Enquanto começa a construir sua primeira grande operação alemã, a Vulcan Energy já prepara uma segunda fase 60 km ao norte. O Project Ludwig pretende extrair lítio de salmouras geotérmicas, produzir 3.125 GWh de calor renovável por ano e aproveitar o avanço das fabricantes asiáticas de baterias sobre a Europa.
A australiana Vulcan Energy Resources iniciou a busca por novos investidores estratégicos para financiar sua segunda grande fase de produção de lítio na Alemanha. O novo empreendimento, chamado Project Ludwig, prevê aproximadamente € 1,26 bilhão em investimentos e capacidade para produzir 21.100 toneladas anuais de carbonato de lítio grau bateria.
Segundo a Reuters, a companhia procura investidores interessados em adquirir participações minoritárias diretamente no projeto. Embora grupos europeus também tenham demonstrado interesse, uma parcela relevante das manifestações espontâneas chegou da Ásia, justamente quando fabricantes asiáticos de baterias e veículos elétricos ampliam sua presença industrial na Europa.
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O movimento acontece enquanto o primeiro grande projeto da Vulcan, o Lionheart, começa a avançar na Alemanha. Assim, a empresa tenta transformar a experiência da primeira fase em uma plataforma capaz de sustentar sucessivas expansões de lítio e energia geotérmica no Vale Superior do Reno.
Project Ludwig exigirá € 1,26 bilhão
O estudo preliminar de viabilidade colocou números concretos na segunda fase.
A Vulcan estima CAPEX de € 1,26 bilhão para desenvolver o Ludwig, considerando valores reais de 2026 e contingência de 15%.
O projeto possui vida operacional planejada de 30 anos. Além disso, o estudo calcula valor presente líquido antes dos impostos de € 2,6 bilhões, utilizando taxa de desconto de 8%, e taxa interna de retorno antes dos impostos de 25%.
Depois dos impostos, a estimativa cai para € 1,7 bilhão de valor presente líquido, enquanto a taxa interna de retorno projetada fica em 20,2%.
Esses indicadores, entretanto, pertencem ao estudo preliminar da própria Vulcan. Portanto, representam projeções econômicas e não retornos garantidos.
Nova operação pretende produzir 21.100 toneladas de lítio por ano
A escala prevista ajuda a dimensionar o empreendimento.
O Ludwig foi projetado para produzir 21.100 toneladas de carbonato de lítio grau bateria por ano.

Vulcan Energy Resources
Esse composto poderá abastecer fabricantes de materiais catódicos e baterias, especialmente em aplicações que utilizam químicas baseadas em carbonato de lítio.
O projeto também complementará a primeira fase da Vulcan.
Enquanto o Lionheart mira aproximadamente 24 mil toneladas anuais de hidróxido de lítio monohidratado, o Ludwig pretende produzir carbonato de lítio.
Assim, a companhia poderá oferecer produtos diferentes para segmentos distintos da cadeia de baterias.
Lítio será retirado de salmoura geotérmica
O modelo da Vulcan é diferente da imagem tradicional de uma mina de lítio a céu aberto.
No Vale Superior do Reno, a companhia pretende acessar salmouras subterrâneas naturalmente aquecidas e ricas em lítio.
Primeiro, poços levam a salmoura quente até as instalações industriais. Depois, a Vulcan utiliza sua tecnologia de extração direta de lítio, ou DLE, para retirar o mineral dissolvido no fluido.
O processo gera um intermediário de cloreto de lítio que poderá ser convertido em carbonato de lítio grau bateria.
Ao mesmo tempo, a energia térmica existente na salmoura poderá ser aproveitada para atender aos processos da própria empresa e consumidores externos.
Essa combinação transforma o mesmo recurso subterrâneo em fonte de matéria-prima para baterias e calor renovável.
Europa corre para encontrar lítio dentro do próprio continente
A expansão da Vulcan acontece enquanto governos europeus tentam reduzir a dependência externa de minerais críticos.
Esse movimento já aparece em diferentes países.
O CPG mostrou que uma jazida europeia de lítio em Beauvoir, na França, pode chegar a 34 mil toneladas anuais e abastecer baterias para cerca de 700 mil carros elétricos por ano.
O caso francês e o projeto alemão utilizam métodos diferentes de produção. Entretanto, ambos refletem o mesmo desafio estratégico: criar uma cadeia europeia de matérias-primas capaz de abastecer a crescente indústria de baterias do continente.
No Ludwig, a Vulcan aposta justamente na possibilidade de produzir o mineral dentro de uma das maiores economias industriais da Europa.
Ludwig ficará apenas 60 km ao norte do Lionheart
A localização representa uma vantagem importante.
