Carro único de 1951 foi adaptado como Chevrolet 1951 a lenha, carro movido a lenha e carro antigo a lenha com motor movido a gasogênio no interior de Santa Catarina.
O que hoje chama atenção como curiosidade mecânica começou há 47 anos no bairro Alto Benedito, em Benedito Novo, Santa Catarina. Ali, um carro único de 1951 foi transformado em um Chevrolet 1951 a lenha, capaz de rodar até 80 quilômetros com cerca de 20 quilos de lenha, usando um sistema artesanal de motor movido a gasogênio.
O projeto foi desenvolvido por Arnoldo Schmith, mecânico autodidata, ao lado do filho Elemer. Eles compraram um Chevrolet 1951 original a gasolina e, ao longo de meses de trabalho, criaram um carro movido a lenha, hoje um verdadeiro carro antigo a lenha que continua rodando, licenciado como veículo movido a gasogênio e preservado pela família.
Funcionamento do Chevrolet 1951 a lenha
Segundo Elemer Schmith, o Chevrolet 1951 a lenha usa um grande reservatório metálico adaptado na traseira, apelidado de panelão. É ali que a lenha é colocada e queimada de forma controlada.
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A lenha não vira chama direta no motor, mas gera um gás combustível, conhecido como gasogênio, que percorre tubulações, passa por filtros e segue para o sistema de admissão do motor.
O sistema funciona assim: a lenha é acesa no compartimento principal, o gás liberado pela queima desce pelas laterais internas do panelão, circula por filtros e uma serpentina que ajuda a resfriar o fluxo, e então segue até o motor movido a gasogênio. Esse gás entra por baixo do carburador, substituindo a função da gasolina.
Para iniciar o uso do gasogênio, o proprietário acende o fogo com papel e lenha pequena e aciona um exaustor elétrico instalado no cofre do motor. Esse exaustor puxa a fumaça quente e o gás para o sistema até que a mistura esteja suficiente para acionar o carro movido a lenha.
Depois disso, o motor passa a trabalhar com o gás produzido pela queima da lenha no reservatório traseiro.
Autonomia e consumo do carro movido a lenha
De acordo com Elemer, o carro único de 1951 atinge autonomia de até 80 quilômetros com aproximadamente 20 a 22 quilos de lenha colocados até uma marca específica no reservatório.
Em média, o consumo relatado é de cerca de 3,5 quilômetros por quilo de lenha, dependendo do trajeto e das condições de uso.
O veículo mantém desempenho considerado suficiente para rodar em estradas locais. O proprietário afirma que o Chevrolet 1951 a lenha pode alcançar velocidades em torno de 80 a 90 quilômetros por hora em condições adequadas, com perda de potência estimada em cerca de 25 por cento em relação ao funcionamento original a gasolina.
Mesmo sendo um carro antigo a lenha, o sistema mantém uma reserva de gasolina. Um pequeno tanque auxiliar de cerca de 10 litros foi instalado para permitir partidas ou deslocamentos curtos sem a necessidade de acender o gasogênio, especialmente quando o objetivo é apenas movimentar o carro dentro da propriedade ou em trechos curtos na cidade.
Construção artesanal e adaptação do motor movido a gasogênio
A adaptação do motor movido a gasogênio foi feita de forma totalmente artesanal. Na época, segundo o relato, não havia discos de corte modernos à disposição, e grande parte das chapas metálicas foi cortada com talhadeira e martelo. O sistema inclui:
- Panelão traseiro para queima da lenha
- Tubulação metálica que conduz o gás
- Serpentina para resfriamento
- Filtros para retenção de resíduos
- Exaustor elétrico para puxar o gás até o motor
O carro movido a lenha mantém o motor original em linha do Chevrolet 1951, característica importante para a adaptação. O gás produzido pelo gasogênio entra diretamente na admissão, abaixo do carburador, permitindo o funcionamento contínuo com o combustível alternativo.
Em testes realizados no passado em uma universidade tecnológica, o veículo foi avaliado como um exemplo funcional de motor movido a gasogênio em uso real.
A família, no entanto, mantém os detalhes construtivos sob reserva, em respeito à vontade do criador, Arnoldo Schmith, que desejava que esse carro único de 1951 permanecesse como um projeto da família.
História de família e preservação do carro antigo a lenha

O carro antigo a lenha foi adaptado na década de 1970, em um contexto de gasolina mais cara e de menor oferta. Arnoldo Schmith, mecânico, e o filho Elemer buscaram uma alternativa viável a partir de um modelo clássico, gerando um Chevrolet 1951 a lenha com foco em economia e autonomia para o uso cotidiano.
Ao longo dos anos, o veículo rodou longas distâncias. A família relata viagens para cidades como Florianópolis, Lages e Curitiba, com planejamento baseado no volume de lenha levado no compartimento traseiro. Em algumas rotas, seis sacos de lenha foram suficientes para ir e voltar, com sobras.
O carro movido a lenha continua emplacado como veículo a gasogênio e é preservado por Elemer Schmith em Benedito Novo.
A manutenção mecânica é feita pelo próprio proprietário, que cuida tanto do motor quanto do sistema de gasogênio, incluindo limpeza de filtros, retirada de resíduos de resina e inspeção das tubulações.
Identidade única do carro único de 1951
O projeto é tratado pela família como exclusivo. Conforme o relato, já houve interesse externo em conhecer detalhes e reproduzir o sistema, inclusive de instituições de ensino, mas a decisão foi manter o carro único de 1951 como peça singular, ligada à memória de Arnoldo Schmith e à história da família.
Para Elemer, o veículo é mais do que um carro antigo a lenha. Ele representa um exemplo prático de solução alternativa de combustível, baseada em lenha, em um motor movido a gasogênio construído sem formação acadêmica formal em engenharia, apenas com experiência mecânica e experimentação ao longo de meses.
Hoje, o uso do Chevrolet 1951 a lenha é mais restrito. O carro circula com maior frequência em áreas rurais e em trajetos de interior, já que sempre atrai curiosos quando entra na cidade.
A cada parada, o veículo chama atenção por ser um carro movido a lenha que continua em funcionamento, décadas após a adaptação original.
Sabendo da história deste carro único de 1951, você utilizaria um carro movido a lenha com motor movido a gasogênio no seu dia a dia ou acha que esse tipo de tecnologia deve ficar apenas como memória histórica e experimental?


Excelente idéia para termos autonomia de locomoção sem depender da indústria do petróleo.