O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo, mas enfrenta entraves em energia, logística e regras que podem atrasar sua entrada na nova corrida global por minerais estratégicos.
O mundo vive uma nova corrida por recursos estratégicos. No centro dessa disputa estão energia, minerais e logística. Nesse cenário, o Brasil aparece como uma potência cheia de riquezas, mas também de entraves. As terras raras, cada vez mais disputadas por grandes economias, são um exemplo claro disso.
Apesar do enorme potencial, o país ainda patina para transformar suas reservas em desenvolvimento real.
Enquanto isso, mudanças globais aceleram o consumo de energia e de metais. E isso coloca o Brasil diante de escolhas que podem custar caro no futuro.
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Terras raras ganham peso na nova geopolítica
Segundo Pedro Rodrigues, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a volatilidade das commodities hoje vem de fora. “É 100% cenário externo”, resumiu. No caso do petróleo, ele aponta tendência de queda nos preços. Porém, nos metais, o movimento é oposto.

Cobre, urânio e lítio ganharam valor estratégico. Isso ocorre por causa da Revolução 4.0 e da inteligência artificial.
“A demanda por energia hoje no mundo é brutal em razão do desenvolvimento dessas novas tecnologias, dentre elas os datacenters… Energia sem energia a gente não tem datacenter e a gente não vai ter a inteligência artificial aprendendo”, afirmou.
Nesse contexto, as terras raras entram como peças-chave. Elas são usadas em celulares, carros elétricos, turbinas e equipamentos militares.
O Brasil, segundo Rodrigues, tem a terceira maior reserva do planeta. Mesmo assim, o país ainda não ocupa espaço de destaque nos fóruns globais sobre minerais críticos.
Regras frágeis e atraso na exploração
Ter riquezas no subsolo não garante prosperidade. Para Rodrigues, o problema está na falta de regras claras e de segurança jurídica. Sem isso, investidores recuam.
Além disso, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para regulamentar a exploração de terras raras de forma eficiente.
No campo ambiental, ele afirma que a legislação é robusta, mas muito lenta. Para ele, o excesso de burocracia e a politização travam projetos estratégicos.
Ainda assim, ele defende que o país precisa melhorar sua comunicação externa. “O Brasil preserva as florestas muito mais que a França… precisamos ser protagonistas da narrativa”, disse.
Logística e energia como gargalos
Mesmo com terras raras e outros minerais valiosos, o Brasil enfrenta outro grande problema: infraestrutura. A dependência de caminhões encarece tudo. Faltam ferrovias, hidrovias e dutos. Isso reduz a competitividade.
O gás natural também pesa. Como é extraído junto ao petróleo, principalmente no mar, o custo é alto. Isso prejudica a produção nacional de fertilizantes. Por isso, Rodrigues sugere estimular a produção em terra e até o shale.
Ele também rejeita o termo “transição energética”. Prefere falar em “adição energética”. “O mundo não fala mais em transição energética… a gente não pode se dar o direito de excluir uma fonte em nome da outra”. Para ele, petróleo, solar e eólica precisam coexistir.
Com a demanda global disparando, as terras raras, a energia e os minerais se tornaram um jogo de poder que o Brasil ainda não decidiu se quer apenas assistir ou liderar.
De quem é a culpa pelo Brasil continuar tão alheio às próprias reservas de terras raras? E o que pode ser feito para mudar essa situação?


Se o B O Z O fosse o presidente , já teria entregado essas reservas ao Trump