A maior água-marinha conhecida foi encontrada em Marambaia, Minas Gerais, com 111 kg, 45 cm de altura e 38 cm de largura, segundo o Serviço Geológico do Brasil. A gema, variedade do berilo, é a pedra preciosa mais típica do país e tem cristais prismáticos que passam de 100 kg
A maior água-marinha conhecida no mundo foi encontrada em Marambaia, em Minas Gerais, e pesava 111 quilos, medindo 45 centímetros de altura por 38 centímetros de largura. O registro consta do Serviço Geológico do Brasil (SGB), que classifica a água-marinha como a pedra preciosa mais típica do Brasil e informa que seus cristais podem ultrapassar 100 quilos.
As informações estão no texto “Algumas Gemas Clássicas”, publicado pelo Serviço Geológico do Brasil e assinado por Pércio de Moraes Branco, autor do Dicionário de Mineralogia e Gemologia (Oficina de Textos, 2008), obra citada como fonte pelo próprio SGB.
Água-marinha é berilo azul, irmã da esmeralda

A água-marinha é uma variedade do mineral chamado berilo. O nome vem da cor, azul ou esverdeada em tons claros, semelhante à cor do mar.
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A esmeralda é outra variedade do mesmo berilo, só que verde, em tom escuro a médio, segundo o SGB. As duas gemas formam cristais prismáticos de base hexagonal, mas a esmeralda não é transparente, por causa de incontáveis fraturas e fissuras.
Cristais prismáticos de base hexagonal que passam de 100 kg
Os cristais de água-marinha são prismáticos, de base hexagonal, e chegam a atingir mais de 100 quilos, de acordo com o texto do SGB.
É esse porte que explica a existência de exemplares gigantes como o de Marambaia. Diferentemente de gemas que aparecem em pedras pequenas, a água-marinha pode se formar em blocos de dezenas ou centenas de quilos.
Marambaia (MG): 111 kg, 45 cm de altura e 38 cm de largura
A maior água-marinha conhecida foi encontrada em Marambaia, em Minas Gerais. Ela pesava 111 quilos e media 45 centímetros de altura por 38 centímetros de largura.
O SGB registra que foi no Brasil que se encontrou o maior exemplar conhecido da gema, reforçando o título de pedra preciosa mais típica do país.
Lúcia, Marta Rocha e Cachacinha, de 65 kg: as outras famosas, todas brasileiras
Outras águas-marinhas famosas citadas pelo SGB são a Lúcia, a Marta Rocha e a Cachacinha, todas brasileiras.
A Cachacinha tinha 65 quilos, pouco mais da metade do exemplar de Marambaia. O peso dá a dimensão do que significava, em comparação, a pedra de 111 quilos.
Minas Gerais produz as mais valiosas do mundo; ES, RN, CE, AL e PB também

Minas Gerais produz as águas-marinhas mais valiosas do mundo, afirma o SGB.
A gema também é produzida no Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas e Paraíba. O Brasil, segundo o texto, produz 90 tipos diferentes de gemas.
Não existe água-marinha sintética, mas topázio e espinélio azuis são vendidos no lugar
Não existe água-marinha sintética. Mesmo assim, muitas vezes se vende topázio natural e espinélio sintético azuis como se fossem água-marinha, conforme o SGB.
O comprador, portanto, corre risco de levar outra pedra pelo nome da gema mineira. A confusão é possível justamente porque as três podem apresentar tons de azul parecidos.
Mais de 90% das gemas no comércio internacional ganharam o azul no forno
Mais de 90% das águas-marinhas encontradas no comércio internacional devem sua cor azul ao aquecimento a que foram submetidos berilos amarelos ou verdes, segundo o SGB.
A cor obtida desse modo não pode ser distinguida do azul natural. O tratamento térmico transforma berilos de cores menos valorizadas na gema azul que domina o mercado.
Aquecimento a 400-500°C escurece as pedras de cor fraca
Além da mudança de cor, as gemas de tom fraco são aquecidas a temperaturas de 400 a 500°C para ficarem mais escuras.
O procedimento tem lógica comercial: quanto mais escuro o azul, maior o valor da água-marinha, conforme o texto do SGB.
Quanto mais escuro o azul, maior o valor: de US$ 1 a US$ 750 por quilate
As águas-marinhas mais valiosas são as azuis, e o valor cresce com a intensidade da cor. Os preços vão de US$ 1 a US$ 750 por quilate para gemas lapidadas de 0,50 a 50 quilates.
Um quilate equivale a 200 miligramas, segundo o SGB. Na escala das gemas, a água-marinha fica bem abaixo de esmeralda, rubi e diamante, apontadas pelo texto como as três mais valiosas.
Registro do SGB tem base no dicionário de 2008 e no acervo da CPRM em Porto Alegre
O texto do Serviço Geológico do Brasil sobre a água-marinha de Marambaia tem como fonte o Dicionário de Mineralogia e Gemologia, de Pércio de Moraes Branco, publicado em 2008 pela Oficina de Textos, com 608 páginas.
As gemas brutas fotografadas para o material pertencem ao acervo do Museu de Geologia da CPRM, em Porto Alegre, e as lapidadas, à coleção particular do autor, na mesma cidade. O exemplar de 111 quilos segue registrado ali como a maior água-marinha conhecida.
Na sua opinião, o fato de mais de 90% das águas-marinhas do comércio internacional terem a cor obtida por aquecimento muda o valor da gema mais típica do Brasil, ou o tratamento é parte natural do mercado de pedras preciosas? Deixe sua opinião nos comentários.
