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Brasileiros contam a real sobre a “cidade dos sorrisos” da Dinamarca e dizem se viver em Aarhus, a quarta cidade mais feliz do mundo, traz mesmo mais felicidade

Publicado em 22/03/2026 às 12:08
Cidade, Cidade dos Sorrisos
Imagem: Ilustração
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Aarhus, quarta colocada no Índice Cidade Feliz de 2025, reúne segurança, renda mais estável e serviços públicos que atraem brasileiros, embora idioma, mercado de trabalho, inverno rigoroso e custo de vida elevado ainda desafiem parte dos imigrantes

Aarhus, na Dinamarca, apareceu em maio de 2025 como a quarta cidade mais feliz do mundo no Índice Cidade Feliz de 2025. Na ocasião, brasileiras que vivem no município relatam segurança, renda mais confortável e bem-estar, mas também apontam dificuldades com idioma, emprego, clima, preços e saúde.

Mudança e adaptação

Fernanda Martins, publicitária de 27 anos, mora em Aarhus há dois anos e trabalha em uma loja de bagels.

Ela se mudou após se casar com um dinamarquês que havia escolhido a cidade para fazer faculdade.

Segundo Fernanda, as condições de vida influenciaram a decisão. Ela diz que o salário recebido na loja é maior que o da antiga gestora dela no Brasil, quando ainda atuava com design gráfico.

Apesar da recepção positiva, Fernanda afirma que a adaptação não foi simples. Ela cita a língua e as diferenças de comportamento como os maiores desafios.

Outras brasileiras, outras impressões

A psicóloga Daniele Lima, de 27 anos, vive em Aarhus desde agosto de 2024. A mudança ocorreu quando o marido iniciou um doutorado na Universidade de Aarhus com bolsa que levou o casal a planejar pelo menos três anos na cidade.

Daniele diz que esperava rigidez e até xenofobia, mas teve outra impressão. Ela afirma ter entendido por que Aarhus é conhecida como a cidade dos sorrisos.

Lúcia Valeria Svensson, empresária, professora e dançarina de samba de 58 anos, mora em Aarhus há 15 anos e integra parte da diretoria da escola de samba Sambananasdk.

Ela se mudou após receber convite de outra brasileira para cuidar dos filhos dela. No começo, achou Aarhus fria e escura, porque chegou no outono.

Segundo Lúcia, estrangeiros costumam ser bem recebidos, principalmente os vindos de países em guerra.

Ao mesmo tempo, ela afirma que não há tolerância com quem não se integra à sociedade, não fala a língua e vive às custas do governo.

Trabalho e barreiras

Fernanda e Daniele afirmam que conseguir emprego em Aarhus pode ser difícil para brasileiros que chegam sem proposta prévia.

Segundo elas, a busca costuma ser longa, sobretudo quando o candidato não é fluente no idioma.

Nos primeiros meses, Fernanda limpou hotéis e trabalhou como assistente de cantina enquanto estudava dinamarquês. Ela diz que essa é a realidade de muitos brasileiros.

Daniele relata que há quem fale em espera de seis meses para encontrar o primeiro emprego. Segundo ela, é preciso falar ao menos inglês fluentemente para ampliar as chances.

Ela diz que conseguiu um trabalho de limpeza, mas não continuou por questões de saúde física. Também afirma que vagas como vendedor, caixa, armazém e McDonald’s costumam exigir dinamarquês ou networking.

O que compensa

Mesmo com as dificuldades, Fernanda e Daniele afirmam que a segurança em Aarhus compensa boa parte dos obstáculos. Fernanda diz sentir-se muito mais segura e respeitada como mulher do que no Brasil.

Daniele afirma que passou a sair e voltar tarde sem ansiedade. Segundo ela, diminuiu o medo de assalto, assédio ou violência.

Fernanda também associa a qualidade de vida em Aarhus à possibilidade de pagar as contas, guardar algum dinheiro e viajar com mais facilidade. Ela diz que realizou sonhos e ganhou liberdade financeira.

Lúcia afirma que é muito feliz na cidade. Segundo ela, em 15 anos conquistou mais do que imaginava e atribui isso à educação, saúde e segurança oferecidas pelo Estado.

Clima, saúde e preços altos

Daniele relata que o inverno foi um dos pontos mais difíceis da experiência. Segundo ela, os dias escurecem cedo, as ruas ficam mais vazias e as pessoas se recolhem, o que favoreceu queda de humor, crises de choro e saudade do Brasil.

Fernanda critica o sistema de saúde dinamarquês. Embora reconheça melhora na qualidade de vida, diz que o atendimento hospitalar parece reservado a casos extremos.

Daniele também menciona o custo de serviços em Aarhus. Em sua opinião, comer em restaurante pode ser bastante caro, e ela deixou de fazer procedimentos estéticos por causa dos preços.

Entre os exemplos citados estão corte de cabelo chegando a R$ 600 reais, sobrancelha a R$ 400 reais e depilação de cera por volta dos R$ 500 reais.

Por que a cidade de Aarhus aparece tão bem

Para Daniele, o ranking reflete a qualidade de vida oferecida pela administração pública. Ela diz que os impostos são altos, mas avalia que há resultado em segurança, futuro e programas sociais.

Lúcia e Daniele também destacam a confiança nos dinamarqueses. Para elas, a sensação de honestidade e boa-fé contribui para a felicidade em Aarhus.

Fundada no final do século 8, cresceu como porto comercial, reforçou sua importância com a universidade criada em 1928 e ganhou impulso cultural em 2017, quando foi escolhida Capital Europeia da Cultura.

Com média de idade de 38 anos, cerca de 45 mil estudantes e atrações como o ARoS e a Vor Frue Kirke, Aarhus mantém um perfil progressista e vibrnate.

Com informações de UOL.

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Romário Pereira de Carvalho

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