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Biodiesel: Frente pressiona governo por Mistura B16 e cita interesses da Petrobras

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 13/02/2026 às 13:02
Atualizado em 13/02/2026 às 13:04
Biodiesel pressiona governo por Mistura B16; Frente aponta influência da Petrobras na política energética e no diesel renovável.
Foto: IA
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Biodiesel pressiona governo por Mistura B16; Frente aponta influência da Petrobras na política energética e no diesel renovável.

A elevação da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel voltou ao centro do debate nacional após pressão política sobre o governo federal.

O presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel, deputado Alceu Moreira (MDB-RS), afirmou nesta quinta-feira (12), em São Paulo, que existem entraves internos para a adoção da Mistura B16 já em março, como prevê a legislação.

Segundo ele, integrantes do governo estariam atuando para proteger interesses comerciais da Petrobras. O tema ganhou força durante evento do setor e reacendeu discussões sobre política energética, segurança jurídica e expansão do diesel renovável no Brasil. 

De acordo com o cronograma legal, o percentual de biodiesel deveria subir de 15% para 16% — avanço conhecido como Mistura B16.

No entanto, a decisão ainda não foi oficializada, gerando apreensão na cadeia produtiva. 

Governo alega necessidade de estudos para elevar biodiesel 

Enquanto o setor pressiona pela implementação imediata, o Ministério de Minas e Energia já sinalizou cautela.

Um representante da pasta afirmou anteriormente que seriam necessários novos estudos técnicos antes da mudança. 

A justificativa, porém, é contestada pela Frente Parlamentar. Para Moreira, não existe risco técnico que impeça a ampliação da mistura. 

“O B16 pode perfeitamente entrar em vigor de acordo com a lei no mês de março, sem nenhum risco. Não há nada que não aconteça em um veículo usando B15 que vá acontecer em um usando B16”, disse ele à Reuters. 

Assim, o embate envolve não apenas aspectos técnicos, mas também diretrizes de política energética e interesses de mercado. 

Interesses da Petrobras entram no centro da discussão 

Um dos pontos mais sensíveis levantados pela Frente do Biodiesel envolve a atuação da Petrobras no debate.

Segundo Moreira, haveria resistência dentro da Casa Civil para aprovar a Mistura B16. 

Na avaliação dele, o motivo seria econômico: com mais biodiesel na composição, a estatal venderia menos diesel fóssil. 

Além disso, o parlamentar citou o avanço do chamado diesel coprocessado — combustível produzido com pequena fração renovável em refinarias — que não integra a mistura obrigatória. 

“Há pessoas na Casa Civil que interferem no processo dando palpite furado porque tem uma relação negocial com a Petrobras.” 

Procuradas, Casa Civil e Petrobras não comentaram as declarações.

O Ministério de Minas e Energia também não detalhou o andamento da decisão. 

Decisão depende do CNPE 

O setor aguarda agora que o tema seja pautado no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

O colegiado é responsável por definir diretrizes estratégicas do setor de combustíveis. 

Segundo Moreira, o diálogo institucional segue ativo. 

“O diálogo com o governo é permanente porque esta é uma questão de Estado, não é uma questão de esquerda ou direita, por isso fizemos a lei do Combustível do Futuro, para dar segurança jurídica.” 

Portanto, a implementação da Mistura B16 depende de decisão política alinhada à estratégia energética nacional. 

Safra de soja fortalece argumento pró-biodiesel 

Outro ponto destacado pela Frente Parlamentar envolve a oferta de matéria-prima.

O Brasil registra safra recorde de soja, principal insumo do biodiesel. 

Na visão do deputado, isso elimina temores de pressão inflacionária sobre combustíveis. 

O argumento contraria preocupações anteriores do governo, que citou possível alta de preços como fator para adiar a medida.

Assim, o cenário agrícola reforça a defesa do diesel renovável como alternativa economicamente viável. 

Impactos econômicos e energéticos da Mistura B16 

A ampliação da mistura também teria efeitos estruturais relevantes.

Segundo o parlamentar, o Brasil importa atualmente cerca de 30% do diesel que consome. 

Com maior participação do biodiesel, essa dependência externa poderia cair.

Além disso, haveria estímulo direto à indústria nacional. 

Hoje, o setor opera com aproximadamente 50% de capacidade ociosa.

Ou seja, existe estrutura pronta para produzir mais sem necessidade de novos investimentos imediatos. 

Portanto, a Mistura B16 é vista como instrumento de política energética, desenvolvimento industrial e transição para combustíveis mais limpos. 

Biodiesel ganha peso estratégico na transição energética 

O debate vai além da mistura em si. Ele reflete o papel do biodiesel na matriz energética brasileira. 

Como combustível renovável, o produto reduz emissões e fortalece cadeias agrícolas.

Ao mesmo tempo, amplia a diversificação energética e reduz vulnerabilidades externas. 

Nesse contexto, a definição sobre a Mistura B16 torna-se decisiva para o ritmo da transição energética nacional — equilibrando interesses da Petrobras, do agronegócio e da indústria de biocombustíveis. 

Veja mais em: Frente do Biodiesel cobra governo sobre alta da mistura e cita interesses da Petrobras

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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