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Casal constrói casa de 200 m² começando com menos de R$ 100 mil, diz ter economizado 60%, reaproveita contêiner, terra do terreno, portões antigos e até instala energia solar para cortar contas e expandir a obra por etapas sem pressa

Publicado em 22/03/2026 às 14:53
Assista o vídeoVeja como uma casa usa contêiner, tijolo ecológico e energia solar em obra por etapas para reduzir custos e contas com decisões de projeto. imagem: ilustrativa
Veja como uma casa usa contêiner, tijolo ecológico e energia solar em obra por etapas para reduzir custos e contas com decisões de projeto. imagem: ilustrativa
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A história de uma casa de 200 m² construída por etapas virou vitrine de economia: o casal afirma ter começado com menos de R$ 100 mil, reutilizando contêiner, terra do próprio terreno, portões antigos e soluções de ventilação, além de energia solar para reduzir despesas sem pressa e planejamento técnico.

A casa apareceu como um experimento de prioridades: primeiro garantir o terreno, depois levantar o “mínimo viável” para morar e só então ampliar. No relato do casal, a estratégia foi tratar cada escolha como parte do orçamento, do conforto e das contas que viriam depois.

Ao longo dos anos, a casa virou um conjunto de soluções reaproveitadas e decisões de projeto que dispensam etapas caras. A lógica central não foi “comprar barato”, mas redesenhar a obra para gastar menos material, menos mão de obra e menos retrabalho, avançando conforme o dinheiro entrava.

O ponto de partida que define o resto da casa

A primeira grande decisão da casa foi fora da obra: comprar o terreno antes de qualquer coisa. O casal conta que pagou cerca de R$ 55 mil há aproximadamente cinco anos e que, hoje, o valor do lote seria bem maior. Esse tipo de escolha não reduz só o custo imediato; ele muda o ritmo da casa, porque trava a principal variável e dá previsibilidade para planejar o restante.

Com o terreno resolvido, a casa foi dividida em etapas, inclusive com compras e serviços parcelados quando isso fazia sentido no fluxo de caixa. A ideia, segundo eles, era não travar a casa esperando “o momento ideal”, mas avançar por partes: construir, morar, observar o que funciona e então ampliar com ajustes de rota.

Essa abordagem também cria um efeito prático: a casa vai se tornando um canteiro mais organizado ao longo do tempo, com depósito, ferramentas e soluções provisórias que viram definitivas. O casal cita, por exemplo, um barracão que começou como apoio da obra e depois virou extensão essencial da casa, justamente por evitar desmontagens e recomeços.

Quando o contêiner entra na casa e o terreno vira aliado

O contêiner foi apresentado como uma solução de partida para quem precisava “chegar com algo pronto”, inclusive porque eles viviam à distância. No relato, o contêiner foi comprado e reformado fora do local, reduzindo parte da logística de canteiro. Eles afirmam que o conjunto ficou por pouco mais de R$ 22 mil, com fundações simples, e que a casa começou por ali antes de se expandir.

Mais do que o contêiner em si, o ponto decisivo foi como a casa lidou com o terreno em desnível. Em vez de gastar para “corrigir” o lote com grande movimentação de terra, a casa assumiu níveis diferentes. O desnível, que costuma ser um gerador de custo, virou argumento de economia, com degraus internos e soluções que evitam aterros extensos.

Nesse raciocínio, o contêiner também ajudou: ao ficar numa área mais baixa, ele foi integrado de forma a reduzir a necessidade de preenchimento do terreno. O casal diz que isso poupou valores relevantes em terraplenagem, citando economia de R$ 18 mil em movimentação de terra ao evitar uma “correção” completa do caimento do lote.

Fundação e piso da casa no mesmo serviço

Uma das escolhas mais repetidas no relato é a tentativa de “juntar funções” para pagar uma vez e resolver várias etapas. O exemplo mais forte é o radier de concreto polido usado como fundação e piso final ao mesmo tempo. Eles descrevem a solução como “três em um”: fundação, contrapiso e acabamento, pronta em cerca de uma semana, segundo o próprio casal.

A lógica é clara: quando a casa transforma uma camada “invisível” em acabamento definitivo, ela corta material, reduz tempo e diminui o risco de refazer. Em termos de obra, cada camada a menos é menos chance de erro, menos desperdício e menos mão de obra especializada, e isso se acumula no orçamento total.

O casal também comenta que esse tipo de fundação rasa pode ser útil em terrenos fracos e, no discurso deles, aparece como uma alternativa já comum em outros países. O ponto jornalístico aqui é menos a comparação e mais a intenção: a casa foi pensada para simplificar decisões técnicas, evitando soluções que exigiriam etapas adicionais.

