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Caminhão florestal da John Deere leva 19 toneladas de madeira por viagem, usa força de tração para vencer lama, aclives e trilhas estreitas e vira o elo escondido entre a árvore cortada e a indústria de celulose

Escrito por Débora Araújo
Publicado em 09/06/2026 às 14:04
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Imagem: John Deere/Reprodução
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Com capacidade para transportar até 19 toneladas de toras, o forwarder John Deere 1910E enfrenta lama, aclives e trilhas estreitas para conectar a colheita florestal à indústria de celulose.

Antes de a madeira chegar a fábricas de papel, celulose, painéis ou serrarias, ela precisa vencer uma etapa pouco visível: sair do interior da floresta. É nesse ponto que entram máquinas como o John Deere 1910E, um forwarder florestal criado para recolher toras cortadas no campo e transportá-las até pontos de transbordo, onde caminhões maiores assumem a viagem.

Segundo a John Deere Brasil, o 1910E é o maior membro da família de forwarders da Série E e suporta cargas de até 19 toneladas. O dado mostra a função real dessa máquina: ela não foi feita para rodovia, mas para trilhas de eucalipto, áreas de colheita, lama, aclives e terrenos onde um caminhão comum não conseguiria operar com a mesma eficiência.

O forwarder é o caminhão fora de estrada que tira a madeira de dentro da floresta

Em uma operação florestal mecanizada, o forwarder trabalha depois do corte. Enquanto harvesters ou outros equipamentos derrubam e processam as árvores, o forwarder entra para carregar as toras e levá-las até uma estrada interna, pátio ou ponto de carregamento.

De acordo com a John Deere Brasil, os forwarders 1510E e 1910E são descritos pela marca como “verdadeiros cavalos de guerra” pela combinação de potência, torque e força de tração. Essa definição resume bem o papel da máquina: transportar carga pesada em terreno difícil sem depender de estradas públicas.

Máquina de colheita em floresta de eucalipto.
Imagem: John Deere/Reprodução

Na prática, ele funciona como um caminhão florestal articulado, com pneus grandes, tração elevada, cabine protegida e uma grua própria para pegar a madeira no solo e organizar a carga sobre a estrutura traseira.

A capacidade de 19 toneladas explica por que a máquina é essencial na cadeia da celulose

O número mais forte do 1910E é sua capacidade de carga. Segundo o material técnico da John Deere Brasil, o modelo suporta até 19 toneladas, volume suficiente para transportar uma quantidade expressiva de madeira em uma única viagem dentro da floresta.

Essa capacidade reduz o número de deslocamentos necessários entre a área de corte e o ponto de transbordo. Em operações de grande escala, isso significa ganho de produtividade, menor tempo de ciclo e melhor aproveitamento da equipe e dos equipamentos.

O forwarder não substitui o caminhão rodoviário. Ele faz a parte que o caminhão rodoviário não foi projetado para fazer: entrar no talhão, trafegar em solo irregular e retirar a madeira até uma área acessível.

O motor entrega 186 kW e 249 hp, segundo ficha internacional da John Deere

Além da capacidade de carga, a potência ajuda a explicar a força do equipamento. De acordo com a página da John Deere na Nova Zelândia, o 1910E tem motor de 186 kW, equivalente a 249 hp. A mesma fonte informa força de tração de 220 kN.

Esses números são importantes porque operações florestais exigem torque e controle em baixa velocidade. O equipamento precisa sair carregado, vencer solo úmido, manobrar entre fileiras de árvores e operar com estabilidade mesmo em condições difíceis.

Em vez de buscar velocidade elevada, o projeto prioriza tração, robustez e controle. A máquina precisa trabalhar de forma constante em jornadas longas, muitas vezes em locais distantes da infraestrutura urbana.

A grua alcança até 8,5 metros para pegar toras sem reposicionar a máquina o tempo todo

Outro diferencial do forwarder está na grua hidráulica. Segundo ficha técnica da John Deere Nova Zelândia, o 1910E pode ter alcance de braço de 7,2 m ou 8,5 m, dependendo da configuração. Esse alcance permite recolher toras em uma área ampla ao redor da máquina, reduzindo a necessidade de reposicionar o veículo a todo momento. Em terrenos florestais, isso é decisivo para economizar tempo e reduzir compactação excessiva do solo.

