Em Monte Alegre dos Campos, um agricultor transformou a própria história de colonização em roteiro de descanso com rancho rústico, trilhas e produção orgânica certificada
A rotina no Sítio Alegria, na comunidade Nossa Senhora da Saúde, em Monte Alegre dos Campos, na Serra do Rio Grande do Sul, ganhou um novo capítulo com a abertura de um espaço de turismo rural e a diversificação de culturas orgânicas.
A história foi contada pelo agricultor Eliseu Guerra em entrevista gravada no local, onde ele detalha como a propriedade da família virou um ponto de visitação sem abandonar a produção.
Monte Alegre dos Campos é um município pequeno e rural, com área de cerca de 549 km² e população estimada em 3.251 pessoas, segundo o IBGE. (IBGE) A própria prefeitura descreve a cidade como parte dos Campos de Cima da Serra, com relevo de campos e serras e rios como Quebra Dentes, das Antas e Governador, além de uma economia ligada à fruticultura e pecuária.
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No vídeo, Eliseu apresenta a propriedade como um exemplo de agricultura familiar que tenta reduzir a dependência de uma única safra. Ele afirma que mantém certificação orgânica há décadas e que, nos últimos anos, somou turismo, pequenos frutos e uma cultura pouco comum no imaginário urbano, o poejo, destinado à extração de óleo para a indústria.
Sítio Alegria carrega herança italiana e memória de uma colonização no meio da mata; veja o vídeo
Eliseu relata que vive definitivamente na área há 33 anos e que a terra foi colonizada por seu avô, Luís Antônio Indicate, e sua avó, Rosa Bonato Indicate, que teriam vindo da região de Caxias do Sul para abrir moradia em meio à mata, numa época sem estrada e com travessias de rio feitas a cavalo.
A narrativa destaca um padrão comum da colonização no interior do estado, quando famílias buscavam vizinhança próxima para apoio mútuo e abriam os primeiros ranchos perto de água.
A prefeitura descreve que a população local tem forte presença de descendentes italianos e portugueses e que o município se divide em diversas comunidades.
O produtor também menciona relatos antigos sobre a presença de animais silvestres na época da chegada das primeiras famílias, algo que reforça a ideia de isolamento histórico do lugar. Ele usa esse passado como parte do “conto” que hoje ajuda a explicar o valor de preservar mata, trilhas e fontes de água.
Agricultura orgânica e renda extra com poejo viram estratégia para manter a família no campo
Na entrevista, Eliseu descreve uma propriedade com cerca de 37 hectares, onde mantém gado e cultivos como uva e amora, além de hortas para consumo próprio. A prefeitura aponta que Monte Alegre dos Campos se destaca na fruticultura, com posição relevante em maçã e uva no estado, o que ajuda a contextualizar a força dessa vocação regional.
Um dos pontos que mais chama atenção é a plantação de poejo em área aproximada de meia hectare, feita com contrato de compra garantida por uma empresa que orienta o manejo para elevar a qualidade. Segundo ele, a colheita ocorre em março e a matéria prima segue para extração de óleo, que depois entra na cadeia da perfumaria.
O uso de óleos essenciais de plantas aromáticas na indústria é conhecido, e estudos sobre Mentha pulegium citam aplicação do óleo em alimentos e também em perfumaria, além de produtos farmacêuticos e como repelente.
Isso ajuda a explicar por que uma cultura de aparência simples pode virar fonte de renda complementar em pequenas áreas.
Ao mesmo tempo, especialistas alertam que o poejo não é uma “plantinha inofensiva” em qualquer forma de uso, especialmente quando se fala em óleo essencial. Materiais acadêmicos e de divulgação botânica apontam risco de toxicidade e contraindicações, reforçando que não se trata de algo para consumo sem orientação.
O produtor também detalha a amora como uma aposta que exigiu adaptação de mercado, já que, segundo ele, houve aumento de área plantada na região e momentos de excesso de produção. Para enfrentar isso, ele diz que usa câmara fria e vende parte da fruta congelada e classificada, tentando agregar valor.
Turismo rural em Monte Alegre dos Campos cresce com rancho rústico, cachoeira e aluguel por agendamento
O outro pilar da história é o Rancho do Sossego, construído perto do rio e cercado por mata, com cozinha, dormitórios e estrutura para grupos que buscam descanso e contato com a natureza. Eliseu afirma que levou mais de dois anos para concluir a obra, em ritmo compatível com as demandas da lavoura, e que aproveitou madeira já caída ou reaproveitada para reduzir impacto.
Ele diz que o espaço funciona por agendamento, com atendimento a um grupo por vez, e que o modelo de cobrança é flexível, permitindo desde casais até grupos maiores, sem obrigar o visitante a pagar sempre pela casa toda. A proposta se encaixa numa demanda crescente por turismo de natureza e experiências rurais de curta duração.
A própria Câmara de Vereadores do município já divulgou apoio ao desenvolvimento do turismo nos Campos de Cima da Serra, destacando natureza com campos, serras e rios cristalinos e reforçando a vocação regional.
No guia regional de turismo, a Família Guerra aparece citada entre empreendedores do roteiro rural do município, ao lado de outras famílias locais.
Expansão do agroturismo reacende debate sobre preservação e preço justo no interior
A história do Sítio Alegria expõe um dilema que atravessa o Brasil rural, como diversificar renda sem descaracterizar o território. De um lado, há quem veja o turismo rural como saída para manter jovens e famílias no campo, valorizando cultura e produção orgânica com mais margem.
Do outro, cresce a cobrança para que a exploração turística não vire pressão sobre trilhas, rios e áreas de mata, principalmente quando cachoeiras e poços naturais entram no roteiro. O próprio guia regional vende a ideia de tranquilidade e contato com água e cachoeiras, o que aumenta a responsabilidade de manejo e de limites.
Outra discussão recorrente é o preço dos produtos orgânicos e da hospedagem rural. Parte do público apoia pagar mais por produção certificada e experiência exclusiva, enquanto outra parte questiona se isso “elitiza” o acesso a lugares que antes eram só da comunidade.
No caso apresentado por Eliseu, a aposta é que a combinação de agricultura orgânica, processamento para agregar valor e turismo agendado crie um ciclo sustentável. A cidade já tem base econômica ligada à fruticultura e pecuária, o que pode favorecer modelos de visitação conectados à produção local.


Ya tubieron que quemarlo al hombre ahora el gobierno, abaricioso yeno de abaricia baaa a ir corriendoo x encajarle multa o impuesto