Sistema Flash Charging estreou em Interlagos com grandes bancos de 400 km para reduzir a pressão instantânea sobre a rede; primeiro carro compatível vendido no país será o Denza Z9 GT de R$ 670 mil, 952 cv e 0 a 100 km/h em 2,7 segundos.
O carregador Flash Charging da BYD no Brasil fez sua primeira demonstração nacional no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, com uma promessa que tenta aproximar o tempo de recarga de um elétrico daquele gasto em uma parada convencional para abastecimento. Segundo reportagem publicada pelo Farol da Bahia, o equipamento entrega até 1.500 kW por conector, enquanto a fabricante afirma que veículos compatíveis podem passar de 10% a 70% em cinco minutos, ganhando até 400 km de autonomia, e chegar a 97% em aproximadamente nove minutos.
A demonstração ocorreu durante o Festival Interlagos Carros 2026.
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Porém, a estratégia não termina no autódromo.
A companhia prevê instalar 1.000 carregadores no Brasil até o final de 2027, incluindo unidades na rede de concessionárias Denza. A primeira instalação comercial anunciada deverá entrar em funcionamento em breve em uma concessionária da marca em Brasília (DF).
Há, entretanto, uma limitação importante: nem todo carro elétrico conseguirá receber 1.500 kW.
Atualmente, a tecnologia depende de veículos preparados para trabalhar com essa potência. No mercado brasileiro, o destaque inicial é o Denza Z9 GT, equipado com a nova geração da bateria Blade.
Flash Charging chega a 1.500 kW e promete 400 km em 5 minutos
O principal número da tecnologia aparece na potência.
O Flash Charging consegue fornecer até 1.500 kW, ou 1,5 MW, por conector CCS2.

Para colocar a escala em perspectiva, isso equivale a 1,5 milhão de watts de potência máxima.
Porém, potência não deve ser confundida com energia efetivamente armazenada na bateria.
O número de 1.500 kW indica a taxa máxima de transferência de energia oferecida pelo equipamento em condições compatíveis. Já a quantidade efetivamente recebida pelo veículo depende da bateria, do estado de carga, da temperatura e de outros parâmetros do sistema.
Segundo a Denza, a combinação entre carregador e veículos compatíveis permite levar a bateria de 10% para 70% em cinco minutos.
Nesse intervalo, a fabricante afirma ser possível acrescentar até 400 km de autonomia.
Depois, continuar até 97% exige aproximadamente nove minutos no total.
Esses tempos representam desempenho anunciado pela fabricante para veículos compatíveis, e não uma garantia de que qualquer automóvel elétrico conectado ao equipamento repetirá os mesmos números.
Dois grandes bancos de baterias funcionam como um “powerbank” para o carregador
Entregar 1,5 MW instantaneamente cria outro problema: de onde retirar tanta potência?
A solução apresentada pela companhia envolve armazenamento intermediário.
O equipamento demonstrado em Interlagos utiliza dois grandes bancos de baterias, acompanhados por uma terceira cabine de controle. Assim, o sistema armazena eletricidade antes da chegada do veículo.
Quando começa uma sessão de recarga ultrarrápida, essa reserva ajuda a fornecer a elevada potência exigida sem depender exclusivamente de retirar toda a energia instantaneamente da infraestrutura convencional de distribuição.
Renato Siqueira, diretor de pós-vendas da BYD e da Denza, explicou ao Farol da Bahia que a estrutura possui duas cabines com bancos de baterias e uma terceira, chamada de host, responsável por controlar a transmissão da energia.
Na prática, o conceito lembra um enorme “powerbank” estacionário.
A eletricidade entra gradualmente no sistema, fica armazenada e pode ser transferida ao automóvel em uma potência muito maior durante um período curto.
Essa combinação entre baterias estacionárias e carregamento é outra demonstração de como o armazenamento de energia começa a aparecer em aplicações que vão além de simplesmente guardar eletricidade de parques solares e eólicos.
Cabo suspenso tenta resolver problema criado pela própria potência
Uma estação de 1,5 MW também precisa lidar com questões aparentemente simples.
Uma delas é o cabo.
Conectores destinados a transmitir potências elevadas podem exigir estruturas mais robustas e, consequentemente, tornar o manuseio menos confortável.
A solução demonstrada em Interlagos utiliza polias suspensas, mantendo o cabo fora do chão.
Além disso, o sistema possui um mecanismo chamado de “gravidade zero”, desenvolvido para reduzir o peso percebido pelo usuário.
Segundo a apresentação, isso permite manipular o conector utilizando apenas uma mão.
Portanto, a inovação não está apenas na quantidade de energia transferida.
