Em 1981, na Nigéria, o cientista australiano Tony Ronaldo e Liz ensinaram agricultores a trocar o machado pela regeneração de árvores que já estavam vivas no solo, sob ventos do Saara, criando lavouras protegidas, mais grãos e o chamado ouro verde, hoje replicado em 40 países, com impacto social visível.
Agricultores olham um campo seco e, por instinto, limpam o que resta: cortam árvores, queimam rebrote, abrem o terreno para plantar e esperam que a colheita responda. No oeste africano essa lógica virou um risco, porque cada corte expunha o solo aos ventos do Saara.
A ideia, conduzida por Tony Ronaldo e Liz a partir de 1981, foi tratar a regeneração como tecnologia social: selecionar brotos de tocos vivos, proteger árvores úteis e manter a lavoura no meio delas. Com o tempo, o método foi associado a mais grãos, ao “ouro verde” e a uma expansão citada como presente em cerca de 40 países.
O campo que parecia perdido e a decisão que mudou tudo

No interior de países da África Ocidental, a paisagem descrita por quem chegou primeiro era de solo cansado, plantações falhando e famílias vendo a comida sumir.
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Os agricultores cortavam árvores e eliminavam o rebrote, tentando abrir espaço, mas o resultado era o contrário do esperado: mais vento, mais calor e menos fertilidade.
Foi nesse cenário que, em 1981, na Nigéria, Tony Ronaldo e Liz começaram a insistir numa ideia que soava ofensiva para muita gente: parar de tratar o toco vivo como inimigo.
A proposta era simples de explicar e difícil de aceitar, porque exigia confiança num processo lento, de regeneração, em vez de uma solução rápida e visível.
Regeneração na prática: começar pelo que já está no chão

A virada veio quando a regeneração deixou de ser discurso e virou rotina.
Em vez de plantar árvores novas que morriam, os agricultores passaram a observar a chamada floresta subterrânea, os tocos e estoques de sementes já presentes.
A técnica era trabalhar com o que estava vivo, escolhendo o que seria mantido e o que seria podado.
Num exemplo mostrado como demonstração de campo, o corte e a poda de um rebrote levavam poucos minutos e mudavam o status daquela “erva daninha” para árvore em crescimento.
A lógica incluía deixar cerca de cinco brotos por cepa, criando uma estrutura mais resistente ao vento e ao pisoteio, sem perder o objetivo central de manter as lavouras entre as árvores.
Árvores como infraestrutura: sombra, barreira e produção junto da lavoura

Quando as árvores voltam, não é só paisagem. Elas funcionam como amortecedor contra temperaturas altas, ventos fortes e baixa fertilidade, condições citadas como típicas de regiões próximas ao Saara.
Árvores são uma infraestrutura agrícola, porque reduzem extremos e protegem a produção que acontece entre elas.
Ao mesmo tempo, a regeneração responde a uma necessidade concreta do dia a dia: lenha. Em comunidades onde cozinhar depende de madeira, proibir o corte sem oferecer alternativa vira punição.
O método buscou equilibrar o uso e a proteção, mantendo as árvores como “conta conjunta” e “apólice de seguro”, uma reserva que permanece de pé quando a lavoura falha.
Ouro verde e grãos: quando o ganho aparece no prato e no tempo
O termo ouro verde aparece como síntese do que mudou: árvores passaram a ser valor, não obstáculo. Para os agricultores, o ganho não era apenas ambiental, era material, com mais estabilidade e mais alimento.
A base do relato atribui ao método um resultado de mais de 500.000 toneladas de grãos por ano, volume descrito como suficiente para alimentar 2,5 milhões de pessoas.
Esse tipo de número sempre exige cautela, porque depende de contexto, clima e adoção real por comunidade, mas ele ajuda a explicar por que a regeneração ganhou tração.
Ouro verde não é romantismo, é a linguagem de quem mede o impacto pelo que entra na casa, pelo que sobra para vender e pelo que não precisa mais ser buscado longe.
Do “fazendeiro branco maluco” ao chefe: o peso social da mudança
O apelido dito em voz alta, “fazendeiro branco maluco”, mostra o atrito inicial: a ideia contrariava o instinto de limpar o terreno e produzia desconfiança.
Com o tempo, quando as árvores cresceram e as lavouras entre elas passaram a render, o mesmo personagem foi descrito como “chefe dos fazendeiros”, um reconhecimento que não vem de propaganda, vem de resultado percebido.
O efeito social mais repetido é menos dramático e mais diário: aliviar o fardo de mulheres e crianças. Se a lenha e a água ficam mais próximas e a colheita é menos instável, o tempo muda de dono.
A regeneração altera a agenda da família, não apenas o desenho do campo.
Por que se espalhou e o que ainda está em disputa
O método foi descrito como tendo se espalhado por cerca de 40 países, começando na Nigéria e avançando para lugares citados como Mali e Etiópia, com retornos a regiões como Quênia e Uganda previstos em novas viagens.
Em falas públicas, Grant Balden, CEO da World Vision, tratou a regeneração como uma das respostas mais fortes disponíveis hoje para enfrentar mudanças climáticas, sem chamá la de solução milagrosa.
O reconhecimento internacional, como o Prêmio da Paz de Luxemburgo por paz ambiental, dá visibilidade, mas não substitui a parte mais difícil, que é governança no chão.
Árvores só viram ouro verde quando viram regra social, quando a comunidade decide o que pode, o que não pode e como repartir o benefício, sem deixar o custo cair sempre nos mesmos.
O caso mostra que a regeneração não é só reflorestamento, é estratégia de produção em ambiente hostil, desenhada para agricultores que não podem esperar anos por um milagre de laboratório.
Árvores viram ferramenta de sobrevivência quando protegem a lavoura, seguram solo, fornecem lenha e tornam o risco menos cruel.
Se você já viveu seca, vento forte ou colheita quebrada, o que te parece mais realista: apostar em plantar do zero ou insistir na floresta subterrânea e chamar isso de ouro verde? Que tipo de regra comunitária faria agricultores aderirem sem medo de perder renda no curto prazo?


I interviewed him in Zambia, on regenerative agriculture..Fantastic and smart man
Well done,needs dedication and patience.
At Mana Pools in Zimbabwe i saw a wonderful concept; a small area of land (maybe 20 mx 20 m) securely fenced off with a solar panel to electrify a few wires. It guarded a tiny reservoir of indigenous plants, self-seeded, which over time grew into trees. It also provided shelter and sustenance to various birds and insects, while being locked away from mammals such as elephant and buffalo. The mature trees were able to produce seeds to repopulate the surrounding area.
And in the Eastern Cape area of South Africa, I saw plantations of an exotic tree which produced long thin stems in abundance. The plantations were placed there (by the Apartheid government) to provide long thin poles for hut-building and waste growth for firewood. As the stems are cut they regrow.