Enquanto a bola rola no MetLife Stadium, uma relação bem mais antiga liga os dois países pelo agronegócio. A parceria entre Brasil e Marrocos envolve açúcar, milho, café e, do outro lado, os fertilizantes que sustentam a lavoura nacional. O placar econômico tem suas próprias surpresas.
A torcida brasileira marcou o relógio para as 19h deste sábado, 13 de junho de 2026, quando a seleção estreia na Copa do Mundo contra o Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Fora das quatro linhas, porém, Brasil e Marrocos já jogam juntos há tempos numa parceria que pouca gente associa ao adversário desta noite. O elo é o agronegócio, e ele movimenta cifras que fazem o jogo parecer um detalhe diante da conta anual.
Os números vêm de levantamento publicado pela CNN Brasil, em reportagem assinada por Andressa Simão. Em 2025, a corrente de comércio entre os dois países somou US$ 2,8 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 14,3 bilhões na cotação atual. As exportações brasileiras para o mercado marroquino alcançaram US$ 1,4 bilhão, perto de R$ 7,1 bilhões, e as importações ficaram no mesmo patamar. Mesmo com os fluxos equilibrados, o Brasil fechou o ano com déficit de US$ 64,3 milhões, algo como R$ 328 milhões, e o país africano apareceu como o 44º principal destino das vendas brasileiras no período.
O açúcar manda na pauta de exportação

Açúcares e melaços responderam por 58,1% de tudo o que foi vendido ao mercado marroquino em 2025, de acordo com a CNN Brasil.
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Quase seis de cada dez dólares que o país africano gastou com o Brasil foram parar no açúcar e em seus derivados.
O detalhe dá a dimensão de como a relação se apoia em poucos itens de peso.
O restante da pauta exportadora também tem cara de campo.
Milho, animais vivos, café, frutas e especiarias completam a lista dos principais produtos agrícolas que seguem do Brasil para o Marrocos.
É uma cesta concentrada no agronegócio, setor que carrega a relação comercial e dita o ritmo das vendas. Pouca diversificação, muita dependência de commodities.
Do outro lado, o fertilizante que abastece a lavoura
A balança tem mão dupla, e a contrapartida marroquina é estratégica para quem planta no Brasil.
Os fertilizantes químicos representaram 84,8% de todas as importações brasileiras vindas do Marrocos em 2025, segundo o levantamento da CNN Brasil.
Mais de oito em cada dez dólares que o Brasil pagou ao país africano foram em insumos que mantêm a produtividade das safras nacionais.
O dado revela uma troca onde cada lado supre o que falta ao outro.
Essa engrenagem ajuda a explicar por que a relação resiste mesmo com o déficit.
O Brasil vende alimento e compra o adubo que viabiliza a produção desse mesmo alimento.
O Marrocos, com população de cerca de 38 milhões de habitantes, vem modernizando a agricultura e ampliando a demanda por comida e insumos, o que reforça os laços com o fornecedor brasileiro.
A dependência, nesse caso, é mútua.
2026 começou com a balança pendendo mais para o Marrocos
Os primeiros meses do ano já mostram a parceria em expansão, mas com um desequilíbrio maior.
Entre janeiro e maio de 2026, as exportações brasileiras para o Marrocos somaram US$ 328,3 milhões, cerca de R$ 1,67 bilhão, alta de 9,6% ante o mesmo período do ano anterior.
As importações, porém, dispararam para US$ 881,7 milhões, perto de R$ 4,5 bilhões, um avanço de 34,4% que puxou o saldo para o vermelho.
A corrente de comércio chegou a US$ 1,2 bilhão no recorte, ao redor de R$ 6,1 bilhões.
O resultado deixou o Brasil com saldo negativo de US$ 553,4 milhões nos cinco primeiros meses, algo próximo de R$ 2,8 bilhões.
Açúcares e melaços seguiram liderando a pauta de exportação, enquanto os fertilizantes mantiveram a ponta entre os produtos importados do país africano, conforme a CNN Brasil.
O padrão de 2025, portanto, se manteve, só que com as compras brasileiras crescendo num ritmo bem mais acelerado que as vendas.
Mato Grosso é protagonista no milho que segue para o norte da África
Há um estado que concentra boa parte dessa relação no caso do milho.
Dados do IMEA, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, indicam que o Marrocos importou 1,81 milhão de toneladas de milho do Brasil em 2025.
Desse total, 1,37 milhão de toneladas saiu apenas de Mato Grosso, o equivalente a 75% de tudo que o país embarcou para o mercado marroquino. A fatia mostra o quanto o cerrado mato-grossense pesa nessa rota.
As vendas do cereal renderam cerca de US$ 280 milhões aos produtores do estado ao longo do ano passado, algo como R$ 1,43 bilhão.
Em 2026, até o início de maio, Mato Grosso já tinha exportado 153 mil toneladas de milho para o Marrocos, movimentando aproximadamente US$ 33 milhões, perto de R$ 168 milhões.
O ritmo de 2026 ainda é parcial, mas confirma o estado como peça central no abastecimento marroquino.
Carne e açúcar fecham o retrato da troca
A proteína bovina também entra na conta entre os dois países, ainda que em volume menor.
Em 2025, Mato Grosso exportou 668 toneladas de carne bovina para o Marrocos, com receita de cerca de US$ 3 milhões, ao redor de R$ 15 milhões.
No total nacional, o Brasil embarcou 6.658 toneladas da proteína para o país africano no ano passado, faturamento superior a US$ 23 milhões, algo como R$ 117 milhões. A carne complementa uma pauta que tem no açúcar o seu carro-chefe.
E o açúcar, de fato, segue como um dos principais produtos brasileiros no destino marroquino.
Em 2025, o país africano importou 1,48 milhão de toneladas do produto, em negócios avaliados em aproximadamente US$ 591 milhões, cerca de R$ 3 bilhões, de acordo com os dados reunidos pela CNN Brasil.
É o item que sustenta a maior parte das vendas e que dá ao Brasil o papel de fornecedor de peso na mesa marroquina.
O jogo desta noite vai durar noventa minutos e render manchetes, mas a relação entre Brasil e Marrocos no campo econômico se mede em safras e contêineres ano após ano.
O agronegócio costura uma parceria de US$ 2,8 bilhões em que o açúcar brasileiro encontra o fertilizante marroquino, num arranjo que beneficia os dois lados mesmo quando o saldo pende para um deles.
Em 2026, com as importações em alta, esse equilíbrio segue em movimento.
E você, torce pela seleção e também acompanha o agronegócio? Imaginava que o adversário do Brasil na estreia da Copa fosse um parceiro comercial tão relevante para o campo brasileiro? Conta nos comentários o que achou desses números e se você atua no setor que vive dessas exportações. Queremos ler a sua visão sobre a parceria entre os dois países.

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