A engenharia também precisa tornar utilizável um equipamento preparado para operar em uma escala de potência que ultrapassa amplamente a de carregadores domésticos.
Plug & Charge identifica o carro e pode iniciar pagamento automaticamente
Outra tentativa de aproximar a experiência daquela encontrada em postos convencionais aparece no processo de autenticação.
O Flash Charging aceita Plug & Charge.
Com essa tecnologia, o sistema consegue identificar automaticamente um veículo compatível quando ele é conectado.
Assim, a estação pode iniciar a recarga paga sem exigir que o motorista abra um aplicativo e realize várias etapas manualmente.
A combinação entre velocidade e automação ataca dois pontos frequentemente associados à experiência de recarga.
Primeiro, o tempo necessário para recuperar autonomia.
Depois, o processo para iniciar a operação.
A meta da BYD é aproximar ambos da simplicidade encontrada em um posto de combustível.
Carregador Flash Charging da BYD no Brasil estreia com limitação importante
Apesar dos números elevados, existe uma ressalva essencial.
Não basta conectar qualquer carro elétrico ao Flash Charging para receber 1.500 kW.
O automóvel também precisa possuir uma arquitetura elétrica e uma bateria capazes de aceitar essa potência.
A nova geração da bateria Blade faz parte dessa equação.
Segundo informações divulgadas pela própria fabricante para o lançamento internacional do sistema, o Flash Charging foi desenvolvido em conjunto com a Blade Battery 2.0.
No Brasil, o primeiro modelo comercializado com compatibilidade será o Denza Z9 GT.
Isso significa que a infraestrutura pode chegar antes de existir uma frota numerosa capaz de aproveitar integralmente seu potencial.
Por outro lado, a empresa pretende ampliar gradualmente a quantidade de modelos compatíveis.
Denza Z9 GT custa R$ 670 mil e tem 952 cv
O primeiro automóvel brasileiro ligado à nova tecnologia está longe de ser um elétrico de entrada.
O Denza Z9 GT custa R$ 670 mil, segundo o Farol da Bahia.

O modelo utiliza três motores elétricos, que entregam potência combinada anunciada de 952 cv.
Além disso, a fabricante informa aceleração de 0 a 100 km/h em 2,7 segundos.
O carro também possui recursos menos convencionais.
Um deles é o Crab Walk, que permite movimentos laterais em determinadas situações.
Outro é o estacionamento automático.
Assim, a estreia da recarga de 1,5 MW ocorre inicialmente associada a um automóvel de luxo e alto desempenho.
O cenário lembra outras transformações recentes do mercado automotivo, no qual até SUVs tradicionais começam a receber sistemas eletrificados. A Hyundai, por exemplo, colocou 245 cv na nova geração do Tucson híbrido e anuncia consumo de até 17,4 km/l.
No caso da Denza, entretanto, não existe motor a combustão auxiliando a propulsão.
O Z9 GT depende integralmente da bateria.
Minivan elétrica Denza D9 também poderá utilizar a infraestrutura
O Z9 GT não deverá permanecer sozinho.
A Denza D9, uma minivan elétrica da marca, também poderá utilizar a infraestrutura de recarga ultrarrápida, segundo a reportagem.
A estratégia indica que a fabricante pretende construir simultaneamente dois lados do ecossistema.
De um lado estão os carros preparados para receber potências muito altas.
Do outro, os carregadores capazes de entregá-las.
Essa combinação é necessária porque aumentar apenas a capacidade do automóvel não reduz o tempo de espera quando a infraestrutura disponível continua limitada.
Da mesma forma, instalar carregadores de 1,5 MW oferece pouco benefício se os veículos conectados não conseguem aceitar potências próximas dessa escala.
Primeira unidade comercial deverá funcionar em Brasília
Depois da demonstração em Interlagos, a tecnologia precisa sair do ambiente de evento.
A primeira unidade anunciada deverá ser inaugurada em breve em uma concessionária Denza de Brasília.
A reportagem não fornece uma data exata de abertura.
Portanto, não seria correto afirmar que a estação comercial já está disponível ao público ou determinar um dia específico para sua inauguração.
O movimento deverá continuar pela própria rede da marca.
A expectativa divulgada é levar a tecnologia para todas as lojas Denza.
Depois, a escala pretendida aumenta significativamente.
BYD pretende instalar 1.000 carregadores no Brasil até o final de 2027
A meta anunciada pela companhia é chegar a 1.000 unidades do Flash Charging no Brasil até o final de 2027.
Novamente, trata-se de um plano futuro, não de 1.000 carregadores já instalados.
A diferença é importante.
