Projeto em teste no Paraná chama atenção de cidades brasileiras e estrangeiras ao combinar pneus, trilhos virtuais e operação elétrica de alta capacidade. Veículo transporta até 280 pessoas e pode atingir 70 km/h, com estreia prevista para novembro.
O Bonde Urbano Digital (BUD), versão local do ART (Autonomous Rail Rapid Transit), entrou em fase de montagem no Paraná e despertou interesse imediato de ao menos sete capitais brasileiras, além de delegações estrangeiras.
O veículo, com pneus e guiagem por “trilhos virtuais”, foi concebido para transportar até 280 passageiros e pode atingir 70 km/h, oferecendo desempenho de média a alta capacidade para corredores urbanos.
O primeiro trecho ligará Pinhais a Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, com operação inicial prevista para começar em novembro, após a etapa de testes e comissionamento.
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Como funciona o Bonde Urbano Digital
Ao contrário de VLTs tradicionais sobre trilhos, o BUD circula no asfalto com pneus de borracha e segue um traçado definido por marcações digitais e sensores de alta precisão.
De acordo com o governo estadual, a guiagem virtual mantém o alinhamento mesmo sob chuva, vibrações ou desgaste da pista, reduzindo a necessidade de obras pesadas.
A tecnologia, desenvolvida pela CRRC Nanjing Puzhen, combina princípios de detecção ferroviária, controle coordenado de eixos e rastreamento automático, com o objetivo de garantir segurança e precisão de rota.

Estrutura e base de operação no Paraná
A implantação começou pelo Parc Autódromo de Pinhais, onde o veículo está sendo montado e passará pelos ensaios iniciais.
Paralelamente, avançam as obras da garagem e da base de manutenção no Terminal São Roque, em Piraquara, espaço que também vai abrigar o Centro de Controle Operacional (CCO).
A central fará o monitoramento em tempo real por câmeras e sensores distribuídos ao longo do trajeto.
Segundo o governo, o trecho direto previsto entre os terminais tem cerca de 10 quilômetros de extensão.
Capitais brasileiras e países interessados
A apresentação do projeto levou cidades e estados como Florianópolis, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Cuiabá a procurar o Paraná para conhecer detalhes do sistema.
Fora do país, houve manifestações de Buenos Aires e Córdoba, na Argentina, além de representantes da Costa Rica, Colômbia e Chile.
O objetivo das visitas técnicas é avaliar requisitos de infraestrutura, manutenção, integração com as redes existentes e cronograma de implantação.
Visita técnica e autoridades envolvidas
Na terça-feira (14), uma comitiva com prefeitos de Santa Catarina e representantes do Governo de Mato Grosso esteve no estado para acompanhar a montagem e discutir o plano operacional.
O grupo foi recebido no Palácio Iguaçu pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior, pelo secretário da Fazenda Norberto Ortigara e pelo diretor-presidente da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep), Gilson Santos.
Em seguida, seguiu para o Parc Autódromo de Pinhais para observar o andamento dos trabalhos.
O que dizem o governo e os prefeitos
Em declaração oficial, o governador afirmou: “Nós estamos felizes em trazer essa inovação para o transporte público da América do Sul. Estamos em processo de montagem do veículo, e isso tem despertado a curiosidade de diversos estados e cidades. Isso nos anima, principalmente por ser uma oportunidade de oferecer mais comodidade e qualidade de vida para os trabalhadores e para as pessoas que utilizam o transporte público diariamente.”

A Amep informou que as últimas peças de montagem já chegaram e que os testes de integração antecedem a operação com passageiros.
Entre os visitantes, o prefeito de Balneário Piçarras e presidente da Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí (Amfri), Tiago Maciel Baltt, destacou que a região busca financiamento junto ao Banco Mundial para projetos de mobilidade e avaliou o BUD como alternativa possível para a ligação entre cidades da foz do Itajaí.
Segundo ele, a experiência paranaense ajuda a balizar estudos de demanda e custos na avaliação catarinense.
Capacidade, velocidade e características do veículo
O modelo em testes no Paraná tem cerca de 30 metros de comprimento, três eixos e operação bidirecional, o que facilita manobras e dispensa retornos complexos ao final de cada viagem.
O veículo é totalmente elétrico, possui ar-condicionado e foi projetado para transportar até 280 passageiros, dentro de uma plataforma voltada a reduzir intervalos e aprimorar o conforto.
A velocidade máxima informada é de 70 km/h, adequada a corredores segregados e cenários de prioridade viária.
Público atendido e objetivo dos testes
O corredor Pinhais–Piraquara atende cerca de 10 mil passageiros por dia com ônibus convencionais.
Na fase de testes, os veículos atuais continuarão operando normalmente, enquanto o BUD passa por validações técnicas e procedimentos de segurança sob supervisão do CCO.
Só após a conclusão dessas etapas a operação com público será liberada.
A meta é aferir desempenho, confiabilidade e aderência do sistema ao cotidiano do transporte metropolitano.

Tecnologia de trilhos virtuais
Para a fase de testes, estão previstas intervenções no pavimento para instalação de sensores magnéticos que determinam o caminho a ser seguido pelo veículo.
Essa solução viabiliza a guiagem virtual e dispensa a construção de trilhos.
Em síntese, trata-se de aplicar recursos de detecção e controle que aproximam o comportamento de uma composição sobre trilhos ao custo e à flexibilidade de um ônibus de alta capacidade.
Cronograma e próximos passos
De acordo com o governo do Paraná, a expectativa é iniciar testes e viagens em novembro, condicionados ao comissionamento do material rodante, à calibração de sistemas e ao treinamento de equipes.
As atividades incluem provas dinâmicas, checagem do sistema de guiagem digital, validações de segurança e ajustes operacionais no CCO e na base de manutenção do Terminal São Roque.
Potencial e perspectivas de expansão
A proposta atrai gestores públicos por combinar implantação mais rápida do que sistemas sobre trilhos e capacidade superior à de linhas convencionais de ônibus.
Como o BUD opera no asfalto, as intervenções civis tendem a ser menos extensas e custosas, preservando a possibilidade de ampliação por etapas conforme a demanda.
Além disso, a operação elétrica e o controle automatizado de trajetória buscam reduzir emissões e aumentar a regularidade dos intervalos, pontos sensíveis em corredores metropolitanos.
Com o avanço das avaliações e a curiosidade de outras capitais, resta saber qual fator será mais decisivo para sua adoção em larga escala: a eficiência comprovada em operação real ou o custo reduzido em comparação a BRTs e VLTs?

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