Espaço interno do caminhão florestal da John Deere
Imagem: John Deere/Reprodução

O operador usa a grua para pegar a madeira, posicioná-la na caixa de carga e organizar o peso de forma equilibrada. O trabalho exige precisão, porque a produtividade depende da velocidade do carregamento e da estabilidade da máquina durante o transporte.

A velocidade é baixa, mas o trabalho exige precisão e resistência

Um forwarder desse tipo não é feito para correr. Segundo a publicação especializada Logging On, o John Deere 1910E tem velocidade máxima na faixa de 21 km/h em uma das configurações técnicas citadas para o modelo. A mesma fonte aponta peso da máquina de 19.050 kg na versão 6 rodas e 21.800 kg na versão 8 rodas, conforme a configuração.

Esses dados mostram a natureza da máquina. Ela é pesada, lenta e extremamente focada em trabalho de campo. O objetivo não é percorrer longas distâncias em alta velocidade, mas transportar carga pesada com controle em áreas onde o terreno muda o tempo todo. Em uma floresta plantada, a produtividade depende da repetição eficiente de ciclos: carregar, sair do talhão, descarregar e voltar. O forwarder é otimizado para esse tipo de rotina.

O 1910E fica entre a árvore cortada e o caminhão que segue para a indústria

A cadeia da madeira funciona em etapas. Primeiro vem o plantio, depois o crescimento da floresta, o corte mecanizado, o baldeio, o transbordo, o transporte rodoviário e a chegada à fábrica. O forwarder atua no baldeio, etapa intermediária que liga o corte ao transporte principal.

Segundo a John Deere Brasil, o 1910E foi desenvolvido para operações pesadas dentro da linha de forwarders da marca, com capacidade superior aos modelos menores da família. Isso o coloca como equipamento estratégico para operações florestais de alta demanda.

Caminhão florestal da John Deere leva 19 toneladas de madeira por viagem, usa força de tração para vencer lama, aclives e trilhas estreitas e vira o elo escondido entre a árvore cortada e a indústria de celulose
Imagem: John Deere/Reprodução

Sem máquinas desse tipo, a madeira teria de ser retirada com métodos menos eficientes ou com veículos inadequados ao terreno. Isso aumentaria tempo, custo, desgaste e risco operacional.

A máquina ajuda a explicar como florestas plantadas viraram uma operação industrial de alta escala

O setor florestal moderno depende de mecanização intensa. A imagem tradicional do corte manual de madeira não representa mais as grandes operações de eucalipto, pinus e celulose em muitos países.

Máquinas como o John Deere 1910E mostram como a floresta plantada se tornou uma operação industrial ao ar livre. Há planejamento de linhas, rotas internas, colheita mecanizada, transbordo, telemetria e máquinas específicas para cada etapa.

De acordo com a John Deere, o 1910E combina alta capacidade de carga, motor de 186 kW e força de tração de 220 kN nas especificações internacionais do modelo, o que reforça seu papel como equipamento para operações severas de transporte florestal.

O gigante discreto que quase ninguém vê, mas que sustenta parte da indústria da madeira

O John Deere 1910E não aparece nas rodovias, não chama atenção em centros urbanos e raramente é visto por quem consome papel, móveis, embalagens ou produtos derivados da celulose. Mesmo assim, ele está em uma das etapas mais importantes da cadeia.

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Segundo a John Deere Brasil, sua capacidade de até 19 toneladas por viagem faz dele o maior forwarder da família Série E, criado para tirar madeira de áreas onde caminhões comuns não entram com segurança ou produtividade.

No fim, o 1910E é uma máquina de bastidor. Ele não transporta a madeira até a fábrica, mas torna esse transporte possível. Entre a árvore cortada e a indústria que transforma madeira em produto, existe um gigante articulado, lento e poderoso, vencendo lama, aclives e trilhas estreitas para manter a cadeia florestal funcionando.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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