Em Nova Fátima, um casal abriu mão de casa e carro, investiu em estufa e poço artesiano e, em 2 anos, passou a viver da produção orgânica com apoio técnico e foco na família
Deixar a cidade para trás e recomeçar do zero no campo. Essa foi a decisão de um casal do norte do Paraná que escolheu trocar conforto urbano por uma rotina de lavoura, investimento e aprendizado diário.
Em apenas 2 anos, o casal transformou uma propriedade de 5 mil m² em fonte de renda com tomates orgânicos certificados. E, segundo eles, a maior colheita não é só financeira, mas também a criação dos filhos longe das telas, com mais contato com a natureza e responsabilidade.
A decisão do casal de trocar casa e carro por um recomeço no campo

A história desse casal começa com uma virada completa. Eles moravam na cidade, tinham uma casa considerada muito boa e um carro, mas decidiram fazer uma permuta para viver em uma vila rural. O plano era simples e arriscado ao mesmo tempo: investir tudo para construir uma nova renda na roça.
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Com o que conseguiram na negociação e em vendas, o casal montou a primeira estufa e abriu um poço artesiano. O orçamento, segundo o relato, ficou zerado por causa do investimento inicial.
Foi um passo de confiança, mas também uma aposta financeira que colocou a família em um caminho de trabalho intenso.
Por que a mudança ficou inevitável e como o casal buscou conhecimento
A mudança de vida acelerou quando Leandro precisou deixar o trabalho como motorista de caminhão por causa de um problema nos olhos. A necessidade se juntou a um desejo antigo: voltar para a roça, onde os dois cresceram.
Só que a nova rotina exigia aprendizado. Leandro descreve que precisou conhecer lavoura, pragas e manejo, participando de dias de campo e buscando orientação técnica.
O casal destaca a importância do IDR Paraná para orientar como plantar, fazer poda e conduzir a colheita dentro do padrão exigido pela produção orgânica.
Da estufa ao tomate grape: o que o casal produz e como funciona o ciclo

Na estufa, a família já produziu pepinos e pimentões. Agora, o foco está no tomate grape, que virou o carro-chefe da propriedade. Cada planta tem um ciclo de 6 a 8 meses e pode gerar, nesse período, até 10 kg de frutos.
O casal afirma que todo produto usado é biológico, o que sustenta uma produção totalmente orgânica. A ideia central é entregar um alimento saudável para quem consome e também preservar a saúde de quem trabalha, já que não se trata de aplicação de químicos fortes.
Certificação orgânica e renda: quando o campo vira sustento do casal
Hoje, quase toda a renda da família vem da terra. A produção já tem identificação orgânica do IDR Paraná e também recebeu prêmios ligados à sustentabilidade.
Mesmo com o avanço, o casal não esconde os desafios. Eles descrevem picos de altos e baixos, desgaste e momentos de dúvida, principalmente por causa do cansaço e do ciclo de produção, que tem períodos de colheita e períodos de reinício. Ainda assim, o casal reforça que vê resultado, se sente realizado e segue no processo com convicção.
A maior colheita do casal: filhos longe das telas e mais conexão com a vida rural
Para esse casal, o ponto mais valioso não é apenas a renda. É ver os filhos crescendo no ambiente rural, aprendendo responsabilidade, paciência e respeito pela natureza.
Eles citam a filha de 11 anos e o filho de 7 anos, e falam sobre criar as crianças com caráter, simplicidade e base firme, longe das telas, para que possam decidir o futuro com mais direção. A proposta não é obrigar os filhos a viver da terra, mas formar pessoas com valores e olhar humano.
Próximos planos: turismo rural e um sítio ainda mais sustentável
Além de manter a produção orgânica, o casal fala em sonhos como turismo rural e a construção de um sítio “super sustentável”.
A propriedade é pequena, mas o projeto é grande, e a estratégia passa por continuar aprendendo, melhorando a estrutura e fortalecendo a renda com o que já funciona.
E para você: você teria coragem de fazer o que esse casal fez e trocar a cidade pela roça para recomeçar do zero?

