Expansão das reservas brasileiras de petróleo recoloca Margem Equatorial e Bacia de Pelotas no centro dos investimentos do setor, enquanto indústria projeta aumento da produção, retomada do emprego e novos aportes bilionários para manter o país entre os maiores produtores globais de óleo nas próximas décadas.
As projeções da indústria de óleo e gás indicam que o Brasil poderá ampliar suas reservas provadas de petróleo para 23,5 bilhões de barris na próxima década, desde que consiga avançar em novas frentes exploratórias, elevar a recuperação de campos maduros e manter investimentos anuais superiores a US$ 30,6 bilhões.
Apresentado no Rio de Janeiro, o Caderno Abespetro 2026 coloca a Margem Equatorial e a Bacia de Pelotas entre os principais pilares para sustentar a produção nacional por mais tempo, em um momento no qual o setor tenta ampliar competitividade e atrair novos operadores privados.
De acordo com dados mais recentes da ANP, o Brasil declarou 17,488 bilhões de barris em reservas provadas em 2025, volume considerado suficiente para manter o ritmo atual de produção apenas pelos próximos anos, caso não haja novas incorporações relevantes.
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Margem Equatorial ganha força na estratégia do petróleo brasileiro
Na avaliação da Abespetro, o país precisa acelerar a exploração em áreas ainda pouco testadas para transformar potencial geológico em reservas comercialmente viáveis, sobretudo em regiões consideradas estratégicas para garantir a continuidade da produção nas próximas décadas.

Entre as principais apostas aparece a Margem Equatorial, faixa marítima localizada entre o Amapá e o Rio Grande do Norte, enquanto a Bacia de Pelotas, no litoral do Rio Grande do Sul, também ganhou espaço nas projeções do setor petrolífero.
Apesar do potencial identificado, o avanço dessas áreas continua condicionado ao licenciamento ambiental, à estabilidade regulatória, à ampliação da capacidade de investimento e à manutenção dos leilões de novas áreas exploratórias.
No entanto, o avanço depende de licenciamento, segurança regulatória, capacidade de investimento e continuidade dos leilões de novas áreas.
Dados apresentados pela entidade mostram que o Brasil não realizou perfurações em áreas de nova fronteira entre 2018 e 2024, movimento que contrasta com o avanço observado em outros polos globais de exploração offshore durante o mesmo período.
Enquanto a Noruega perfurou 32 poços em novas fronteiras, Guiana e Suriname acumularam 62 perfurações, ao passo que regiões do sul e oeste da África contabilizaram outras 28 iniciativas exploratórias voltadas à descoberta de novas reservas.
Segundo Telmo Ghiorzi, presidente-executivo da Abespetro, a atividade exploratória precisa avançar até que as reservas alcancem viabilidade comercial, já que a ausência de novas descobertas pode comprometer a capacidade produtiva brasileira ao longo dos próximos anos.
A entidade sustenta que, sem novas descobertas e sem melhora na recuperação dos reservatórios atuais, o país pode perder capacidade produtiva ao longo dos próximos anos.
Reservas podem garantir produção até 2042
Considerando as reservas atualmente declaradas e uma produção estimada em 5 milhões de barris por dia, a Abespetro calcula que o Brasil teria capacidade para sustentar a atividade petrolífera até aproximadamente 2035, caso o cenário permaneça sem grandes descobertas adicionais.
Por outro lado, a conversão das reservas estimadas em reservas efetivamente provadas poderia ampliar esse horizonte até 2042, prolongando o ciclo de produção nacional e fortalecendo a posição brasileira entre os principais produtores globais de petróleo.
A ANP informou que as reservas provadas cresceram 3,84% em 2025 ante 2024.
O órgão também registrou 24,265 bilhões de barris em reservas provadas e prováveis, além de 28,877 bilhões de barris quando incluídas as reservas possíveis.
Além da abertura de novas áreas, Ghiorzi defende maior recuperação de campos já em operação.
Essa estratégia inclui projetos em reservatórios maduros, onde empresas independentes poderiam ampliar a produção caso houvesse mais espaço para atuação privada.
Petrobras concentra operação offshore no Brasil
A Abespetro também aponta a concentração da operação offshore como um dos entraves para ampliar investimentos.
Segundo Ghiorzi, a Petrobras detém 90,7% de participação nas operações de campos offshore no Brasil, índice superior ao observado em outras regiões produtoras.
“Precisamos de mais empresas privadas no Brasil”, afirmou o executivo, ao comparar a presença da Petrobras com a atuação de grandes petroleiras em mercados como América do Sul, Mar do Norte, oeste da África e Golfo do México.
A entidade também cobra mudanças regulatórias.
Entre os pontos citados estão a tributação sobre exportações de petróleo e ajustes nas regras de conteúdo local, consideradas importantes para reduzir o caráter punitivo aplicado a empresas que não cumprem metas previstas em contrato.
Empregos e investimentos voltam a crescer no setor de óleo e gás
Segundo estimativas da Abespetro, o setor de exploração e produção encerrou 2025 com aproximadamente 700 mil empregos diretos e indiretos, retomando um patamar que não era observado desde o início da década passada.
Na avaliação da entidade, o mercado voltou a ganhar força após um longo período de retração provocado pela queda internacional dos preços do petróleo e pelos impactos da Operação Lava Jato sobre a cadeia nacional de fornecedores e investimentos.
Para Ghiorzi, a recuperação do emprego mostra aquecimento recente da indústria, mas depende da manutenção dos ciclos de leilões e de um ambiente de negócios mais previsível.
A entidade afirma que o setor de óleo e gás responde por cerca de 11% do PIB brasileiro.
O preço internacional do petróleo também entrou no radar das empresas.
O Brent voltou a superar US$ 100 por barril em maio de 2026, em meio às tensões envolvendo o Irã e ao fechamento parcial do Estreito de Hormuz.
Ainda assim, Ghiorzi afirmou que decisões de investimento não são tomadas com base em oscilações diárias.
“Ninguém toma uma decisão hoje com base no preço de hoje ou de amanhã, já que o petróleo tem uma cotação volátil”, disse.
O executivo lembrou que a indústria passou a adotar mais cautela depois da forte queda das cotações na década passada.
Naquele período, o barril saiu de patamares superiores a US$ 100 e chegou a ficar abaixo de US$ 30, pressionando projetos e investimentos.

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