Com juro real de 9,44%, o Brasil mantém a 2ª posição global, logo atrás da Turquia e à frente de Rússia e Argentina, enquanto o Copom segura a Selic em 15% e o MoneYou alerta para incerteza inflacionária, gastos públicos e menor ímpeto da atividade econômica, com dólar em queda.
Na quarta-feira, 10 de dezembro de 2025, o Brasil decidiu manter a taxa básica de juros em 15% ao ano, após reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central. A decisão consolidou o país na posição de 2º maior juro real do mundo, atrás apenas da Turquia, em um cenário em que a taxa elevada segue influenciando inflação, consumo e atividade econômica.
No mesmo dia 10 de dezembro, um levantamento do MoneYou mostrou que o juro real do Brasil está em 9,44%, calculado a partir da taxa nominal subtraída da inflação esperada para os próximos 12 meses. O relatório ressaltou que, mesmo com a queda global do dólar e com o menor ímpeto da atividade econômica, as incertezas inflacionárias permanecem relevantes, especialmente diante das preocupações com os gastos do governo.
Brasil mantém 2º maior juro real do mundo
O estudo do MoneYou confirma que o Brasil continua na 2ª colocação entre os maiores juros reais do planeta, com 9,44%, resultado diretamente ligado à manutenção da Selic em 15% ao ano.
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A Turquia lidera o ranking, com juro real de 10,33%, seguida da Rússia, em 3º lugar, com 7,89%.
A Argentina, que na medição anterior do MoneYou ocupava a 4ª posição com juro real de 5,16%, manteve a mesma colocação em dezembro, mas agora com taxa real de 7,14%, aproximando-se do patamar brasileiro.
Esses números mostram que o Brasil ainda oferece um dos retornos mais elevados do mundo, quando se considera o rendimento acima da inflação projetada.
Como é calculado o juro real no Brasil
O MoneYou lembra que o juro real é formado, entre outros pontos, pela taxa de juros nominal subtraída da inflação prevista para os próximos 12 meses.
No caso do Brasil, a combinação entre Selic a 15% e as expectativas de inflação ajuda a manter o país na parte de cima do ranking internacional.
Esse juro real elevado impacta diretamente o dia a dia da economia brasileira: encarece o crédito, desestimula investimentos produtivos e freia o consumo das famílias, ao mesmo tempo em que torna os títulos de renda fixa mais atrativos para investidores domésticos e estrangeiros.
Selic em 15% pela quarta vez seguida
Na decisão desta quarta-feira, o Copom optou por manter a Selic em 15% ao ano pela quarta reunião consecutiva, reforçando a postura de cautela diante do cenário inflacionário e fiscal.
Com isso, a taxa básica segue no maior patamar em quase 20 anos; em julho de 2006, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Selic estava em 15,25% ao ano.
A repetição da mesma taxa por quatro encontros seguidos indica que o Brasil ainda enfrenta forte incerteza inflacionária, apesar da recente queda do dólar e da desaceleração da atividade.
Para o MoneYou, o comportamento dos preços segue muito ligado às preocupações com os gastos do governo, o que reduz espaço para uma flexibilização rápida da política monetária.
Incerteza inflacionária, gastos do governo e atividade mais fraca
No relatório divulgado também em 10 de dezembro, o MoneYou destacou que o Brasil ainda convive com incertezas inflacionárias relevantes, em grande parte associadas à condução das contas públicas.
Os gastos do governo seguem como ponto sensível, pressionando as expectativas de inflação e limitando o potencial de cortes na Selic no curto prazo.
Ao mesmo tempo, a instituição observou que o índice de preços vem mostrando algum alívio, favorecido pela queda global do dólar e pelo menor ímpeto da atividade econômica, ambos efeitos da própria taxa de juros elevada.
Em outras palavras, a política monetária mais restritiva tem ajudado a conter a inflação, mas cobra um preço em termos de crescimento econômico no Brasil.
Brasil em 4º lugar nos juros nominais
Quando se observam apenas os juros nominais, sem descontar a inflação, o Brasil ocupa a 4ª posição no ranking global, atrás de Turquia, Argentina e Rússia.
A lista do MoneYou, que considera 40 países, mostra o seguinte quadro de taxas básicas divulgadas:
Turquia: 39,50%
Argentina: 29,00%
Rússia: 16,50%
Brasil: 15,00%
Colômbia: 9,25%
México: 7,25%
África do Sul: 6,75%
Hungria: 6,50%
Índia: 5,25%
Indonésia: 4,75%
Filipinas: 4,75%
Chile: 4,75%
Israel: 4,25%
Hong Kong: 4,25%
Polônia: 4,00%
Reino Unido: 4,00%
Estados Unidos: 3,75%
Austrália: 3,60%
República Tcheca: 3,50%
China: 3,00%
Malásia: 2,75%
Coreia do Sul: 2,50%
Nova Zelândia: 2,25%
Canadá: 2,25%
Alemanha: 2,15%
Áustria: 2,15%
Espanha: 2,15%
Grécia: 2,15%
Holanda: 2,15%
Portugal: 2,15%
Bélgica: 2,15%
França: 2,15%
Itália: 2,15%
Taiwan: 2,00%
Suécia: 1,75%
Dinamarca: 1,60%
Tailândia: 1,50%
Cingapura: 1,15%
Japão: 0,50%
Suíça: 0,00%
Esse conjunto de dados reforça que o Brasil permanece entre as economias com juros mais altos do mundo, tanto na comparação nominal quanto na real, o que influencia decisões de investimento, câmbio e política fiscal.
O que o cenário de juros diz sobre o Brasil hoje
Com juro real de 9,44% e Selic em 15% pela quarta vez seguida, o Brasil se mantém como destino atrativo para investidores em renda fixa, mas convive com uma política monetária que ainda funciona como freio importante sobre o consumo e a produção.
Ao mesmo tempo, a combinação entre incerteza inflacionária, preocupação com os gastos públicos e queda do dólar cria um ambiente delicado para o Banco Central, que precisa equilibrar o controle de preços com os efeitos sobre a atividade econômica.
Na sua opinião, o Brasil deveria começar a reduzir a Selic já na próxima reunião do Copom ou ainda é cedo para cortar os juros?

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