma reorganização muito maior da indústria venezuelana.

O país possui reservas gigantescas, mas passou décadas produzindo muito abaixo do potencial geológico. Falta de investimentos, problemas de gestão, deterioração da infraestrutura e sanções americanas reduziram fortemente a capacidade produtiva.

No fim da década de 1990, a Venezuela produzia mais de 3 milhões de barris por dia. Recentemente, entretanto, a produção nacional ficou na faixa de 1,1 milhão a 1,2 milhão de barris diários.

Agora, Caracas tenta atrair capital internacional para recuperar campos existentes e desenvolver novas áreas.

Esse movimento já vinha sendo acompanhado pelo CPG. O CPG mostrou que Venezuela e Estados Unidos fecharam um acordo energético de 25 anos envolvendo inicialmente 17 campos e uma meta nacional de 1,5 milhão de barris por dia.

O plano da Chevron, porém, é um desenvolvimento específico dentro desse novo ambiente e possui investimentos, áreas e metas próprias.

Chevron está na Venezuela desde 1923

Enquanto outras gigantes americanas deixaram o país, a Chevron manteve uma relação excepcionalmente longa com a Venezuela.

A companhia afirma que sua presença começou em 1923, portanto há mais de um século.

Essa continuidade se tornou uma vantagem quando o setor começou a se abrir novamente para investimentos.

A ExxonMobil e a ConocoPhillips, por exemplo, deixaram a Venezuela em 2007 depois que seus ativos passaram por nacionalizações durante o governo de Hugo Chávez.

A Chevron seguiu outro caminho e permaneceu no país por meio de parcerias com a estatal PDVSA.

Essa posição privilegiada já havia chamado atenção meses antes. O CPG mostrou em janeiro como a Chevron largou na frente na corrida pela retomada do petróleo venezuelano justamente por ter mantido operações, equipes e infraestrutura enquanto outras gigantes americanas saíram do país.

Agora, essa vantagem começa a aparecer em números concretos: mais de US$ 7 bilhões em investimentos planejados e aproximadamente 600 mil barris por dia como meta.

Três joint ventures sustentam a expansão

A Chevron possui três principais joint ventures petrolíferas na Venezuela.

A Petroindependencia e a Petropiar operam no Cinturão do Orinoco, enquanto a Petroboscan atua no oeste do estado de Zulia.

Juntas, essas operações elevaram a produção em 15% desde o início de 2026.

Agora, o novo capital deverá apoiar tanto o crescimento dos ativos existentes quanto o desenvolvimento das áreas adicionais.

A Petroindependencia ganha destaque especial porque recebeu os direitos sobre Carabobo-1 e Carabobo-2-South-A.

Portanto, o plano não depende exclusivamente de recuperar poços antigos. A estratégia também amplia a área disponível para desenvolvimento.

Custos devem ficar abaixo de US$ 20 por barril

Outro número ajuda a explicar por que a Chevron voltou a apostar bilhões na Venezuela.

Segundo a própria companhia, os custos totais de suas operações no país devem permanecer abaixo de US$ 20 por barril.

Esse nível pode tornar os ativos competitivos dentro do portfólio global da empresa, principalmente se os preços internacionais permanecerem significativamente acima desse patamar.

Entretanto, custo operacional e preço de venda não representam diretamente lucro.

A companhia ainda precisa considerar investimentos de capital, impostos, participação dos parceiros, logística e outras despesas.

Ainda assim, a Chevron descreve a Venezuela como uma plataforma capaz de oferecer crescimento de petróleo de baixo custo.

Petróleo extrapesado exige tecnologia e infraestrutura

O Cinturão do Orinoco reúne enormes volumes de petróleo, mas grande parte desse recurso possui características diferentes do óleo convencional.

A região concentra principalmente petróleo pesado e extrapesado.

Esse tipo de óleo apresenta maior viscosidade e exige soluções específicas para produção, transporte e processamento.

Consequentemente, ter bilhões de barris no subsolo não significa conseguir colocá-los rapidamente no mercado.

Operadores precisam de poços, instalações de tratamento, sistemas de diluição, oleodutos, armazenamento e capacidade logística.

A vantagem da Chevron está justamente em já possuir parte dessa estrutura e décadas de experiência operacional na região.

Venezuela possui a maior reserva comprovada de petróleo do mundo

A dimensão geológica ajuda a explicar o interesse renovado.

A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, com grande concentração no Cinturão do Orinoco.

Entretanto, existe uma diferença enorme entre reservas e produção.

Mesmo possuindo mais petróleo comprovado que qualquer outro país, a Venezuela produz atualmente apenas uma fração do volume alcançado durante seu auge.

Por isso, o problema não está simplesmente em encontrar petróleo.

O desafio consiste em mobilizar capital, tecnologia, infraestrutura e estabilidade regulatória suficientes para transformar esses recursos em produção comercial.

