Com preço equivalente a cerca de R$ 68 mil, o BYD Racco chega ao Japão para disputar mercado com Toyota, Honda e Nissan, após receber mais de mil pedidos nas primeiras semanas de lançamento
A BYD decidiu enfrentar as gigantes japonesas dentro de casa. A montadora chinesa lançou o Racco, um pequeno carro elétrico desenvolvido especialmente para o Japão, e já recebeu mais de mil pedidos nas primeiras semanas.
BYD Racco no Japão mira categoria que vende mais de 1,6 milhão de veículos por ano
A fabricante chinesa está entrando em um dos segmentos mais disputados do mercado japonês: os chamados kei cars, veículos pequenos, desenvolvidos para circular pelas ruas estreitas e atender às necessidades dos motoristas locais.
O Racco, cujo nome significa lontra marinha em japonês, tem carroceria de linhas retas e foi apresentado no final de julho. Diferentemente dos outros modelos vendidos pela BYD no país, ele foi pensado especificamente para esse público.
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E o tamanho desse mercado chama atenção. Mais de 1,6 milhão de carros e caminhões da categoria foram vendidos no Japão no ano passado, representando mais de um terço dos veículos novos comercializados.
Honda, Suzuki e Daihatsu dominam esse segmento, com participação conjunta próxima de 80%. Em 2025, as vendas da categoria cresceram 7%, o dobro do ritmo registrado pelo mercado automotivo japonês em geral.
Para a BYD, entrar nesse segmento significa disputar compradores diretamente com fabricantes que já possuem uma forte presença no país.

Carro elétrico da BYD custa cerca de R$ 68 mil, mas concorrentes japoneses recebem mais incentivos
Um dos maiores obstáculos da montadora chinesa está no preço.
O Racco tem preço anunciado de aproximadamente 2 milhões de ienes, equivalentes a US$ 12.600, considerando um incentivo governamental de 150 mil ienes. Em conversão aproximada, o valor fica perto de R$ 68 mil.
Mas existe um problema. Mudanças recentes na política japonesa de subsídios ampliaram os benefícios destinados a determinados veículos nacionais, europeus e americanos, enquanto reduziram os incentivos concedidos à BYD.
Em alguns casos, a redução dos benefícios para a fabricante chinesa passou de 50%.
Em Tóquio, compradores de modelos como o Honda N-ONE e e o Nissan Sakura podem receber mais de 550 mil ienes em incentivos.
Com isso, o preço efetivo de algumas versões pode cair para aproximadamente 1,2 milhão de ienes, colocando os concorrentes japoneses em vantagem.
Segundo a BloombergNEF, essa diferença pode pressionar ainda mais as margens de lucro da fabricante chinesa.
O analista Taishin Noble destaca que o preço continua sendo uma das principais barreiras para a compra de veículos elétricos.
BYD já vendeu cerca de 7.400 carros no Japão e quer alcançar 10 mil unidades do Racco
Apesar de sua expansão internacional, a BYD ainda possui uma participação pequena no mercado japonês.
Desde que começou a vender automóveis de passeio no país, em 2023, a empresa comercializou aproximadamente 7.400 unidades.
Para efeito de comparação, esse volume representa apenas uma pequena parcela do que a Toyota vende no próprio Japão durante um único mês.
Mesmo assim, a empresa já estruturou uma rede com 77 pontos de venda, incluindo 56 concessionárias oficiais.
A fabricante também pretende ampliar seu catálogo com dois modelos híbridos.
No caso do Racco, a meta é chegar a 10 mil unidades, segundo Liu Xueliang, presidente da BYD no Japão.
O executivo afirmou em julho que alcançar esse volume não seria importante apenas para a empresa, mas também para ampliar a presença dos veículos elétricos no mercado japonês.
A fabricante aposta na eficiência de produção e na experiência acumulada com carros elétricos para conquistar consumidores que tradicionalmente preferem marcas nacionais.
Toyota e Honda também avançam nos elétricos, enquanto a BYD tenta ganhar espaço
A disputa acontece em um momento de mudanças no mercado japonês.
Embora os consumidores locais mantenham preferência por automóveis nacionais e híbridos, alguns lançamentos elétricos começaram a registrar resultados expressivos.
A Honda, por exemplo, suspendeu os pedidos de seu novo kei elétrico depois de receber mais de 12 mil encomendas.
A Toyota também registrou forte procura pelo bZ4X, seu utilitário esportivo elétrico.
Os números da BYD mostram que existe espaço para disputar esse público. No ano passado, a fabricante chinesa vendeu 3.742 carros totalmente elétricos no Japão, enquanto a Toyota comercializou 4.227 unidades.
A diferença é relativamente pequena nesse recorte específico, embora a Toyota continue muito maior no mercado automotivo japonês como um todo.
Outro desafio é a infraestrutura de recarga. O Japão ainda enfrenta limitações na expansão de carregadores rápidos, fator que preocupa consumidores interessados em abandonar os veículos a combustão.

Ford, GM e Hyundai já enfrentaram dificuldades no Japão; outras chinesas agora seguem a BYD
O histórico das fabricantes estrangeiras mostra como esse mercado pode ser complicado.
A General Motors deixou de vender automóveis no Japão em 2003, depois de enfrentar dificuldades para conquistar compradores.
A Ford encerrou suas operações no país em 2016, citando baixa participação de mercado e resultados financeiros insatisfatórios.
A Hyundai também saiu em 2009, após comercializar cerca de 15 mil veículos, mas retornou em 2022 com foco nos elétricos.
Agora, outras fabricantes chinesas também preparam sua entrada.
A Zeekr, pertencente ao grupo Geely, apresentou a minivan elétrica 009 no Japan Mobility Show de 2025. O modelo, anunciado por aproximadamente 13 milhões de ienes, pretende disputar espaço com veículos de luxo da Toyota e da Nissan.
Já a EMTA, empreendimento conjunto apoiado pela Chery e pela japonesa Autobacs Seven, planeja lançar quatro modelos até 2029, começando por um kei elétrico.
Para a BYD, o Racco representa uma tentativa de conquistar espaço em um mercado historicamente dominado por fabricantes nacionais. O objetivo inicial de 10 mil unidades ainda depende da resposta dos consumidores e da capacidade da empresa de competir em preço com as marcas japonesas.
Os dados desta matéria são deste artigo do Bloomberglinea.
