Em Porto Alegre, ex-sócios da XP trocaram o mercado financeiro pelo calçado sustentável e criaram a Yuool, um tênis de garrafa PET reciclada e rastreável. O negócio virou a 1ª Empresa B do setor no Brasil e já faturou R$ 75 milhões em sete anos, exportando para Europa e Estados Unidos.
No Rio Grande do Sul, um grupo de ex-executivos do mercado financeiro provou que dá para transformar garrafa plástica em tênis desejado. A Yuool, de Porto Alegre, fabrica tênis de garrafa PET reciclada e virou a primeira Empresa B do setor calçadista do país, como mostrou o Times Brasil. O caso une sustentável e lucro na mesma marca.
À frente da empresa está Eduardo Abichequer, um dos sócios que deixaram a corretora XP para empreender no ramo, no perfil da marca traçado pela Exame. Apelidada de marca dos “faria limers”, a Yuool já faturou R$ 75 milhões ao longo de sete anos e hoje exporta para a Europa e os Estados Unidos.
O diferencial está no material. Segundo a Yuool, o cabedal do tênis de garrafa PET é feito com 50% de plástico reciclado e rastreável, combinado com algodão orgânico. Até as caixas dos calçados são produzidas com material reaproveitado, reforçando a proposta sustentável.
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A seguir, veja como a Yuool transforma garrafa PET em tênis, por que virou a primeira Empresa B do calçado no Brasil, o que significam os R$ 75 milhões acumulados e por que essa história gaúcha serve de exemplo para o país.
Quem é a Yuool e os ex-sócios da XP por trás da marca

A história começa longe das fábricas de calçado. Antes da Yuool, seus fundadores atuavam no mercado financeiro, incluindo passagem pela corretora XP, onde estavam acostumados a planilhas e investimentos, e não a lixas e solados. Foi dali que veio a virada de chave.
O líder do grupo é Eduardo Abichequer, hoje presidente da empresa. Ao lado de outros sócios vindos do mesmo meio, ele apostou em unir tecnologia, conforto e sustentabilidade em um produto de consumo, montando a operação no Rio Grande do Sul.
A escolha por Porto Alegre deu à marca uma identidade gaúcha. Mesmo com o Sudeste concentrando o grande mercado consumidor, a Yuool cresceu a partir do Sul, mostrando que dá para construir uma marca nacional de tênis longe dos polos tradicionais do setor.
O modelo de negócio também foge do comum. A Yuool nasceu como uma marca digital, vendendo direto ao consumidor pela internet, o que dá mais controle sobre preço, estoque e relação com o cliente do que o varejo tradicional costuma permitir.
Esse formato, chamado de marca nativa digital, cresceu muito nos últimos anos. Empresas assim nascem na internet, falam direto com o público e usam dados para decidir o que produzir. A Yuool levou essa lógica para o mundo do tênis, ainda pouco explorado por marcas do tipo no Brasil.
O tênis de garrafa PET reciclada e rastreável

O coração da proposta é o material do cabedal. Segundo a Yuool, a parte de cima do tênis de garrafa PET usa 50% de plástico reciclado, o que significa que garrafas descartadas viram fio e, depois, o tecido que envolve o pé.
A grande sacada é a rastreabilidade. Não basta dizer que usa plástico reciclado: a marca afirma que o PET é rastreável, ou seja, dá para saber a origem do material que entrou em cada peça. Isso combate a desconfiança comum em relação a produtos que se dizem verdes.
O algodão orgânico completa a fórmula. Junto com o PET reciclado, ele forma um cabedal que busca unir conforto e menor impacto ambiental, sem depender só de materiais novos tirados diretamente da natureza. É a lógica de reaproveitar em vez de extrair.
O cuidado vai até a embalagem. As caixas dos calçados também são feitas de material reaproveitado, um detalhe que mostra como a proposta sustentável da Yuool tenta abraçar o produto inteiro, e não apenas a parte mais visível do tênis de garrafa PET.
O processo por trás disso é engenhoso. As garrafas PET são limpas, trituradas e transformadas em fios de poliéster, que depois são tecidos para formar o tecido do cabedal. Assim, o que era embalagem descartada vira matéria-prima têxtil para um calçado sustentável.
Por que a rastreabilidade do PET importa
Rastrear o material é mais raro do que parece. Muitas marcas dizem usar plástico reciclado, mas poucas conseguem provar de onde ele veio. Ao apostar em um tênis de garrafa PET rastreável, a Yuool tenta transformar transparência em diferencial de mercado.