Essa contradição já apareceu em outra análise do CPG. O CPG mostrou como o potencial petrolífero venezuelano convive com a necessidade de investimentos gigantescos, recuperação de infraestrutura e maior segurança jurídica para voltar a atrair grandes companhias internacionais.

O investimento da Chevron oferece agora um primeiro teste em grande escala dessa nova fase.

Produção da Chevron poderá representar parcela enorme do petróleo venezuelano

Se a companhia alcançar 600 mil barris por dia, sua escala dentro da Venezuela crescerá significativamente.

Para efeito de comparação, a produção nacional recente ficou entre aproximadamente 1,1 milhão e 1,2 milhão de barris diários.

Isso significa que a meta futura da Chevron equivale a cerca de metade desse nível atual.

No entanto, essa comparação exige cautela.

A produção total da Venezuela também deverá crescer nos próximos anos caso outros projetos anunciados avancem. Portanto, não é correto afirmar que a Chevron necessariamente produzirá metade de todo o petróleo venezuelano quando chegar aos 600 mil barris diários.

Ainda assim, o número demonstra o peso que suas joint ventures poderão alcançar.

Petróleo produzido pela Chevron segue para os Estados Unidos

A relação possui também uma lógica industrial.

A produção recente da Chevron na Venezuela segue para o mercado americano.

O petróleo pesado venezuelano possui características adequadas a várias refinarias complexas da Costa do Golfo dos Estados Unidos, construídas para processar óleos mais pesados.

Assim, existe uma complementaridade entre as reservas venezuelanas e parte da infraestrutura de refino americana.

Essa proximidade geográfica também reduz distâncias quando comparada a fornecedores localizados em outras regiões do mundo.

Por isso, a expansão venezuelana possui valor não apenas para a Chevron, mas também para a cadeia de abastecimento dos Estados Unidos.

Governo americano incentiva retorno dos investimentos

A expansão ocorre em meio a uma forte mudança na relação energética entre Washington e Caracas.

O governo americano vem pressionando empresas a investir na recuperação da indústria venezuelana e apresentou um plano mais amplo de US$ 100 bilhões para reconstrução do setor energético do país.

Nesse ambiente, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, participou da cerimônia de assinatura dos novos acordos em Caracas.

O CEO da Chevron, Mike Wirth, também esteve presente.

Para a empresa, a aproximação entre governos reduz parte das incertezas que durante anos limitaram novos investimentos.

Contudo, o sucesso de projetos com horizonte de cinco anos dependerá da manutenção dessas condições políticas, comerciais e jurídicas.

Chevron ganha condições fiscais, comerciais e jurídicas melhores

A companhia destacou justamente esse ponto em seu anúncio.

Os novos acordos estabeleceram condições fiscais, comerciais e legais atualizadas para as joint ventures.

Segundo a Chevron, essas mudanças criam uma base mais competitiva para investimentos de longo prazo.

Esse detalhe é tão importante quanto os US$ 7 bilhões.

Projetos petrolíferos de grande porte exigem anos para recuperar o capital investido. Portanto, empresas precisam ter alguma previsibilidade sobre impostos, contratos, exportações e direitos operacionais.

A história recente da Venezuela tornou essa previsibilidade particularmente sensível.

Agora, a Chevron acredita que o novo ambiente oferece condições suficientes para justificar a expansão.

ExxonMobil e ConocoPhillips continuam fora

Apesar da mudança, nem todas as grandes petrolíferas americanas decidiram retornar.

A ExxonMobil e a ConocoPhillips permanecem fora da Venezuela, depois de terem deixado o país em 2007.

A diferença reforça o caráter singular da posição da Chevron.

Como ela continuou presente, não precisa reconstruir do zero sua estrutura operacional.

Além disso, conhece os reservatórios, mantém relações com parceiros locais e possui infraestrutura existente.

Por isso, consegue responder mais rapidamente quando surgem condições mais favoráveis de investimento.

Petroindependencia poderá crescer sobre áreas vizinhas

A expansão geográfica também segue uma lógica operacional.

Carabobo-1 e Carabobo-2-South-A ficam adjacentes à área onde a Petroindependencia já atua.

Isso pode permitir maior integração entre novos projetos e instalações existentes.

Além disso, Ayacucho 8 fica próximo à operação da Petropiar.

Portanto, a Chevron está construindo sua expansão ao redor de ativos nos quais já possui presença.

Essa estratégia reduz parte dos riscos associados a entrar em regiões completamente novas e sem infraestrutura.

US$ 7 bilhões não serão investidos de uma só vez

O valor anunciado exige outra distinção importante.

A Chevron não informou que desembolsará US$ 7 bilhões imediatamente.

O plano prevê mais de US$ 7 bilhões ao longo dos próximos cinco anos nas joint ventures venezuelanas.

