1. Início
  2. Legislação e Direito
  3. Câmara quer garantir emprego e renda para quem passou dos 60: novo projeto obriga o poder público a criar programas de contratação e incentivos fiscais para empresas que admitirem idosos
75 comentários 4 min de leitura

Câmara quer garantir emprego e renda para quem passou dos 60: novo projeto obriga o poder público a criar programas de contratação e incentivos fiscais para empresas que admitirem idosos

Imagem de perfil do autor Valdemar Medeiros
Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 10/11/2025 às 14:23
Assista o vídeoCâmara quer garantir emprego e renda para quem passou dos 60: novo projeto obriga o poder público a criar programas de contratação e incentivos fiscais para empresas que admitirem idosos
Foto: Câmara quer garantir emprego e renda para quem passou dos 60: novo projeto obriga o poder público a criar programas de contratação e incentivos fiscais para empresas que admitirem idosos
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
601 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Projeto de Lei 3661/2023 quer mudar o Estatuto da Pessoa Idosa e obriga o governo a criar programas e incentivos fiscais para estimular a contratação de idosos, combatendo o preconceito etário e ampliando o acesso ao trabalho após os 60 anos.

O Congresso Nacional avança em uma proposta que pode mudar a forma como o Brasil encara o envelhecimento e o trabalho na maturidade. O Projeto de Lei nº 3661/2023, de autoria do deputado Luiz Gastão (PSD–CE), propõe uma alteração no Estatuto da Pessoa Idosa (Lei 10.741/2003) para obrigar o poder público a desenvolver programas de incentivo à contratação de idosos, incluindo benefícios fiscais e campanhas de estímulo à reinserção no mercado de trabalho.

O texto, em tramitação na Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados, pretende enfrentar um problema crescente: o desemprego e a exclusão profissional de pessoas com mais de 60 anos. Segundo o IBGE, o Brasil tem mais de 34 milhões de idosos, e cerca de 25% ainda desejam ou precisam continuar trabalhando — seja por necessidade financeira, seja por vontade de se manter ativos e produtivos.

Um novo capítulo no Estatuto da Pessoa Idosa

A proposta altera o artigo 28 do Estatuto para incluir um novo inciso determinando que “o Poder Público deverá desenvolver ações destinadas a estimular a contratação de pessoas idosas, por meio de incentivos fiscais, programas de capacitação e campanhas educativas”.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Na prática, o projeto quer criar uma ponte entre o envelhecimento populacional e a política de emprego, reconhecendo que o aumento da expectativa de vida e a mudança na estrutura etária do país exigem novas estratégias. O Brasil deve ter, até 2040, um idoso para cada três adultos em idade ativa, segundo projeção do Ipea.

O desafio do preconceito etário e da reinserção

Para o autor do projeto, Luiz Gastão, a proposta é uma forma de enfrentar o chamado idadismo profissional— o preconceito que impede profissionais experientes de conseguirem emprego. “Muitos idosos são descartados do mercado de trabalho mesmo com plena capacidade produtiva. É preciso corrigir essa distorção com políticas públicas de valorização e oportunidades”, afirmou o parlamentar durante audiência pública.

Empresas e entidades sindicais reconhecem que o tema é urgente. Dados do Dieese mostram que a taxa de desemprego entre pessoas de 60 a 69 anos subiu 25% nos últimos cinco anos, especialmente após a pandemia. Em contrapartida, setores como comércio, serviços e atendimento ao público têm demonstrado interesse em programas de inclusão profissional para essa faixa etária.

Incentivos e possíveis impactos econômicos

O texto não define ainda quais incentivos fiscais seriam aplicados, mas abre caminho para que o governo federal e os estados possam criar políticas próprias de estímulo.

Entre as ideias debatidas estão redução de encargos previdenciários para empresas que contratarem pessoas com mais de 60 anos, linhas de crédito subsidiadas para empreendimentos liderados por idosos e cotas de contratação em programas públicos de emprego temporário.

Especialistas avaliam que, se bem implementada, a medida pode ter impacto social relevante. A economista Luciana Seabra, da consultoria Reag Investimentos, aponta que “a inclusão produtiva de idosos gera um duplo benefício: melhora a renda familiar e reduz a pressão sobre a Previdência e a assistência social”.

Um país que envelhece e precisa se adaptar

O envelhecimento populacional é uma das mudanças demográficas mais rápidas do planeta. O Brasil passou de 4,8% de idosos em 1991 para 15,1% em 2024, e o ritmo de envelhecimento é superior ao de países desenvolvidos.

No entanto, as políticas de emprego e aposentadoria ainda são baseadas em uma estrutura que pressupõe a saída definitiva do mercado de trabalho aos 60 ou 65 anos.

O sociólogo Rafael Rossetto, especialista em políticas públicas para envelhecimento, afirma que “trabalhar mais tempo não é apenas necessidade econômica é também uma forma de manter o senso de propósito e pertencimento”.

Segundo ele, “a proposta é um passo importante para alinhar o Brasil às práticas de nações que já valorizam o trabalhador sênior”.

Tramitação e próximos passos

O projeto já recebeu parecer favorável preliminar na Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, e deve seguir para as Comissões de Trabalho e Finanças e Tributação antes de ser votado em plenário.

Se aprovado, poderá abrir espaço para uma nova política pública de emprego sênior, com foco em geração de renda e aproveitamento da experiência acumulada de milhões de brasileiros.

Para o relator, deputado Paulo Litro (PSD–PR), “incluir o idoso no mercado não é caridade, é inteligência social e econômica”. Ele defende que o país precisa aprender a usar o potencial produtivo das gerações que ajudaram a construir a economia moderna e ainda têm muito a contribuir.

Inscreva-se
Notificar de
guest
75 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Oziete
Oziete
14/11/2025 08:17

Estou muito feliz com essa notícia, espero que se torne realidade tenho 54 anos e estou me preparando para fazer faculdade de Serviço Social em 2026.

JOSÉ ANTONIO NOGUEIRA DA SILVA
JOSÉ ANTONIO NOGUEIRA DA SILVA
14/11/2025 07:29

Estou com 61 anos, porém a dificuldade pela idade ja foi percebida.Fiz minha inscrição em uma empresa ,mas para dar continuidade precisava fazer uma prova ,porém não me deixarám fazer esse **** ,fui cortado de imediato ,parece que não fazemos parte da sociedade.Infelizmente e isso o etarismo esta implantado no Brasil em grande escala.

Eliana Conceição
Eliana Conceição
12/11/2025 18:22

Passei 3 meses ba Flórida e às trabalham muitas idosas bem vestidas e máquinas!Eu trabalhei muitos anos como caixa,professora e 25 anos como auxiliar de saúde bucal!Gostaria muito voltar nessa área!Experiência tenho muita!

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
75
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x