A Companhia Porto Piauí e a SC Portos assinaram um memorando de entendimento para estudar a viabilidade de uma nova rota de cabotagem entre o litoral piauiense e terminais catarinenses. Segundo o NSC, o acordo prevê análise de custos, fluxos de carga e modelos operacionais para o transporte marítimo de mercadorias pelo programa BR do Mar.
A Companhia Porto Piauí e a SC Portos Operações Portuárias formalizaram na última semana um memorando de entendimento que pode dar origem a uma nova rota marítima de cabotagem entre o Nordeste e o Sul do Brasil. O acordo, assinado após encontro entre executivos das duas empresas na Intermodal South America 2026, em São Paulo, prevê estudos conjuntos sobre a viabilidade de conectar o Porto de Luís Correia, no Piauí, ao Porto de Itajaí, em Santa Catarina. A intenção é criar uma alternativa de transporte marítimo ao frete rodoviário de longa distância, que hoje encarece os custos logísticos para empresas do interior nordestino.
A iniciativa está alinhada ao programa federal BR do Mar, política do governo que busca incentivar a navegação entre portos do mesmo país. O setor aquaviário brasileiro movimentou 1,4 bilhão de toneladas em 2025, e a cabotagem sozinha alcançou 303,7 milhões de toneladas, um crescimento de 3,4% em relação ao ano anterior, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários. É nesse cenário de expansão que surge a possibilidade de uma nova rota capaz de redesenhar a logística de mercadorias entre dois extremos da costa brasileira.
O que prevê o acordo entre Porto Piauí e SC Portos

O memorando de entendimento assinado pelas duas empresas não é um contrato de operação é um documento que formaliza o interesse mútuo e estabelece os parâmetros para um estudo técnico conjunto. Na prática, o acordo determina que as partes vão analisar modelos operacionais, estrutura de custos e potenciais fluxos de carga para entender se a nova rota de cabotagem faz sentido econômico.
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A parceria também prevê a designação de representantes de cada lado para coordenar pesquisas e compartilhar informações operacionais. A SC Portos entra com sua experiência em logística internacional e operação de terminais, enquanto a Companhia Porto Piauí contribui com o conhecimento sobre a demanda regional e o potencial de cargas do estado. O diretor comercial da Porto Piauí, Igor Pontes, afirmou que o plano de negócios do terminal vai definir quais cargas priorizar e quais operadores atrair.
Quais rotas estão sendo estudadas
Os levantamentos iniciais apontam que a nova rota conectaria o litoral piauiense ao litoral catarinense, funcionando como um corredor logístico marítimo entre dois extremos da costa nacional. O trajeto também poderia incluir escalas no Porto de Santos, em São Paulo, ampliando o alcance da operação para três regiões do país. No Sul, os terminais de Itajaí, Navegantes e Paranaguá já concentram parte expressiva das operações domésticas de contêineres.
A Universidade Federal de Santa Catarina já realiza, por meio de seu laboratório especializado, o plano de negócios do Terminal de Uso Privado de Luís Correia. Os estudos incluem identificação de rotas de escoamento estratégicas, levantamento de custos logísticos e análise de mercado. A equipe da UFSC esteve no Piauí em outubro de 2024 para coleta de dados primários e visita às obras do porto. Esse trabalho acadêmico dá sustentação técnica à nova rota e reduz o risco de decisões baseadas apenas em otimismo institucional.
O Porto de Luís Correia como novo corredor logístico
O Porto de Luís Correia, também chamado de Porto Piauí, está localizado na foz do Rio Igaraçu, braço do Rio Parnaíba, e está em fase de implantação. O complexo portuário terá terminais especializados para diferentes tipos de carga: pesqueiro, cargas gerais, grãos, minérios e, num plano mais ambicioso, um terminal dedicado a hidrogênio e amônia verde. O contrato de adesão com o Ministério de Portos e Aeroportos foi firmado em 2024.
A Cnaga, empresa reconhecida na operação de terminais alfandegários, anunciou a construção de uma unidade dentro do Porto Piauí com investimento inicial de R$ 21 milhões. O terminal ocupará 27 mil metros quadrados e terá estrutura para transporte de cargas e contêineres. A previsão é que as operações comerciais comecem ao longo de 2026, o que tornaria viável o funcionamento da nova rota de cabotagem já com infraestrutura mínima para receber embarcações.
O programa BR do Mar e o incentivo à cabotagem
A nova rota em estudo não existe isolada, ela faz parte de um movimento maior impulsionado pelo programa federal BR do Mar. A política foi criada para aumentar a oferta de embarcações na navegação costeira, reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade do transporte marítimo frente ao rodoviário, que ainda concentra a maior parte do frete doméstico no Brasil.
Os dados do setor ajudam a entender por que a cabotagem atrai cada vez mais atenção. Só os portos do Nordeste foram responsáveis por 60,7 milhões de toneladas transportadas por cabotagem em 2025. O programa BR do Mar facilita a entrada de novos operadores e otimiza o uso da infraestrutura portuária nacional, criando condições para que rotas como a proposta entre Piauí e Santa Catarina se tornem economicamente sustentáveis.
Os desafios que podem travar a nova rota
Apesar do entusiasmo, operadores do setor acompanham com cautela os próximos passos. O maior desafio do Porto de Luís Correia é se tornar competitivo em um mercado já disputado por portos nordestinos mais consolidados, como Suape, em Pernambuco, e Pecém, no Ceará, que possuem infraestrutura mais madura para movimentação de contêineres. A existência de demanda contínua é considerada decisiva para viabilizar qualquer nova rota de cabotagem.
Há também etapas regulatórias pendentes. A operação depende da conclusão de processos de licenciamento junto à Antaq e da habilitação aduaneira do terminal, dois trâmites que não possuem prazo público definido. Os custos operacionais da cabotagem no Brasil, incluindo preço do combustível naval, burocracias portuárias e disponibilidade de embarcações, também pesam na conta. Sem escala de carga suficiente e regularidade operacional, a nova rota corre o risco de não sair do papel.
O que empresas e regiões podem ganhar
Se a nova rota de cabotagem se concretizar, o impacto logístico seria sentido em ambas as pontas. Para empresas piauienses e nordestinas, o transporte marítimo oferece custos por tonelada significativamente menores do que o frete rodoviário de longa distância. A conexão direta com terminais catarinenses abriria acesso a cadeias produtivas do Sul sem depender exclusivamente de caminhões.
Para Santa Catarina, a nova rota ampliaria o volume de cargas movimentadas em seus portos, que já figuram entre os mais movimentados do país, o Porto de Itajaí ultrapassou 1,2 milhão de toneladas só no primeiro trimestre de 2026. O potencial de cargas identificado para o Piauí inclui produtos do agronegócio, fertilizantes, combustíveis e contêineres. A cabotagem transformaria o litoral piauiense em ponto estratégico de transporte marítimo em uma cadeia que hoje praticamente ignora o estado.
Você acredita que essa nova rota marítima pode realmente baratear o transporte entre o Nordeste e o Sul, ou acha que os desafios regulatórios e de infraestrutura vão impedir o projeto de sair do papel? Deixe sua opinião nos comentários.

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