Apresentado em Shenzhen, o U1 é um robô humanoide ultrarrealista criado para oferecer companhia emocional, conversar com usuários, aprender hábitos ao longo do tempo e atender principalmente pessoas solteiras e maiores de 60 anos na China.
O robô chinês U1, apresentado pela UBTech em Shenzhen, foi criado para funcionar como um companheiro emocional com aparência humana, voz suave, pele macia ao toque e inteligência artificial voltada à conversa constante com o usuário.
A proposta da empresa é transformar a IA em uma presença física dentro de casa. O modelo pode ouvir preocupações, conversar a qualquer hora e aprender mais sobre a pessoa com o passar do tempo.
U1 é apresentado como companhia para solteiros e idosos
O lançamento ocorreu na terça-feira, em um evento com atmosfera de ficção científica, telão com nave espacial e participação do DJ norueguês Alan Walker. A campanha usou o slogan “Amor infinito”.
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A UWorld, submarca da UBTech responsável pelo projeto, apresenta o U1 como um robô humanoide em tamanho real, com aparência ultrarrealista. A empresa o chama de primeiro produto do tipo no mundo.
O foco comercial está em pessoas solteiras e pessoas com mais de 60 anos. Na China, esses grupos somam, respectivamente, 120 milhões e 320 milhões de pessoas, um público tratado pela empresa como um mercado de grande escala.
A justificativa da UBTech é que essas pessoas têm necessidade de companhia e conforto emocional. O robô chinês busca atender esse espaço com conversas, respostas afetivas e presença permanente na rotina doméstica.
O que o robô chinês faz dentro de casa
Com bateria de até quatro horas, o U1 pode identificar sinais de fadiga ou estresse e oferecer palavras reconfortantes. Também aprimora seu conhecimento sobre o usuário conforme interage com ele.
A empresa afirma que o humanoide pode identificar problemas de saúde, lembrar o uso de medicamentos, sugerir roupas e até propor assistir a uma partida da Copa do Mundo junto com o dono.
Fisicamente, o robô consegue mover cabeça, olhos e boca. Apesar da aparência humana, ele não executa tarefas domésticas, não cozinha, não passa roupa e não foi projetado para relações íntimas.
O U1 é vendido em versões “feminina”, com 1,68 metro, e “masculina”, com 1,83 metro. Há diferentes visuais, incluindo modelos com aparência de celebridade, personagem fictício ou ente querido.
Preço, versões e entregas previstas
O preço inicial é de 119.800 yuans, equivalente a 15.500 euros, na versão Lite. A versão Ultra chega a 990.000 yuans, ou 128.000 euros, com recursos mais sofisticados.
A UBTech afirma ter recebido mais de 13.300 encomendas antecipadas. As entregas do robô chinês estão programadas para começar em 16 de setembro.
O produto também levanta controvérsias. Entre as críticas estão o risco de banalizar a dependência emocional de máquinas e preocupações sobre confidencialidade dos dados pessoais.
A UBTech promete criptografia das informações e afirma que os dados coletados não serão usados para treinar modelos de inteligência artificial.
Robôs humanoides viram indústria estratégica na China
O U1 surge em um ambiente no qual robôs já aparecem em shoppings, hotéis, fábricas, entregas expressas e espaços públicos na China. Essa presença frequente contribuiu para maior aceitação social no país.
A China vive rivalidade tecnológica com os Estados Unidos e está na vanguarda dos robôs humanoides. O setor tem apoio governamental e foi definido como indústria estratégica no plano quinquenal de 2026 a 2030.
Até 2025, mais de 140 empresas chinesas haviam lançado mais de 330 modelos de robôs humanoides, segundo o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação.
Um estudo do Morgan Stanley estima que o mercado chinês de robôs humanoides chegue a US$ 2 bilhões neste ano e US$ 15 bilhões até 2030, indicando expansão acelerada, mas ainda dependente da aceitação do consumidor final urbano chinês comum.
Por que robôs de companhia chamam atenção
Robôs de companhia unem inteligência artificial, sensores, voz e corpo físico para criar interação mais próxima do convívio humano.
Eles chamam atenção porque não são apenas assistentes digitais em telas: ocupam espaço, respondem a estímulos e podem adaptar conversas conforme hábitos do usuário. Em sociedades com envelhecimento populacional, pessoas vivendo sozinhas e maior presença de tecnologia no cotidiano, esse tipo de produto tenta transformar máquinas em apoio emocional.
Ao mesmo tempo, a proposta exige cuidado com privacidade, limites de uso e dependência afetiva, já que dados pessoais e vínculos emocionais passam a fazer parte da relação.
Com informações de orange.
