Brasil supera os Estados Unidos e se torna o terceiro país que mais gera empregos em energia solar no mundo, segundo relatório da IRENA e da OIT, ficando atrás apenas de China e Índia.
O avanço da energia solar consolidou o Brasil como um dos principais protagonistas da transição energética mundial. De acordo com o Relatório Anual de Energia Renovável e Empregos 2025, divulgado pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o país foi o terceiro que mais gerou empregos no setor solar em 2024.
Ao longo do ano, o Brasil contabilizou 323,8 mil postos de trabalho em energia solar. Com esse resultado, o país avançou uma posição no ranking internacional e superou, pela primeira vez, os Estados Unidos na geração de empregos ligados à fonte fotovoltaica.
China e Índia seguem à frente, mas Brasil reduz distância
O relatório aponta que a China continua como o maior polo global da energia solar. O país respondeu por 58% de toda a força de trabalho mundial do setor, com 4,2 milhões de empregos registrados em 2024. Em seguida, aparece a Índia, que somou 384,9 mil trabalhadores no segmento.
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Mesmo distante dos números chineses, o desempenho brasileiro chama atenção pela velocidade de crescimento e pela consolidação do setor em um cenário internacional mais desafiador. Os Estados Unidos ficaram na quarta posição, com 280,1 mil empregos em energia solar no período.
Ranking global destaca avanço brasileiro
Entre os países que mais empregaram na energia solar em 2024, o Brasil aparece em posição de destaque:
- China: 4,2 milhões
- Índia: 384,9 mil
- Brasil: 323,8 mil
- Estados Unidos: 280,1 mil
- Paquistão: 180 mil
- Vietnã: 135 mil
- Alemanha: 127 mil
- Turquia: 122 mil
- Itália: 100 mil
- Japão: 95 mil
O avanço brasileiro ocorre em um contexto de crescimento mais moderado do emprego global em energias renováveis, o que amplia a relevância do resultado.
Empregos em renováveis crescem menos, mas solar mantém liderança
Segundo a IRENA, apesar da expansão significativa da capacidade instalada de fontes limpas em 2024, o número total de empregos em energias renováveis cresceu apenas 2,3% em relação a 2023. O desempenho mais contido reflete fatores como automação, reorganização das cadeias produtivas e tensões geopolíticas.
Mesmo assim, a energia solar manteve sua posição como a principal fonte geradora de empregos no mundo. Em 2024, o setor empregou 7,237 milhões de pessoas, o equivalente a quase 44% de todos os postos de trabalho globais em energias renováveis.
Solar e biomassa puxam crescimento do emprego
Entre as principais fontes renováveis, apenas a energia solar e a biomassa registraram aumento no número de empregos ao longo de 2024. Esse movimento reforça o papel estratégico dessas tecnologias no avanço da transição energética.
A distribuição global de empregos por fonte ficou da seguinte forma:
- Energia solar: 7,23 milhões
- Biocombustíveis líquidos: 2,63 milhões
- Energia hidrelétrica: 2,26 milhões
- Energia eólica: 1,92 milhões
- Biomassa: 734 mil
- Solar térmica: 591 mil
- Bombas de calor: 388 mil
- Biogás: 332 mil
- Outras fontes: 186 mil
- Energia geotérmica: 161 mil
De forma mais ilustrativa, é possível observar a distribuição de dados de acordo com o relatório da IRENA, em inglês:

Brasil amplia base de empregos em energias renováveis
Além do bom desempenho da energia solar, o Brasil emprega atualmente cerca de 1,4 milhão de pessoas em todo o setor de energias renováveis. Esse número é impulsionado, sobretudo, pelas cadeias de biocombustíveis e pelas usinas hidrelétricas.
Para a IRENA, o país reúne condições favoráveis para ampliar ainda mais sua participação no mercado global de empregos verdes. Fatores como disponibilidade de recursos naturais, mercado interno em expansão e experiência acumulada em renováveis contribuem para esse cenário.
Desafios estruturais ainda exigem atenção
Apesar da liderança da energia solar na geração de empregos, o relatório destaca desafios importantes para os próximos anos. Entre eles estão o avanço da automação, as fricções geopolíticas e geoeconômicas e o desenvolvimento desigual do setor entre regiões.
A IRENA e a OIT ressaltam que garantir uma transição energética justa exigirá políticas públicas focadas na qualificação profissional, na inclusão de mulheres e pessoas com deficiência e no fortalecimento das cadeias produtivas locais.
Mesmo diante desses desafios, os dados indicam que a energia solar continua sendo a principal porta de entrada para empregos na economia de baixo carbono, com o Brasil ocupando um papel cada vez mais relevante nesse processo global.

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