Propriedade fortificada nas colinas próximas de Florença combina séculos de legado, salões abobadados, pátio central, acervo histórico e um enigma envolvendo pintura renascentista descoberta pelos atuais proprietários durante restauração cuidadosa
Em tempos marcados por incertezas geopolíticas, um movimento silencioso vem ganhando força entre os muito ricos. Não se trata apenas de mudar de endereço, mas de redefinir estilo de vida. Há quem busque sol e regimes tributários mais leves em Dubai. Outros preferem trocar metros quadrados pelo glamour compacto de Mônaco. Já um terceiro grupo, interessado em uma experiência cultural mais densa, tem voltado os olhos para a Itália.
Um refúgio nas colinas toscanas
É nesse imaginário que surge a Villa Ginori, uma construção fortificada posicionada nas encostas de Florença.
A propriedade carrega séculos de história e agora entra no mercado por 10 milhões de euros, cerca de R$ 61 milhões.
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Sua origem remonta a 1134, quando o castelo, então isolado no topo de uma colina, foi erguido por decreto papal.
Ao longo dos séculos, a paisagem ao redor mudou. Uma cidade mais moderna floresceu nas planícies abaixo, enquanto a villa permaneceu como sentinela.
Localizada a apenas 10 quilômetros de Florença, mantém uma ligação constante com o centro urbano.
Da propriedade, é possível avistar ao longe o Duomo, referência visual que reforça o contraste entre o dinamismo da cidade e a serenidade das colinas.
Entre tradição e imponência
A mansão de tom amarelo-claro deve seu nome à influente família Ginori, conhecida por sua atuação como fabricantes de porcelana, banqueiros e figuras políticas.
A villa domina um antigo vilarejo no alto da colina, que abriga uma igreja do século 8 e um museu. O conjunto ocupa cerca de 2.200 metros quadrados e inclui três unidades residenciais distribuídas em diferentes níveis. No centro, um pátio organiza a vida social e funciona como núcleo de convivência.
A história da propriedade reflete transformações da própria Toscana. Depois de passar pelas mãos de condes, bispos e aristocratas florentinos, deixou de ser apenas um posto defensivo e assumiu contornos de residência luxuosa após a fundação do Grão-Ducado da Toscana, no século 16.
“Sob a família Ginori, a villa evoluiu ao longo dos séculos e das mudanças de estilo, passando de uma casa da signore para uma villa-fazenda suburbana”, afirma Arianna Giovannini, corretora da agência imobiliária de luxo Building Heritage.
Arquitetura que atravessa séculos
Grande parte das características originais foi preservada. Tetos abobadados com afrescos, lareiras monumentais de pedra ostentando o brasão estrelado da família e escadarias de arenito local compõem a atmosfera histórica.
Os ambientes mais emblemáticos, segundo Giovannini, incluem o salão de festas, com pé-direito elevado e uma antiga lareira, além da sala de estudos no primeiro andar, um espaço em mezanino que evoca uma sensação atemporal.
“Tudo é perfeitamente organizado entre as áreas de recepção e convívio e os aposentos mais privados”, descreve a corretora.
O equilíbrio entre imponência e acolhimento ajuda a explicar por que propriedades desse tipo continuam despertando interesse entre compradores internacionais.
Herança preservada
Os atuais proprietários são descendentes do empresário local que adquiriu a Villa Ginori na década de 1970 como residência familiar. Eles relatam que viver ali sempre foi encarado como um privilégio raro.
A lógica segue a tradição das famílias abastadas da Toscana, que valorizam reunir diferentes gerações em um mesmo espaço amplo, garantindo privacidade sem abrir mão da proximidade.
Alguns móveis históricos permaneceram na casa após a mudança dos proprietários. Entre eles, cerâmicas da chamada Collezione Ginoriana e retratos exibidos no salão principal.
Outros elementos foram restaurados por especialistas ou adquiridos de antiquários florentinos, reforçando o senso de continuidade.
Existe ainda a possibilidade de negociar a aquisição desse acervo junto com o imóvel. A alternativa evita que futuros donos precisem iniciar do zero a ambientação dos vastos cômodos, mantendo a coerência estética da propriedade.
O enigma de Bronzino
Nem tudo, porém, acompanhará a venda. Uma pintura atribuída a Agnolo Bronzino, retratista oficial de Cosimo I de’ Medici em meados do século 16, foi encontrada na propriedade.
Intitulada Petrarch, a obra teve seu valor considerado desconhecido, embora trabalhos do artista possam alcançar até US$ 10 milhões (R$ 53,6 milhões).
Após um cuidadoso processo de restauração, o quadro foi guardado em um cofre. Também permanece sem resposta a razão de sua presença na villa.
Teria sido uma encomenda, um presente ou apenas um acaso histórico? O mistério segue alimentando especulações, lembrando que, em residências quase milenares, o passado nunca está completamente encerrado.
Com informações de Forbes.

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