Passarelas ecológicas unem parques naturais, preservam espécies como ursos e cervos e mostram como o Canadá alia segurança viária ao desenvolvimento sustentável
A construção de passarelas verdes em áreas cortadas por rodovias vem sendo uma saída importante para proteger animais e também pessoas. No Canadá, esse modelo de infraestrutura virou tendência porque ajuda a reduzir mortes de fauna silvestre em locais críticos.
Em Alberta, no último ano, foi erguida a primeira grande ponte ecológica da região. A expectativa é reduzir em até 80% os atropelamentos de animais que cruzam estradas movimentadas.
Essa iniciativa reforça como obras de engenharia podem ser adaptadas para equilibrar desenvolvimento urbano e preservação.
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Conexão entre parques naturais
A nova estrutura liga o Bow Valley Provincial Park ao Banff National Park, considerado Patrimônio Mundial da Unesco.
Antes da obra, dados do Centro Natural de Ontário para o Desenvolvimento Social apontavam que a cada 38 minutos um animal morria atropelado nas proximidades.
Esses acidentes não apenas afetavam o equilíbrio ecológico, como também traziam enormes custos financeiros.
O prejuízo anual chegava a 144 milhões de dólares, valor que pesava nos cofres públicos. Portanto, o investimento em soluções sustentáveis se mostrou necessário.
“Temos orgulho em ter aumentado a segurança rodoviária e a preservação ambiental com a implementação de sete viadutos desse porte no Canadá”, destacou Neil Robson, gerente de projetos da Dialog, escritório responsável pela obra.
Estrutura pensada para a fauna
A ponte foi desenhada para facilitar o deslocamento de espécies como alces, cervos, ursos-pardos, ursos-negros, lobos e carneiros-selvagens.
Por essa diversidade, o local foi escolhido para receber a intervenção, que agora amplia sua função natural de corredor ecológico.
O projeto inclui dois arcos, cada um cruzando duas pistas, além de áreas paisagísticas compatíveis com a vegetação local.
Há ainda cercas que orientam os animais até o ponto seguro de travessia. O custo total da construção foi de 12,6 milhões de dólares.
Nova passarela na Colúmbia Britânica
Outro projeto recente foi inaugurado ao sul de Radium Hot Springs, na Colúmbia Britânica. Com 30 metros de largura e estrutura de aço e concreto, a ponte sobre a Highway 93/95 foi finalizada com sucesso.
O diferencial está no cercamento que se estende por seis quilômetros, com portões que direcionam a fauna até o viaduto.
Dessa forma, os bichos não ficam expostos ao tráfego. O investimento foi de 4,18 milhões de dólares, mostrando novamente o compromisso canadense com a sustentabilidade.
Comparações com o Brasil
Enquanto o Canadá investe em grandes corredores de fauna que conectam áreas naturais de importância internacional, o Brasil também possui exemplos de integração urbana entre fragmentos verdes.
Em São Paulo, o Parque do Ibirapuera e o Parque da Aclimação se ligam por corredores de vegetação que funcionam como passagens ecológicas.
Entretanto, essas estruturas enfrentam ameaças constantes. O projeto do túnel da Sena Madureira, por exemplo, prevê a derrubada de árvores que compõem parte desse corredor.
O Ministério Público recomendou análise mais detalhada justamente porque reconheceu a relevância ambiental das espécies presentes.
Desenvolvimento sustentável em pauta
As experiências canadenses deixam clara a importância de priorizar o equilíbrio entre progresso urbano e conservação ambiental.
Porque, além de salvar vidas animais, essas construções também previnem acidentes graves para motoristas e reduzem custos públicos.
Portanto, investir em passarelas verdes não é apenas uma questão de proteção da fauna, mas também de segurança viária e de planejamento sustentável.
O Canadá mostra que é possível conciliar grandes obras com respeito ao meio ambiente, servindo como exemplo para outros países.
As informações são do portal Veja.
