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Aurora boreal no Rio Grande do Sul? Céu roxo em Cambará do Sul intriga a astronomia

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 25/01/2026 às 09:14
Atualizado em 25/01/2026 às 09:16
Céu roxo em Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul, intriga a astronomia e levanta hipótese de aurora boreal após tempestade solar.
Foto: IA
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Céu roxo em Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul, intriga a astronomia e levanta hipótese de aurora boreal após tempestade solar.

Um clarão roxo iluminou o céu de Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul, na noite de terça-feira (20/01/2025), despertando dúvidas e fascínio entre especialistas em astronomia. O fenômeno, registrado por cerca de cinco minutos, ocorreu após uma tempestade solar intensa, foi fotografado em longa exposição e levantou a possibilidade — ainda não confirmada — de uma aurora boreal (ou austral) em latitudes incomuns do sul do Brasil.

Veja mais: Tempestade solar mais intensa em 20 anos lança radiação e provoca aurora boreal fora do comum

Céu roxo surpreende moradores e especialistas

O episódio chamou atenção pela raridade. Por volta das 21h, o fotógrafo Egon Filter capturou a coloração roxa no céu de Cambará do Sul, na Serra Gaúcha.

A imagem, feita com técnica de longa exposição, mostrou um brilho concentrado que se destacou do restante da abóbada celeste.

Fotógrafo afirma que este é o fenômeno 'airglow', com as faixas na cor vermelha horizontais e que tomam conta de todo o céu — Foto: Divulgação/ Egon Filter
Fonte: Divulgação/Egon Filter

Segundo Egon, o impacto foi imediato. “Já fotografei diversos fenômenos visuais e astronômicos no céu mundo afora. Esse me parece muito uma aurora austral, o que me arrepiou de emoção no momento do clique”, relata.

O profissional atua há 41 anos na fotografia, mora na região serrana, estuda astronomia e é especializado em astrofotografia.

Veja mais: Groenlândia enfrenta crise climática no Ártico e desaceleração econômica

Tempestade solar reacende debate sobre aurora boreal no Sul

A hipótese de aurora ganhou força por causa do contexto espacial. Um dia antes do registro, uma tempestade solar considerada intensa atingiu a Terra.

Em condições extremas, esse tipo de evento pode ampliar a área de ocorrência das auroras, normalmente restritas a latitudes acima de 60 graus.

Egon ressalta esse ponto ao explicar que o Rio Grande do Sul está entre os paralelos 29 e 33 graus.

“Sei que podem ocorrer raras exceções em caso de tempestades solares, e uma bem violenta aconteceu um dia antes, por isso acredito que vimos uma aurora”, afirma.

Especialistas pedem cautela na classificação do fenômeno

Apesar do entusiasmo, a comunidade científica mantém prudência. O professor Carlos Fernando Jung, doutor em engenharia de produção e fundador do Observatório Heller & Jung, avalia que ainda é cedo para definir o que ocorreu.

Para Jung, as auroras surgem quando partículas do vento solar interagem com o campo magnético terrestre, fenômeno concentrado próximo aos polos magnéticos.

“Em condições normais, esse tipo de manifestação não pode ser visto no sul do Brasil, onde também nunca houve registro de uma aurora”, explica. Ainda assim, ele admite que a tempestade do dia 19/01 poderia permitir algo atípico, embora “não seriam auroras clássicas como as da Noruega ou Antártida”.

Airglow: uma explicação alternativa considerada

Outra possibilidade levantada é o chamado airglow. Trata-se de um efeito óptico causado pela colisão de átomos na alta atmosfera após eventos como tempestades magnéticas e ventos solares.

Segundo Jung, esse fenômeno costuma apresentar brilho mais difuso e menos intenso.

“Um airglow tem intensidade menor e a cor mais dissipada no céu. Não dá pra afirmar com certeza, mas o fato é que se trata de um fenômeno importante e cientificamente relevante para nós gaúchos”, diz o professor.

INPE aponta lacunas e propõe novas investigações

O debate ganhou novos contornos com a análise do geofísico José Valentin Bageston, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais em Santa Maria. Para ele, nenhuma das hipóteses explica totalmente o registro.

“Se fosse um airglow, a luz de cor roxa tomaria conta de todo o céu, não iria se limitar a uma parte da fotografia”, observa. Bageston também descarta a aurora clássica, pois sensores de partículas do observatório em São Martinho da Serra não detectaram atividade compatível.

“Nos últimos 25 anos, nunca registramos uma aurora aqui”, comenta.

Arco Vermelho de Aurora entra no radar científico

Entre as hipóteses mais específicas está o SAR (Stable Auroral Red Arc), conhecido como Arco Vermelho de Aurora. O fenômeno é raro e distinto das auroras tradicionais.

No entanto, Bageston pondera que a imagem de Cambará do Sul não apresenta claramente a linha vermelha contínua típica desse evento.

“É preciso coletar mais dados, estudar com mais profundidade e tentar observar novamente”, afirma. Assim, novas medições e registros serão essenciais para avançar na compreensão do caso.

Fenômeno chama atenção internacional

Mesmo sem explicação definitiva, o céu roxo de Cambará do Sul já ultrapassou fronteiras. Pesquisadores do site Space Weather, referência mundial em registros astronômicos, destacaram o episódio.

Eles também divergem sobre a classificação, mas se dizem surpresos com o fato de algo semelhante a uma aurora boreal ter sido observado no sul do Brasil.

Enquanto isso, o episódio reforça o interesse pela astronomia no Rio Grande do Sul e mostra como eventos de tempestade solar podem produzir manifestações visuais raras, capazes de transformar uma noite comum em um enigma científico.

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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