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Barreira feita com fios de cabelo é usada para limpar a Baía de Guanabara e usa tecnologia simples para conter óleo e lixo

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 01/04/2026 às 20:35
Atualizado em 01/04/2026 às 20:37
Tecnologia com barreira feita com fios de cabelo para conter óleo e lixo chega à Baía de Guanabara e reforça a proteção ambiental dos manguezais.
Tecnologia com barreira feita com fios de cabelo para conter óleo e lixo chega à Baía de Guanabara e reforça a proteção ambiental dos manguezais. (Imagem gerada por IA)
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Tecnologia com barreira feita com fios de cabelo para conter óleo e lixo chega à Baía de Guanabara e reforça a proteção ambiental dos manguezais.

Uma nova estratégia de combate à poluição começa a transformar a realidade da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Trata-se da instalação de uma barreira feita com fios de cabelo para conter óleo e lixo, posicionada na Enseada de Bom Jesus, na Ilha do Fundão.

A ação foi colocada em prática por meio da união entre os projetos Orla Sem Lixo Transforma (OSLT) e Fiotrar, com apoio da Fundação Grupo Boticário.

A iniciativa utiliza cabelo humano reaproveitado para capturar poluentes e impedir que resíduos atinjam áreas sensíveis.

O foco principal é proteger os manguezais, essenciais para o equilíbrio ambiental da região.

Enquanto isso, a aplicação em ambiente natural marca um novo estágio da tecnologia, que até então vinha sendo testada em condições controladas.

Integração de soluções amplia eficiência no combate à poluição

Diferentemente de métodos isolados, a barreira feita com fios de cabelo para conter óleo e lixo atua de forma complementar.

A estrutura já existente, com cerca de 300 metros, continua responsável por reter resíduos sólidos.

No entanto, a novidade está na incorporação de rolos feitos com malha de algodão preenchidos com fios de cabelo.

Esses dispositivos passam a atuar diretamente na absorção de óleo presente na água.

Assim, a solução consegue agir em múltiplas frentes ao mesmo tempo. Além de conter o lixo, também reduz a dispersão de substâncias oleosas.

Foto: Reprodução/TV Globo

Solução sustentável nasce de anos de pesquisa

O uso de cabelo humano como recurso ambiental não surgiu por acaso. A tecnologia foi desenvolvida ao longo de anos de pesquisa, até alcançar um modelo viável para aplicação prática.

Segundo Caroline Carvalho, diretora do Fiotrar:
“Este momento é, acima de tudo, a validação de anos de pesquisa e desenvolvimento da nossa tecnologia. Depois de um longo caminho para transformar uma ideia em uma solução aplicável, chegar a essa etapa significa provar, na prática, que é possível unir ciência, sustentabilidade e impacto social de forma concreta”.

Dessa forma, a barreira feita com fios de cabelo para conter óleo e lixo passa a representar um exemplo concreto de inovação sustentável.

Testes em campo garantiram adaptação da tecnologia

Antes da instalação definitiva, a solução passou por uma série de testes realizados ao longo do último ano.

O objetivo foi ajustar o sistema às características específicas da Baía de Guanabara.

De acordo com Susana Vinzon, coordenadora do Orla Sem Lixo Transforma:

“A instalação da barreira conjunta é resultado de um ciclo de testes conduzido ao longo do último ano, que buscou adaptar a tecnologia às condições ambientais específicas da Baía de Guanabara e às características estruturais das barreiras desenvolvidas”.

Esse processo foi essencial para garantir a eficiência da barreira em um ambiente complexo e dinâmico.

Capacidade de absorção torna cabelo um aliado ambiental

Um dos pontos que mais chamam atenção na tecnologia é o uso de cabelo humano como matéria-prima. O material, frequentemente descartado, possui alta capacidade de conter óleo.

Estudos indicam que um único grama de cabelo pode absorver até cinco gramas de substâncias oleosas.

Isso faz com que a barreira feita com fios de cabelo para conter óleo e lixo seja uma alternativa eficiente e de baixo custo.

Foto: Reprodução/TV Globo

Além disso, o reaproveitamento contribui para práticas sustentáveis e reduz o desperdício.

Preservação dos manguezais é prioridade na região

A instalação da barreira tem impacto direto na conservação dos manguezais da Baía de Guanabara. Esses ecossistemas desempenham funções essenciais para o meio ambiente.

Eles atuam como proteção natural contra erosão e ajudam a amenizar os efeitos de eventos climáticos extremos. Em alguns casos, podem reduzir a força das ondas em até 60%.

No entanto, a presença de óleo e lixo compromete esse equilíbrio. Ao impedir que esses poluentes cheguem às raízes e ao solo, a nova tecnologia contribui para manter o funcionamento desse sistema natural.

Parcerias fortalecem soluções ambientais inovadoras

A iniciativa também evidencia a importância da colaboração entre diferentes setores. O projeto reúne pesquisadores, instituições e comunidades locais em torno de um objetivo comum.

Para Liziane Alberti, especialista da Fundação Grupo Boticário:

“Essa iniciativa mostra como diferentes soluções podem se complementar para enfrentar desafios ambientais complexos como a poluição marinha. Ao apoiar o desenvolvimento dos projetos em diferentes regiões do país e promover essa conexão, buscamos justamente potencializar os impactos positivos, aproximando ciência, inovação e comunidades locais em torno de soluções concretas”.

Portanto, a integração entre conhecimento científico e participação social amplia o impacto da ação.

Tecnologia aponta novos caminhos para o futuro sustentável

Com resultados iniciais positivos, a expectativa é que a solução seja replicada em outras regiões afetadas pela poluição hídrica. A simplicidade da aplicação e o baixo custo favorecem essa expansão.

Além disso, a proposta reforça o conceito de economia circular ao transformar resíduos em recursos úteis.

Assim, a barreira feita com fios de cabelo para conter óleo e lixo se consolida como uma alternativa promissora, capaz de redefinir estratégias de preservação ambiental no Brasil.

Fonte: Ciclo Vivo

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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