Tijolo ecológico, ventilação e a “falta que vira recurso” na casa

A estrutura e as paredes da casa aparecem associadas ao tijolo ecológico, descrito como um material que reduz consumo de argamassa e concreto e pode embutir instalações. O casal afirma que a alvenaria estrutural com esse tipo de bloco diminuiu etapas, inclusive por aceitar acabamentos mais simples e por permitir escolhas como não revestir áreas com porcelanato ou cerâmica.

Nesse ponto, a casa vira um conjunto de “renúncias calculadas”: menos revestimento, menos camadas, menos itens de catálogo. Em algumas paredes, eles relatam que deixaram o tijolo aparente, com rejunte parcial ou até sem rejunte em determinados trechos. O argumento é que a estética da casa foi construída junto com a economia, tratando o “inacabado” como linguagem arquitetônica e não como improviso.

A ventilação e a luz natural entram como parte do mesmo pacote. O casal mostra soluções como paredes vazadas e um “cobogó com a falta do cobogó”, feito com tijolos assentados de forma a criar passagem de ar e iluminação. A casa, nesse sentido, não busca apenas ficar mais barata hoje: ela tenta reduzir custo de operação amanhã, ao depender menos de iluminação artificial e, em parte, de climatização.

Acabamentos que cortam compras repetidas dentro da casa

O relato traz várias microdecisões que, somadas, mudam o custo total da casa. Uma delas é a troca de revestimentos tradicionais por cimento queimado em áreas molhadas, com a afirmação de que isso reduziu muito o gasto em comparação com materiais cerâmicos. Eles também mencionam soluções de nicho e detalhes de banheiro pensados para dispensar compras específicas.

Outra frente é o reaproveitamento direto: bancada feita com sobra de madeira, madeira achada e transformada em móvel, portas e janelas inicialmente aproveitadas do próprio contêiner e trocadas aos poucos. A casa aparece como um “sistema de reaproveitamento”: nada precisa entrar perfeito no primeiro dia, desde que exista um plano para evoluir sem destruir o que já foi feito.

O mesmo raciocínio vale para áreas externas. O casal cita piso intertravado e tijolinho maciço como alternativas mais econômicas do que cerâmica em partes da casa, com percentuais de economia relatados por eles. A escolha é coerente com a estratégia geral: materiais duráveis, de manutenção simples e que podem ser executados por etapas.

Terra do terreno dentro da casa: tinta, reboco e rejunte

Entre as decisões mais chamativas, o casal diz que usou terra do próprio terreno para criar tinta e até soluções de reboco e rejunte, evitando a compra de materiais industrializados em grande escala. Eles relatam que não compraram tinta para pintar a casa, usando “tinta de terra” e variações como tinta de cal para reduzir custo em algumas paredes.

Essa parte exige leitura cuidadosa: nem todo lote tem terra adequada, nem toda aplicação funciona em qualquer clima, e há questões técnicas de durabilidade e manutenção. Ainda assim, a mensagem principal é que a casa foi planejada para “usar o que já existe no terreno” como matéria-prima, e isso muda o custo principalmente quando aplicado em superfícies grandes.

O próprio uso de taipa de pilão e rebocos com terra aparece como estética e técnica ao mesmo tempo. O casal menciona uma parede feita com terra retirada na escavação do poço, conectando infraestrutura (poço) com acabamento (parede), de novo na lógica de evitar desperdício e reaproveitar o que a obra já gerou.

Infraestrutura para reduzir contas: poço, fossa ecológica e energia solar na casa

A redução de despesas mensais é um pilar explícito do projeto. O casal conta que instalou energia solar e que isso mudou o custo de operação da casa, inclusive permitindo a troca para um carro elétrico no cotidiano. A narrativa é a de uma casa que tenta se aproximar de autonomia: gastar menos depois de pronta, e não apenas durante a construção.

Além da energia, entram água e esgoto. Eles citam a construção de um poço e a adoção de uma fossa ecológica que, segundo o relato, reduz custos e ainda gera um resultado prático no quintal, como o cultivo de bananeiras. A lógica é simples: se a casa diminui dependência de serviços pagos, ela protege o orçamento familiar no longo prazo.

Aqui também aparecem escolhas de conforto “sem conta extra”: integração com o jardim, aberturas amplas, iluminação indireta com fita de LED comprada em rolo para iluminar a casa inteira e priorização de ventilação natural. A casa, nesse desenho, tenta transformar conforto em projeto, e não em consumo contínuo.