O Project Ludwig ficará na região de Ludwigshafen, aproximadamente 60 quilômetros ao norte do Project Lionheart, no mesmo sistema regional de salmouras do Vale Superior do Reno.
Por isso, a Vulcan acredita que poderá reaproveitar conhecimento geológico, tecnologia, experiência de perfuração, engenharia e processos de licenciamento desenvolvidos durante a primeira fase.
A companhia também possui capacidade própria de perfuração e tecnologia de extração desenvolvida internamente.
Dessa forma, o Lionheart poderá funcionar como uma plataforma industrial replicável para o Ludwig e futuras fases.
Vulcan prevê redução de 15% na intensidade de capital
Esse reaproveitamento aparece diretamente nos números.
Segundo o estudo preliminar, o Ludwig apresenta intensidade de capital aproximadamente 15% menor que a do Lionheart, considerando capacidade equivalente de produção de lítio.
A companhia atribui essa redução às lições obtidas na primeira fase, à maior maturidade técnica e à simplificação do conceito industrial.
Além disso, o projeto pretende integrar extração e conversão para carbonato de lítio em uma configuração mais concentrada.
Outro diferencial está na energia.
Em vez de instalar geração elétrica geotérmica no próprio complexo como parte central do modelo, Ludwig priorizará o fornecimento direto de calor.
Essa escolha reduz a quantidade de infraestrutura necessária.
Projeto produzirá 3.125 GWh de calor renovável por ano
O calor representa um dos números mais expressivos do empreendimento.
A Vulcan projeta produção de aproximadamente 3.125 GWh de calor renovável por ano.
Parte dessa energia térmica atenderá aos próprios processos de produção de lítio.
Entretanto, a companhia também pretende vender o excedente para consumidores externos, incluindo indústrias e possíveis sistemas regionais de aquecimento.
Portanto, o Ludwig terá potencialmente duas frentes comerciais complementares: lítio e energia térmica.
A estratégia também reduz a necessidade de produzir eletricidade no próprio empreendimento e simplifica sua configuração industrial.
Custo operacional projetado fica em € 4.101 por tonelada
A Vulcan estima custo operacional C1 de € 4.101 por tonelada de carbonato de lítio equivalente.
Segundo a companhia, esse valor colocaria o Ludwig no quartil inferior da curva global de custos.
A empresa atribui a projeção principalmente à utilização integrada da energia geotérmica e à tecnologia proprietária de extração direta.
Além disso, o conceito industrial simplificado deverá exigir menos infraestrutura do que a primeira fase.
No entanto, esse custo ainda precisa ser comprovado comercialmente.
O Ludwig não está em operação e sequer recebeu decisão final de investimento. Portanto, os € 4.101/t continuam sendo uma projeção do estudo de viabilidade.
Recursos indicados de lítio cresceram 91%
O novo estudo também atualizou a dimensão do recurso mineral.
Os recursos indicados do Project Ludwig aumentaram 91%, passando de 655 mil toneladas para aproximadamente 1,251 milhão de toneladas de carbonato de lítio equivalente.
Já os recursos inferidos aumentaram cerca de 5%, de 2,128 milhões para aproximadamente 2,230 milhões de toneladas equivalentes.
A concentração considerada fica em aproximadamente 155 miligramas de lítio por litro de salmoura.
Contudo, existe uma distinção importante.
Recursos minerais indicados e inferidos não devem ser apresentados automaticamente como reservas economicamente recuperáveis. Eles representam classificações geológicas utilizadas na avaliação do potencial do depósito.
Vulcan procura investidores minoritários para dividir o projeto
A companhia não pretende necessariamente financiar sozinha toda a segunda fase.
Atualmente, a Vulcan possui aproximadamente 85% do Project Ludwig.
Os outros 15% estão ligados a investidores que incluem Siemens, Hochtief e DemEA.
Agora, a empresa abriu um processo para incorporar novos investidores estratégicos minoritários diretamente no ativo.
Segundo Francis Wedin, presidente executivo da Vulcan, os investidores da primeira fase foram predominantemente europeus.
No Ludwig, entretanto, boa parte do interesse espontâneo está chegando da Ásia.
Fabricantes asiáticos estão levando fábricas de baterias para a Europa
Existe uma lógica industrial por trás desse interesse.
Fabricantes asiáticos de baterias e veículos elétricos estão aumentando sua presença física dentro da Europa.
A CATL, por exemplo, levantou aproximadamente US$ 4,6 bilhões em Hong Kong em 2025 e informou que grande parte dos recursos ajudaria a financiar sua expansão internacional, incluindo uma fábrica de baterias na Hungria.
Quanto mais capacidade produtiva de baterias se instala no continente, maior se torna a necessidade de matérias-primas próximas dessas fábricas.
Assim, possuir uma participação em um projeto alemão de lítio pode oferecer vantagens estratégicas para grupos interessados em reduzir distâncias logísticas e riscos de fornecimento.