A demonstração brasileira comprova que a tecnologia foi apresentada no país. Entretanto, transformar essa apresentação em uma rede nacional exige fabricar ou importar equipamentos, definir locais, preparar infraestrutura, instalar os sistemas e colocá-los em operação.
A empresa ainda não divulgou publicamente todos os endereços que receberão as unidades.
Também não apresentou na fonte um cronograma individual para cada instalação.
Portanto, o dado comprovado neste momento é a meta de 1.000 carregadores até o fim de 2027.
Meta de 1.000 unidades coloca infraestrutura no centro da disputa dos elétricos
Durante boa parte da expansão dos carros elétricos, autonomia apareceu como uma das principais preocupações dos consumidores.
Agora, outro número ganha peso: o tempo de recarga.
Uma bateria capaz de percorrer centenas de quilômetros resolve apenas parte do problema se o motorista precisar permanecer longos períodos parado para recuperar essa autonomia.
Por isso, reduzir a duração da recarga para poucos minutos pode alterar a experiência de uso em viagens e deslocamentos de longa distância.
A estratégia também aparece enquanto tecnologias de eletrificação avançam em várias áreas. Pesquisadores testam desde novos materiais para baterias até drones com sensores capazes de detectar problemas agrícolas antes que os sinais sejam percebidos visualmente, mostrando como sistemas de energia, eletrônica e automação começam a ocupar setores cada vez mais diferentes.
No automóvel elétrico, entretanto, a pergunta é particularmente prática.
Quanto tempo o motorista precisa esperar?
Cinco minutos começam a aproximar elétricos do tempo gasto em um posto
Esse é justamente o contraste usado pela indústria para apresentar a próxima geração de carregadores.
Com a tecnologia demonstrada em Interlagos, a fabricante promete sair de 10% para 70% em cinco minutos.
O intervalo se aproxima do tempo necessário para parar um automóvel a combustão, abastecer e seguir viagem.
A comparação, porém, precisa de cautela.
Abastecer gasolina ou etanol transfere combustível líquido para um tanque. Recarregar um elétrico envolve processos eletroquímicos e sistemas de controle térmico e eletrônico.
Além disso, a velocidade efetiva de recarga pode variar ao longo da curva de carregamento.
Por isso, o número de 1.500 kW representa potência máxima, enquanto os tempos de cinco e nove minutos são resultados anunciados pela fabricante para configurações compatíveis.
Ainda assim, atingir essa escala mostra quanto a tecnologia avançou.
De carregadores de 800 V para sistemas que chegam a 1,5 MW
Atualmente, os veículos com maior capacidade de recarga disponíveis no Brasil utilizam principalmente arquiteturas de alta tensão, incluindo sistemas de 800 V.
O Flash Charging tenta avançar para outro patamar.
O equipamento demonstrado chega a 1,5 MW por conector e utiliza armazenamento estacionário justamente para lidar com essa necessidade de potência.
Esse tipo de infraestrutura também cria novos desafios.
Locais de instalação precisam acomodar os equipamentos, sistemas de segurança, baterias estacionárias e conexão elétrica.
Além disso, a expansão precisa acompanhar o crescimento da frota compatível.
Não basta simplesmente substituir cada carregador existente por outro de 1.500 kW.
A infraestrutura elétrica ao redor também entra na equação.
Por isso, os bancos de baterias apresentados em Interlagos são uma parte central da solução, e não apenas um acessório.
Carregador Flash Charging da BYD no Brasil tenta eliminar uma das maiores diferenças para carros a combustão
A primeira demonstração brasileira transforma uma promessa tecnológica em algo que consumidores puderam observar em Interlagos.
O sistema entrega até 1.500 kW por conector.
Segundo a fabricante, um carro compatível pode passar de 10% para 70% em cinco minutos, acrescentando até 400 km de autonomia, enquanto chegar a 97% leva aproximadamente nove minutos.
O primeiro automóvel vendido no Brasil preparado para explorar essa infraestrutura será o Denza Z9 GT, de R$ 670 mil e 952 cv.
Agora vem a etapa mais difícil.
A companhia pretende sair de uma demonstração em São Paulo para uma rede de 1.000 carregadores até o fim de 2027.
Se o cronograma for cumprido e mais veículos compatíveis chegarem ao mercado, a diferença entre parar para abastecer um automóvel a combustão e parar para recarregar um elétrico poderá diminuir significativamente.
Por enquanto, porém, a transformação começa com uma demonstração, um carro de luxo compatível e uma meta nacional que ainda precisa sair do papel.
Você consideraria trocar um carro a combustão por um elétrico se pudesse recuperar centenas de quilômetros de autonomia em cerca de cinco minutos, ou preço e disponibilidade dos carregadores ainda pesariam mais na decisão?