Marcenaria, circulação e ambientes integrados: onde a casa economiza espaço

A casa foi descrita como integrada, com sala, cozinha, lavanderia e áreas multiuso conectadas. Essa integração não é apenas estética: ela permite reduzir paredes, portas e revestimentos, além de aproveitar circulação como função. Um exemplo citado é a pia colocada em um corredor para evitar ampliar a área construída, já que cada metro quadrado adicional pesa no orçamento.

O casal também relata estratégias de marcenaria econômica: armários sem porta, sem fundo e com prateleiras simples, usando a própria alvenaria como estrutura. Na prática, a casa corta o “custo invisível” do acabamento, que muitas vezes chega depois da estrutura e pode consumir uma fatia grande do orçamento.

Até objetos do dia a dia entram no mesmo eixo: móveis doados por amigos, mesa de família reaproveitada, itens encontrados ou comprados de vizinhos. O ponto não é romantizar improviso, e sim mostrar um padrão: a casa foi construída com a ideia de que o “pronto” pode ser construído com tempo, não necessariamente com compra imediata.

Cozinha e bancada “dois em um”: escolhas pequenas com impacto na casa

Na cozinha, o casal descreve uma bancada pensada para reduzir custo sem perder função: pedra mais acessível, acabamento diferente e “sem saia” para evitar acréscimos. Eles também contam que desenharam a bancada para servir como pia e lavanderia ao mesmo tempo, otimizando o espaço e reduzindo duplicações.

Há ainda um cuidado com detalhes que evitam gastos futuros: cuba grande (para reduzir arrependimento e retrabalho), calha embutida, armazenamento planejado e sustentação com estrutura metálica para dispensar paredes extras. Quando a casa evita “remendos”, ela economiza duas vezes: na compra e na correção.

Esse tipo de relato chama atenção porque desloca a economia do campo do “material barato” para o campo do “desenho inteligente”. Mesmo quando há escolhas mais caras, como uma porta sob medida citada por cerca de R$ 4 mil, o casal enquadra isso como exceção consciente, não como regra.

Telhado, anexos e o que vira essencial na casa

A casa não foi construída apenas no miolo. O casal cita anexos que começam como apoio e viram parte do funcionamento: depósito, pergolado de garagem (mencionado por volta de R$ 5 mil), áreas externas com piso econômico e um telhado verde em um dos volumes, pensado para conforto térmico.

Eles também mencionam a opção por telha “sanduíche” em uma etapa posterior, dizendo que isso eliminou a necessidade de laje de concreto e forro, além de permitir inclinação menor e reduzir áreas de parede. É o mesmo padrão de sempre: retirar etapas inteiras do caminho, em vez de apenas tentar baratear cada etapa.

No conjunto, a casa vai sendo montada como um organismo: um quintal com lagoa, áreas de convivência e sombreamento com vegetação para proteger do sol mais quente. Não é só paisagismo; é projeto de conforto e redução de consumo de energia, especialmente em uma casa com grandes aberturas.

A expansão acelerada e o segundo andar “tipo Lego” na casa

O casal conta que planejava expandir a casa com calma, mas uma mudança de vida acelerou o cronograma, incluindo a necessidade de reorganizar quartos e planejar um segundo andar. Nesse contexto, eles dizem ter optado por construção seca, com sistemas do tipo light wall e estrutura metálica, buscando agilidade e menos impacto sobre uma casa já pronta.

A justificativa no relato é pragmática: construir em cima de uma casa habitada exige método, limpeza e controle de peso. Eles afirmam que o sistema escolhido seria mais leve e, por isso, poderia evitar reforços estruturais adicionais, além de permitir montagem rápida.

Ao mesmo tempo, fica explícito que a casa já tinha sido pensada para crescer. Eles dizem que deixaram previsão de escada e projeção de ampliação desde o início, o que reduz custos típicos de “obra surpresa”. Planejar expansão antes de precisar expandir é uma forma de economia que não aparece na nota fiscal, mas aparece na obra.

A história da casa de 200 m² construída por etapas chama atenção porque desloca o debate: em vez de depender apenas de promoções e materiais “milagrosos”, o casal descreve uma sequência de decisões técnicas, reaproveitamentos e simplificações de obra para chegar a uma economia que eles estimam em 60%. É um retrato de como projeto, ritmo e manutenção pesam tanto quanto preço de material, principalmente quando a casa também tenta cortar contas de energia, água e esgoto no dia a dia.

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Com informações do Canal Amanda e Fernando.

Agora vale ouvir quem já construiu, está construindo ou sonha com a própria casa: quais escolhas realmente fizeram diferença no seu orçamento, e quais “economias” viraram dor de cabeça depois? Se você pudesse voltar ao início, o que faria igual e o que mudaria sem pensar duas vezes?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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