Europa tenta diminuir dependência de minerais importados
A União Europeia estabeleceu metas para fortalecer sua autonomia em matérias-primas críticas.
Até 2030, o bloco pretende ampliar significativamente a parcela de minerais estratégicos extraídos, processados e reciclados dentro de sua própria economia.
No entanto, a mineração convencional representa apenas uma parte dessa estratégia.
A reciclagem também ganha importância.
Assim, o continente tenta atacar o problema por duas frentes.
De um lado, projetos como Ludwig buscam criar nova produção primária dentro da Europa. Do outro, programas de economia circular tentam recuperar minerais que já entraram no mercado.
Alemanha também amplia capacidade para reciclar baterias
A cadeia alemã começa a avançar também depois do uso das baterias.
Em Meppen, por exemplo, uma instalação industrial entrou em operação com capacidade para processar 30 mil toneladas de baterias por ano.
Segundo a empresa responsável pelo empreendimento, o processo consegue recuperar até 96% dos materiais processados.
O CPG detalhou como a Alemanha inaugurou uma grande planta de reciclagem de baterias em Meppen, capaz de processar 30 mil toneladas anualmente e recuperar materiais como lítio, níquel e cobalto.
A combinação desses investimentos começa a desenhar uma cadeia mais completa.
Projetos como Ludwig procuram produzir lítio dentro da Alemanha, enquanto novas plantas de reciclagem tentam recuperar o mineral depois que baterias chegam ao fim da vida útil.
Primeira fase já conseguiu financiamento bilionário
A Vulcan possui uma referência importante para estruturar o Ludwig.
O Project Lionheart conseguiu um pacote de financiamento de aproximadamente € 2,2 bilhões, combinando dívida e capital.
O governo alemão também entrou na estrutura por meio do Federal Raw Materials Fund.
O fundo possui aproximadamente 14% do Lionheart, enquanto a Vulcan mantém cerca de 86%.
Essa participação mostra como Berlim considera o projeto estratégico para sua política de matérias-primas.
Agora, a empresa tenta utilizar a experiência adquirida na primeira fase para estruturar o financiamento do Ludwig.
Lionheart mira 24 mil toneladas anuais
A primeira fase possui características diferentes.
O Lionheart pretende alcançar capacidade de aproximadamente 24 mil toneladas anuais de hidróxido de lítio monohidratado grau bateria.
Segundo a Vulcan, esse volume seria suficiente para atender aproximadamente 500 mil baterias de veículos elétricos por ano, considerando as premissas utilizadas pela companhia.
Além disso, o empreendimento deverá produzir energia renovável a partir da mesma salmoura geotérmica utilizada na extração do lítio.
O Ludwig ampliaria esse modelo, mas produziria carbonato de lítio.
Duas fases podem superar 45 mil toneladas anuais
Se os dois projetos atingirem suas capacidades planejadas, a escala combinada ultrapassará 45 mil toneladas anuais de produtos químicos de lítio.
O Lionheart mira aproximadamente 24 mil toneladas de hidróxido de lítio monohidratado.
Já o Ludwig prevê 21,1 mil toneladas de carbonato de lítio.
A soma matemática chega a aproximadamente 45,1 mil toneladas por ano.
Contudo, os compostos são diferentes. Portanto, esse número serve apenas para mostrar a escala física combinada das duas operações e não deve ser apresentado como 45,1 mil toneladas do mesmo produto.
Empresa quer lançar nova fase a cada dois ou três anos
A estratégia da Vulcan vai além de Lionheart e Ludwig.
A companhia controla licenças sobre aproximadamente 2.000 km² no Vale Superior do Reno.
Sua estratégia prevê utilizar essa área para desenvolver projetos sucessivos de lítio e energia geotérmica.
A meta empresarial é buscar uma nova fase de produção a cada dois ou três anos.
Nesse modelo, a decisão final de investimento de uma nova etapa ocorreria depois que a fase anterior começasse a produzir.
Portanto, o início operacional do Lionheart será decisivo para Ludwig.
Ludwig ainda não recebeu decisão final de investimento
Esse é um dos principais cuidados editoriais da pauta.
O Project Ludwig ainda não possui decisão final de investimento, ou FID.
A Vulcan concluiu o estudo preliminar de viabilidade e iniciou a busca por parceiros estratégicos.
Agora, ainda precisa avançar em levantamentos sísmicos, perfurações exploratórias, engenharia, estrutura financeira, licenciamento e outras etapas.
A companhia pretende tomar a decisão final sobre Ludwig depois que o Lionheart começar a produzir.
Assim, os € 1,26 bilhão representam o investimento estimado necessário para desenvolver o projeto, e não dinheiro que já esteja sendo desembolsado integralmente na construção.
