Durante a COP30, em Belém, a primeira-dama Janja Lula da Silva afirmou que o Brasil não pode deixar de usar combustíveis fósseis de forma imediata, reforçando a importância do petróleo na transição energética do país.
Em um dos momentos mais comentados da COP30, realizada em Belém, a primeira-dama Janja Lula da Silva defendeu uma transição energética feita com responsabilidade e planejamento. Durante um painel no pavilhão do governo federal, na chamada Zona Verde do evento, Janja afirmou que o mundo ainda depende fortemente dos combustíveis fósseis e que o Brasil não pode simplesmente abandoná-los.
“A gente não pode acreditar que semana que vem, assim que terminar a COP, a gente vai deixar de usar de fósseis. Essa ainda não é uma realidade”, declarou. A fala reflete o posicionamento do governo brasileiro sobre a necessidade de equilibrar a exploração do petróleo com o avanço das energias renováveis.
A Zona Verde da conferência é o espaço aberto ao público, reunindo pavilhões de instituições, empresas e organizações sociais. Já a Zona Azul, restrita a credenciados, concentra as negociações diplomáticas e debates oficiais entre os países.
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Painel sobre sustentabilidade e o futuro energético do Brasil
O painel contou com a presença do secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos, e do presidente da Itaipu Binacional, Enio Verri. O debate tratou de sustentabilidade e do papel do Brasil na transição para fontes mais limpas.
No entanto, a fala de Janja repercutiu por evidenciar uma visão pragmática: segundo ela, o país precisa de um “mapa do caminho” para conduzir a mudança de matriz energética sem comprometer a economia. “A gente precisa construir o mapa do caminho. E o governo do Brasil, o presidente Lula está fazendo essa proposta e a gente tem falado isso com muita intensidade”, destacou a primeira-dama.
A fala foi uma resposta a comentários feitos durante o evento sobre a pesquisa de novas reservas de petróleo na Foz do Amazonas, um tema que vem gerando polêmica entre ambientalistas e especialistas.
Contradições e críticas à exploração de petróleo na Amazônia
A autorização para pesquisa de reservas de petróleo na Foz do Amazonas tem causado preocupação entre ambientalistas e setores da sociedade civil. Críticos afirmam que a medida vai na contramão dos compromissos assumidos pelo Brasil na agenda climática global, especialmente durante a COP30, que tem como principal objetivo acelerar o abandono dos combustíveis fósseis.
Contudo, dentro do próprio governo, há quem defenda que a exploração de petróleo ainda é necessária para garantir o financiamento da transição energética e o desenvolvimento econômico de regiões menos favorecidas.
Essa visão é compartilhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que no final de outubro afirmou que o país “não vai jogar fora” a riqueza gerada pelo petróleo. O presidente também anunciou, durante a Cúpula de Líderes da COP30, a criação de um fundo específico para destinar parte dos lucros da exploração de petróleo ao investimento em energias renováveis.
O equilíbrio entre economia, petróleo e sustentabilidade
A declaração de Janja reforça a estratégia do governo de adotar um discurso de transição gradual, reconhecendo o papel ainda central do petróleo na matriz energética nacional. Apesar do avanço das fontes renováveis — como solar, eólica e biomassa —, o setor de combustíveis fósseis continua sendo um dos principais motores da economia brasileira.
Segundo especialistas, o desafio está em promover um modelo de desenvolvimento que garanta empregos e crescimento econômico, ao mesmo tempo em que reduz as emissões de carbono. O posicionamento da primeira-dama na COP30 ecoa esse equilíbrio, defendendo que o país deve caminhar com realismo e planejamento diante das pressões internacionais por uma descarbonização acelerada.
A fala de Janja Lula da Silva reflete, portanto, a tentativa de alinhar o discurso climático brasileiro à realidade econômica nacional, sem ignorar o peso do petróleo como instrumento de soberania e transição.