Assim, o capital deverá acompanhar diferentes fases de desenvolvimento, perfuração, infraestrutura e crescimento operacional.

Da mesma forma, a produção não saltará imediatamente dos atuais níveis para 600 mil barris por dia.

A companhia precisará adicionar capacidade gradualmente.

Produção já cresceu 15% em 2026

A Chevron, porém, não começa esse processo do zero.

Suas três joint ventures registraram crescimento de 15% na produção desde o início de 2026.

Esse resultado oferece uma base inicial para a expansão.

Agora, a companhia pretende acelerar o ritmo por meio de novos investimentos e áreas adicionais.

Caso consiga sair de aproximadamente 290 mil para 600 mil barris diários, o aumento absoluto ficará acima de 300 mil barris por dia.

Em um ano completo, essa diferença equivaleria teoricamente a mais de 110 milhões de barris adicionais, caso o patamar máximo fosse mantido continuamente.

Esse cálculo serve apenas para dimensionar a escala e não representa uma projeção oficial de produção anual.

Outros grupos também avançam sobre a Venezuela

A Chevron não está sozinha nessa nova corrida.

No mesmo período, outras empresas internacionais avançaram em negociações e acordos para ampliar operações energéticas venezuelanas.

A italiana Eni, por exemplo, também anunciou expansão no país, enquanto companhias ligadas a petróleo, gás e eletricidade apresentaram novos projetos.

Portanto, os US$ 7 bilhões da Chevron fazem parte de um movimento maior.

A Venezuela tenta transformar reformas regulatórias e novas relações internacionais em capital para recuperar uma indústria que já produziu mais de 3 milhões de barris por dia.

Entretanto, reconstruir essa capacidade exigirá muito mais do que assinar contratos.

Infraestrutura envelhecida ainda representa um desafio

Décadas de subinvestimento deixaram marcas na indústria venezuelana.

Campos precisam de novos poços. Oleodutos e instalações necessitam de manutenção. Sistemas de processamento exigem modernização e a infraestrutura elétrica também precisa acompanhar o crescimento.

Além disso, aumentar a produção de petróleo pesado exige capacidade suficiente para transportar, tratar e exportar os novos volumes.

Por isso, os investimentos anunciados não podem se concentrar apenas na perfuração.

Toda a cadeia precisa acompanhar o aumento da produção.

Chevron passa de sobrevivente a protagonista da retomada

Durante anos, permanecer na Venezuela significou operar em um ambiente marcado por sanções, restrições e forte incerteza.

Agora, essa decisão oferece à Chevron uma posição difícil de replicar.

A companhia possui mais de 100 anos de presença, três joint ventures operacionais, infraestrutura existente e conhecimento técnico acumulado.

Além disso, recebeu novas áreas justamente ao lado de ativos que já conhece.

Com isso, a empresa passa de sobrevivente de uma longa crise petrolífera para uma das protagonistas da tentativa de recuperação do setor.

Mais de US$ 7 bilhões colocam a aposta em outra escala

Os números resumem a mudança.

A Chevron pretende investir mais de US$ 7 bilhões em cinco anos.

Suas joint ventures já elevaram a produção em 15% em 2026.

A Petroindependencia recebeu duas novas áreas no Orinoco, depois de a companhia já ter ampliado sua participação para 49% e recebido direitos sobre Ayacucho 8.

Além disso, a empresa estima custos totais abaixo de US$ 20 por barril.

O objetivo final é levar a produção a aproximadamente 600 mil barris por dia, mais que o dobro do patamar de 2026.

Se conseguir executar o plano, a Chevron poderá transformar sua permanência centenária na Venezuela em uma das maiores expansões petrolíferas de seu portfólio atual.

Entretanto, o resultado dependerá de investimentos efetivamente realizados, estabilidade das novas regras, recuperação da infraestrutura e capacidade dos campos de entregar os volumes previstos.

E você, acredita que mais de US$ 7 bilhões da Chevron serão suficientes para recuperar rapidamente a produção venezuelana, ou décadas de subinvestimento ainda vão limitar o crescimento do país?

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Roberta Souza

Autora no portal Click Petróleo e Gás desde 2019, responsável pela publicação de mais de 8.000 matérias que somam milhões de acessos, unindo técnica, clareza e engajamento para informar e conectar leitores. Engenheira de Petróleo e pós-graduada em Comissionamento de Unidades Industriais, também trago experiência prática e vivência no setor do agronegócio, o que amplia minha visão e versatilidade na produção de conteúdo especializado. Desenvolvo pautas, divulgo oportunidades de emprego e crio materiais publicitários direcionados para o público do setor. Para sugestões de pauta, divulgação de vagas ou propostas de publicidade, entre em contato pelo e-mail: santizatagpc@gmail.com. Não recebemos currículos

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