Queda das ações aumenta importância dos parceiros
A busca por investidores acontece em um momento financeiro sensível para a Vulcan.
Na data da reportagem da Reuters, as ações da companhia acumulavam queda de aproximadamente 41,5% em 2026 e fecharam a A$ 2,61, próximas da mínima das últimas 52 semanas.
Nesse cenário, trazer parceiros diretamente para Ludwig permite dividir o risco financeiro da expansão.
Além de capital, um investidor estratégico pode contribuir com contratos de compra, tecnologia, experiência industrial ou acesso ao mercado de baterias.
Por isso, o interesse vindo da Ásia ganha importância adicional.
Lítio europeu enfrenta competição internacional
A Vulcan tenta crescer em um mercado extremamente competitivo.
China, Austrália, Chile, Argentina e outros produtores ocupam posições relevantes na cadeia mundial de lítio.
Ao mesmo tempo, empresas chinesas construíram uma cadeia altamente integrada de refino, fabricação de baterias e veículos elétricos.
A Europa, por outro lado, ainda depende fortemente de materiais processados no exterior.
Por isso, projetos europeus precisam competir não apenas em disponibilidade mineral, mas também em preço.
A Vulcan aposta na combinação entre extração direta de lítio, energia geotérmica e proximidade dos clientes europeus para tentar reduzir essa diferença.
Ludwig pretende colocar matéria-prima perto das fábricas europeias
A localização alemã possui valor estratégico.
A Alemanha continua no centro da indústria automotiva europeia e abriga uma extensa rede de fabricantes de veículos, componentes e produtos químicos.
Produzir lítio dentro do país pode reduzir distâncias entre matéria-prima, processamento e consumidor industrial.
Além disso, cadeias mais regionalizadas tendem a ficar menos expostas a interrupções marítimas e disputas comerciais.
Essa lógica ganhou força conforme minerais críticos passaram a ocupar espaço cada vez maior nas políticas industriais da Europa.
Projeto une mineração e energia geotérmica
O diferencial do Ludwig aparece justamente na utilização da mesma salmoura para duas finalidades.
A Vulcan pretende retirar lítio dissolvido na água subterrânea e aproveitar simultaneamente o calor geotérmico carregado pelo fluido.
Assim, o projeto poderá entregar 21.100 toneladas de carbonato de lítio por ano e até 3.125 GWh anuais de calor renovável.
Essa integração cria uma segunda fonte potencial de receita e reduz a necessidade de combustíveis fósseis nos processos térmicos.
Além disso, a venda de calor para consumidores regionais pode aumentar a eficiência econômica do empreendimento.
Primeira fase ainda precisa provar o modelo comercial
Apesar das projeções positivas, existe um ponto decisivo.
A primeira grande fase industrial da Vulcan ainda precisa demonstrar que o modelo funciona comercialmente na escala planejada.
O Lionheart servirá como referência para investidores, bancos e compradores.
Se a operação alcançar os custos, volumes e eficiência esperados, Ludwig poderá se beneficiar diretamente dessa experiência.
Por outro lado, eventuais atrasos, aumento de custos ou problemas técnicos na primeira fase também poderão influenciar a segunda.
Isso explica por que a Vulcan condiciona a FID do Ludwig ao início bem-sucedido da produção no Lionheart.
Interesse asiático pode financiar próxima etapa do lítio alemão
O Project Ludwig aparece exatamente no encontro de duas transformações.
A Europa quer reduzir sua dependência externa de minerais críticos, enquanto fabricantes asiáticos de baterias estão instalando capacidade industrial cada vez mais próxima das montadoras europeias.
Nesse cenário, a Vulcan oferece um ativo que combina lítio produzido na Alemanha, energia geotérmica e proximidade da indústria de baterias.
O projeto prevê € 1,26 bilhão em investimentos, capacidade de 21,1 mil toneladas de carbonato de lítio por ano, produção de 3.125 GWh de calor renovável e vida operacional planejada de três décadas.
Além disso, a empresa estima intensidade de capital 15% menor em relação à primeira fase, considerando capacidade equivalente.
Agora, porém, o desafio é financeiro e operacional.
A Vulcan precisa transformar o interesse de investidores europeus e asiáticos em capital e, antes de tomar a decisão definitiva sobre Ludwig, demonstrar que o Lionheart consegue funcionar na escala comercial prevista.
Se a estratégia avançar, uma salmoura quente escondida no subsolo alemão poderá alimentar simultaneamente a cadeia europeia de baterias e sistemas regionais de calor renovável.
E você, acredita que produzir lítio dentro da Alemanha com energia geotérmica pode reduzir de forma relevante a dependência europeia da cadeia asiática, ou os custos ainda serão o principal obstáculo?
