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BYD entra no território da Toyota com carro elétrico ultracompacto feito para as ruas do Japão e desafia Honda e Nissan em mercado de 1,6 milhão de veículos

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 11/10/2026 às 14:07 Atualizado em 11/10/2026 às 14:10
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Imagem: BYD
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Com preço equivalente a cerca de R$ 68 mil, o BYD Racco chega ao Japão para disputar mercado com Toyota, Honda e Nissan, após receber mais de mil pedidos nas primeiras semanas de lançamento

A BYD decidiu enfrentar as gigantes japonesas dentro de casa. A montadora chinesa lançou o Racco, um pequeno carro elétrico desenvolvido especialmente para o Japão, e já recebeu mais de mil pedidos nas primeiras semanas.

BYD Racco no Japão mira categoria que vende mais de 1,6 milhão de veículos por ano

A fabricante chinesa está entrando em um dos segmentos mais disputados do mercado japonês: os chamados kei cars, veículos pequenos, desenvolvidos para circular pelas ruas estreitas e atender às necessidades dos motoristas locais.

O Racco, cujo nome significa lontra marinha em japonês, tem carroceria de linhas retas e foi apresentado no final de julho. Diferentemente dos outros modelos vendidos pela BYD no país, ele foi pensado especificamente para esse público.

E o tamanho desse mercado chama atenção. Mais de 1,6 milhão de carros e caminhões da categoria foram vendidos no Japão no ano passado, representando mais de um terço dos veículos novos comercializados.

Honda, Suzuki e Daihatsu dominam esse segmento, com participação conjunta próxima de 80%. Em 2025, as vendas da categoria cresceram 7%, o dobro do ritmo registrado pelo mercado automotivo japonês em geral.

Para a BYD, entrar nesse segmento significa disputar compradores diretamente com fabricantes que já possuem uma forte presença no país.

BYD entra no território da Toyota com carro elétrico ultracompacto feito para as ruas do Japão e desafia Honda e Nissan em mercado de 1,6 milhão de veículos
Imagem: BYD

Carro elétrico da BYD custa cerca de R$ 68 mil, mas concorrentes japoneses recebem mais incentivos

Um dos maiores obstáculos da montadora chinesa está no preço.

O Racco tem preço anunciado de aproximadamente 2 milhões de ienes, equivalentes a US$ 12.600, considerando um incentivo governamental de 150 mil ienes. Em conversão aproximada, o valor fica perto de R$ 68 mil.

Mas existe um problema. Mudanças recentes na política japonesa de subsídios ampliaram os benefícios destinados a determinados veículos nacionais, europeus e americanos, enquanto reduziram os incentivos concedidos à BYD.

Em alguns casos, a redução dos benefícios para a fabricante chinesa passou de 50%.

Em Tóquio, compradores de modelos como o Honda N-ONE e e o Nissan Sakura podem receber mais de 550 mil ienes em incentivos.

Com isso, o preço efetivo de algumas versões pode cair para aproximadamente 1,2 milhão de ienes, colocando os concorrentes japoneses em vantagem.

Segundo a BloombergNEF, essa diferença pode pressionar ainda mais as margens de lucro da fabricante chinesa.

O analista Taishin Noble destaca que o preço continua sendo uma das principais barreiras para a compra de veículos elétricos.

BYD já vendeu cerca de 7.400 carros no Japão e quer alcançar 10 mil unidades do Racco

Apesar de sua expansão internacional, a BYD ainda possui uma participação pequena no mercado japonês.

Desde que começou a vender automóveis de passeio no país, em 2023, a empresa comercializou aproximadamente 7.400 unidades.

Para efeito de comparação, esse volume representa apenas uma pequena parcela do que a Toyota vende no próprio Japão durante um único mês.

Mesmo assim, a empresa já estruturou uma rede com 77 pontos de venda, incluindo 56 concessionárias oficiais.

A fabricante também pretende ampliar seu catálogo com dois modelos híbridos.

No caso do Racco, a meta é chegar a 10 mil unidades, segundo Liu Xueliang, presidente da BYD no Japão.

O executivo afirmou em julho que alcançar esse volume não seria importante apenas para a empresa, mas também para ampliar a presença dos veículos elétricos no mercado japonês.

A fabricante aposta na eficiência de produção e na experiência acumulada com carros elétricos para conquistar consumidores que tradicionalmente preferem marcas nacionais.

Toyota e Honda também avançam nos elétricos, enquanto a BYD tenta ganhar espaço

A disputa acontece em um momento de mudanças no mercado japonês.

Embora os consumidores locais mantenham preferência por automóveis nacionais e híbridos, alguns lançamentos elétricos começaram a registrar resultados expressivos.

A Honda, por exemplo, suspendeu os pedidos de seu novo kei elétrico depois de receber mais de 12 mil encomendas.

A Toyota também registrou forte procura pelo bZ4X, seu utilitário esportivo elétrico.

Os números da BYD mostram que existe espaço para disputar esse público. No ano passado, a fabricante chinesa vendeu 3.742 carros totalmente elétricos no Japão, enquanto a Toyota comercializou 4.227 unidades.

A diferença é relativamente pequena nesse recorte específico, embora a Toyota continue muito maior no mercado automotivo japonês como um todo.

Outro desafio é a infraestrutura de recarga. O Japão ainda enfrenta limitações na expansão de carregadores rápidos, fator que preocupa consumidores interessados em abandonar os veículos a combustão.

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Imagem: BYD

Ford, GM e Hyundai já enfrentaram dificuldades no Japão; outras chinesas agora seguem a BYD

O histórico das fabricantes estrangeiras mostra como esse mercado pode ser complicado.

A General Motors deixou de vender automóveis no Japão em 2003, depois de enfrentar dificuldades para conquistar compradores.

A Ford encerrou suas operações no país em 2016, citando baixa participação de mercado e resultados financeiros insatisfatórios.

A Hyundai também saiu em 2009, após comercializar cerca de 15 mil veículos, mas retornou em 2022 com foco nos elétricos.

Agora, outras fabricantes chinesas também preparam sua entrada.

A Zeekr, pertencente ao grupo Geely, apresentou a minivan elétrica 009 no Japan Mobility Show de 2025. O modelo, anunciado por aproximadamente 13 milhões de ienes, pretende disputar espaço com veículos de luxo da Toyota e da Nissan.

Já a EMTA, empreendimento conjunto apoiado pela Chery e pela japonesa Autobacs Seven, planeja lançar quatro modelos até 2029, começando por um kei elétrico.

Para a BYD, o Racco representa uma tentativa de conquistar espaço em um mercado historicamente dominado por fabricantes nacionais. O objetivo inicial de 10 mil unidades ainda depende da resposta dos consumidores e da capacidade da empresa de competir em preço com as marcas japonesas.

Os dados desta matéria são deste artigo do Bloomberglinea.

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Romário Pereira de Carvalho

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