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Brinquedo líder de vendas em 2025 é alvo de denúncia: ONG acusa fábrica chinesa que produz Labubus de empregar jovens sem proteção legal, impor jornadas exaustivas e exigir mais de 100 horas extras mensais para atender à demanda recorde de 30 milhões de unidades por mês

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Escrito por Ana Alice Publicado em 14/01/2026 às 13:47
ONG denuncia irregularidades trabalhistas em fábrica chinesa ligada aos Labubus, com jovens sem proteção legal e contratos incompletos. (Imagem: Reprodução)
ONG denuncia irregularidades trabalhistas em fábrica chinesa ligada aos Labubus, com jovens sem proteção legal e contratos incompletos. (Imagem: Reprodução)
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Investigação de ONG internacional aponta possíveis irregularidades trabalhistas em fornecedora chinesa ligada a um dos brinquedos mais populares de 2025, envolvendo contratação de jovens, jornadas extensas e contratos pouco claros, segundo apuração divulgada pela imprensa britânica.

(Imagem: Reprodução/PopMart)
(Imagem: Reprodução/PopMart)

Uma investigação da ONG China Labor Watch (CLW) afirma ter identificado irregularidades trabalhistas em uma fábrica chinesa que integra a cadeia de produção dos Labubus, brinquedos de pelúcia associados à empresa Pop Mart e que ganharam projeção internacional ao longo de 2025.

As conclusões constam em um relatório da organização e foram divulgadas pelo jornal britânico The Guardian, com base em entrevistas realizadas ao longo de três meses com mais de 50 funcionários da unidade investigada.

Segundo a CLW, as apurações apontam para práticas que estariam em desacordo com a legislação trabalhista da China, como a contratação de jovens entre 16 e 18 anos sem as proteções especiais previstas em lei, falhas em treinamentos de saúde e segurança, assinatura de contratos sem informações completas e jornadas com volume elevado de horas extras.

A Pop Mart informou ao The Guardian que considera prioritária a proteção dos trabalhadores em sua cadeia de fornecimento.

A empresa declarou que realiza auditorias regulares em fábricas parceiras e que está analisando as denúncias apresentadas.

De acordo com a companhia, caso as irregularidades sejam confirmadas, serão exigidas medidas corretivas em conformidade com as leis locais.

Investigação sobre trabalho juvenil na produção de brinquedos

As denúncias têm como foco a Shunjia Toys, fornecedora localizada no condado de Xinfeng, na província de Jiangxi, no sudeste da China.

Conforme o relatório da CLW e a reportagem do Guardian, a fábrica emprega mais de 4.500 pessoas e teria uma linha de produção dedicada exclusivamente aos Labubus.

Durante a investigação, a ONG afirma ter identificado três trabalhadores com menos de 18 anos atuando em funções regulares da linha de montagem.

A legislação chinesa permite a contratação de pessoas a partir dos 16 anos, mas estabelece exigências adicionais para essa faixa etária, como restrições a atividades consideradas perigosas ou excessivamente desgastantes.

De acordo com a CLW, os adolescentes entrevistados estariam submetidos às mesmas metas e cargas de trabalho aplicadas aos adultos.

A organização afirma ainda que esses jovens demonstraram desconhecimento sobre os termos contratuais aos quais estavam vinculados, incluindo detalhes sobre seus direitos e deveres legais.

Relatos de contratos de trabalho sem informações completas

A investigação também descreve problemas relacionados aos contratos de trabalho.

Segundo a ONG, funcionários relataram que era comum assinar documentos sem que todas as cláusulas estivessem preenchidas no momento da contratação.

De acordo com o relatório, os trabalhadores eram orientados a registrar apenas informações pessoais, enquanto dados sobre funções, remuneração, duração do contrato e contribuições previdenciárias permaneciam sem explicação prévia.

A CLW afirma que o processo ocorria de forma rápida, com poucos minutos disponíveis para assinatura, o que dificultaria a leitura integral do documento.

Para a organização, essa prática comprometeria a transparência da relação trabalhista.

O The Guardian ressalta que tais relatos fazem parte das entrevistas conduzidas pela ONG e não constituem decisão judicial ou conclusão de autoridades chinesas.

Jornada de trabalho e metas de produção elevadas

Outro ponto destacado no relatório diz respeito às horas extras.

A CLW afirma que, embora a legislação chinesa estabeleça um limite mensal de 36 horas adicionais, trabalhadores da fábrica relataram cumprir mais de 100 horas extras em alguns meses.

Essas jornadas estariam associadas ao cumprimento de metas de produção elevadas.

Segundo a apuração, equipes de 25 a 30 pessoas precisariam montar ao menos 4 mil unidades do brinquedo por dia para atender à demanda.

A organização também menciona deficiências em treinamentos de saúde e segurança no trabalho.

De acordo com o relatório, alguns funcionários afirmaram não ter recebido orientações adequadas sobre riscos ocupacionais, especialmente em períodos de produção intensificada.

Capacidade produtiva e volume real de fabricação

A Shunjia Toys informa ter capacidade oficial para produzir cerca de 12 milhões de brinquedos por ano.

No entanto, a CLW sustenta que a produção real pode ser superior ao volume divulgado, com base nas metas diárias relatadas por trabalhadores e na estrutura das equipes observadas durante a investigação.

Segundo o relatório, apenas duas equipes seriam responsáveis por uma produção anual estimada em mais de 24 milhões de unidades.

A ONG ressalta que essas estimativas se baseiam em relatos coletados no local e não em dados oficiais da empresa.

O diretor executivo da China Labor Watch, Li Qiang, afirmou ao The Guardian que discrepâncias entre capacidade planejada e produção efetiva podem ocorrer no setor manufatureiro chinês em períodos de aumento rápido da demanda.

Segundo ele, quando isso acontece, a pressão tende a recair sobre a força de trabalho, por meio de jornadas mais longas e intensificação do ritmo produtivo.

Reação das empresas e acompanhamento do caso

A Shunjia Toys não se manifestou diretamente sobre as acusações até a publicação da reportagem.

Já a Pop Mart reiterou que exige de seus fornecedores o cumprimento das leis trabalhistas e de seus próprios códigos de conduta.

O caso se soma a discussões internacionais sobre condições de trabalho em cadeias globais de produção, especialmente em setores que enfrentam picos repentinos de demanda.

A partir das informações apresentadas pela ONG, a atenção se volta para eventuais respostas das empresas envolvidas e possíveis ações de fiscalização por parte das autoridades chinesas.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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