Esse controle tem valor concreto. Saber a origem do PET ajuda a garantir que o material é mesmo reciclado, e não plástico novo disfarçado, além de permitir medir quanto de garrafa deixou de virar lixo a cada lote de tênis produzido pela marca.
Para o consumidor, isso muda a relação de confiança. Quem compra um produto sustentável quer ter certeza de que está pagando por algo real, e a rastreabilidade funciona como uma espécie de garantia contra o chamado greenwashing, quando empresas exageram no discurso ecológico.
No fim, a transparência vira parte do produto. Mais do que um tênis de garrafa PET bonito, a Yuool vende a ideia de um consumo que pode ser verificado, o que se encaixa na proposta de uma marca que se apresenta como responsável de ponta a ponta.
Esse tipo de controle também gera dados úteis. Com a rastreabilidade, é possível calcular quanto plástico foi desviado do lixo e comunicar isso ao cliente de forma honesta. Para um negócio que se diz sustentável, poder mostrar números concretos vale mais do que qualquer slogan.
A 1ª Empresa B do calçado brasileiro: o que isso significa
O título de pioneira não é apenas marketing. A Yuool foi a primeira do setor calçadista do Brasil a conquistar a certificação de Empresa B, um selo internacional dado a companhias que equilibram propósito e lucro nas suas operações.
Ser uma Empresa B exige comprovação. A certificação avalia como a empresa trata funcionários, fornecedores, comunidade e meio ambiente, e não apenas o quanto ela fatura. É um processo rigoroso, que precisa ser renovado, o que dificulta usar o selo só para aparência.
Para o setor de tênis, o marco é simbólico. Em uma indústria muitas vezes associada a produção em massa e impacto ambiental, ver uma marca de Porto Alegre liderar esse movimento mostra que sustentabilidade e calçado podem, sim, andar juntos no Brasil.
Esse posicionamento também é estratégico. Ao ser a primeira Empresa B do calçado nacional, a Yuool ganha um diferencial difícil de copiar e reforça a imagem sustentável que atrai um público disposto a pagar mais por produtos com propósito.
O movimento das Empresas B cresce no mundo todo. Reúne companhias que se comprometem a considerar o impacto social e ambiental em cada decisão, e não só o lucro. Entrar nesse grupo coloca a Yuool ao lado de marcas globais reconhecidas por unir negócio e responsabilidade.
Quanto a Yuool já faturou em sete anos?
O número que chama atenção é o faturamento acumulado. Ao longo de sete anos de operação, a Yuool já somou R$ 75 milhões em receita, resultado que mostra a consistência de um negócio que cresceu ano após ano desde a fundação.
É importante ler esse valor com clareza. Os R$ 75 milhões não são de um único ano, e sim o total acumulado ao longo de quase toda a existência da marca, o que ajuda a entender o ritmo de crescimento de uma empresa ainda jovem.
Por trás desse total está a venda direta. Como marca digital, a Yuool vendeu centenas de milhares de pares de tênis ao consumidor final, sem depender de grandes redes, o que dá mais margem e mais controle sobre o próprio negócio.
Os números também sustentam ambições maiores. Com um caixa construído em sete anos e uma marca reconhecida, a empresa fala abertamente em sonhos de longo prazo, como um dia abrir capital, algo que dependeria de crescer ainda mais o negócio.
A marca também inovou na forma de captar dinheiro. Em vez de recorrer só a fundos, a Yuool abriu rodadas de investimento para os próprios clientes, transformando fãs em sócios. É uma estratégia que combina com a origem financeira dos fundadores e aproxima o público do negócio.
Do mercado financeiro ao calçado sustentável
A troca de área é um dos pontos mais curiosos da história. Sair do conforto do mercado financeiro para encarar a indústria de tênis, com toda a complexidade de produção e logística, exigiu coragem dos ex-sócios da XP que fundaram a Yuool.
A bagagem financeira, porém, virou vantagem. Acostumados a analisar números, riscos e crescimento, os fundadores aplicaram essa mentalidade ao negócio de calçado, estruturando a Yuool com foco em dados, metas e expansão desde o começo.
O apelido de marca dos “faria limers” resume bem a origem. A expressão faz referência à Faria Lima, avenida de São Paulo que concentra bancos e fundos, e mostra como gente do mundo financeiro passou a se interessar por empreender com produtos sustentávelis.
Essa mistura de perfis deu identidade à empresa. Unir a lógica de investidores com a paixão por um produto físico e com propósito ambiental é o que faz a Yuool se diferenciar tanto das marcas tradicionais de tênis quanto de outras startups.
Esse caminho tem virado tendência. Cada vez mais gente que trabalhou no mercado financeiro decide criar marcas de consumo, atraída pela chance de construir algo concreto e com propósito. A Yuool é um exemplo de como essa bagagem pode acelerar um negócio nascido em Porto Alegre.
Exportação para Europa e Estados Unidos
O alcance da marca já passou das fronteiras. Além de vender no Brasil, a Yuool exporta o tênis de garrafa PET para o exterior, levando a proposta sustentável feita em Porto Alegre para consumidores de outros continentes.
Na Europa, a operação já tem estrada. A marca atua há cerca de três anos no continente, com vendas para oito países por meio do comércio eletrônico, o que mostra que o apelo de um tênis reciclado e rastreável funciona também fora do país.
Nos Estados Unidos, o passo é mais recente. A atuação por lá começou há cerca de um ano e meio, igualmente pela internet, mercado em que marcas de calçado sustentável vêm ganhando espaço entre consumidores preocupados com o impacto ambiental.
Exportar não é pouca coisa para uma marca jovem. Levar um tênis brasileiro para Europa e Estados Unidos exige qualidade, logística e reputação, e reforça a ideia de que a Yuool construiu um negócio sólido a partir de garrafa PET reciclada.
Vale lembrar que o Brasil já é forte em calçados. O país exporta milhões de pares por ano, mas a maioria sem apelo sustentável. Ao levar um tênis reciclado e rastreável para fora, a Yuool aposta em um nicho de maior valor agregado, e não apenas em volume de produção.
O que isso tem a ver com o Brasil
O Brasil tem tudo para abraçar esse tipo de ideia. O país é um dos maiores recicladores de garrafa PET do mundo e conta com um dos maiores parques calçadistas do planeta, o que faz do tênis de garrafa PET uma combinação natural entre duas forças nacionais.
O Rio Grande do Sul, aliás, é um dos berços do calçado no país. A região concentra fábricas, mão de obra especializada e tradição no setor, o que ajuda a explicar por que uma marca como a Yuool encontrou em Porto Alegre terreno fértil para crescer e se profissionalizar.
A história também valoriza o empreendedorismo local. Ver uma marca de Porto Alegre faturar milhões e exportar mostra que dá para criar produtos de valor no Brasil, sem depender de importados, e ainda competir lá fora com uma proposta sustentável.
Há ainda a lição sobre economia circular. Ao transformar garrafa descartada em tênis, a Yuool dá exemplo de como resíduo pode virar produto premium, um caminho que outras indústrias brasileiras podem seguir para reduzir desperdício e gerar renda.
A moda sustentável ganha espaço entre os brasileiros. Cresce o número de pessoas que querem saber do que é feito o que vestem e calçam, e marcas que respondem a isso com transparência tendem a sair na frente. O tênis de garrafa PET surfa exatamente essa onda, com estética, conforto e um discurso ambiental que pode ser verificado.
Por fim, fica o recado sobre consumo consciente. O sucesso da Yuool indica que o brasileiro está disposto a pagar por um negócio com propósito, desde que ele venha com qualidade, o que abre espaço para mais marcas nacionais apostarem em sustentabilidade de verdade.
E você, calçaria um tênis brasileiro feito de garrafa PET?
A trajetória da Yuool mostra como uma boa ideia pode unir bolso, estilo e meio ambiente. Saindo do mercado financeiro, um grupo liderado por Eduardo Abichequer criou em Porto Alegre um tênis de garrafa PET reciclada e rastreável, virou a primeira Empresa B do calçado brasileiro e já faturou R$ 75 milhões em sete anos.
Mais do que um caso de sucesso, é um exemplo de economia circular aplicada à moda. Ao transformar plástico descartado em calçado desejado e ainda exportar para Europa e Estados Unidos, a Yuool provou que sustentabilidade e negócio podem crescer juntos, feitos no Brasil, a partir de uma matéria-prima que a maioria das pessoas joga fora sem pensar duas vezes.
E você, calçaria um tênis brasileiro feito de garrafa PET reciclada, sabendo que ele nasceu de garrafas que iriam para o lixo? Acha que mais marcas nacionais deveriam seguir esse caminho sustentável? Conta aqui nos comentários a sua opinião e compartilhe com quem ama um bom tênis e também se preocupa com o destino do lixo que a gente produz.
