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Banco Central aponta déficit primário de R$ 14,4 bilhões em novembro, estatais afundam R$ 2,9 bilhões no mês, rombo de 2025 chega a R$ 61,3 bilhões, dívida salta a 79,0% do PIB, sem contar juros

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 31/12/2025 às 16:53
Atualizado em 31/12/2025 às 17:05
Banco do Brasil em foco: Banco Central aponta déficit primário de R$ 14,4 bi em novembro nas contas públicas; estatais ampliam o rombo e a dívida pública sobe a 79,0% do PIB no acumulado de 2025.
Banco do Brasil em foco: Banco Central aponta déficit primário de R$ 14,4 bi em novembro nas contas públicas; estatais ampliam o rombo e a dívida pública sobe a 79,0% do PIB no acumulado de 2025.
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Banco Central divulga dados em 30 de dezembro de 2025: as contas públicas fecharam novembro com déficit primário de R$ 14,4 bilhões, com estatais em queda. No acumulado de 2025, déficit é de R$ 61,3 bilhões e a dívida pública sobe a 79,0% do PIB.

Em 30 de dezembro de 2025, o Banco Central informou que as contas públicas do setor público consolidado registraram déficit primário de R$ 14,4 bilhões em novembro. O dado oficial apresentado é do Banco Central, e o resultado não inclui juros da dívida pública.

No detalhamento divulgado em 30 de dezembro de 2025, o Banco Central informou que, em novembro, o governo federal teve saldo negativo de R$ 16,9 bilhões, estados e municípios somaram superávit de R$ 5,3 bilhões e as estatais registraram déficit de R$ 2,9 bilhões. No acumulado de 2025, as contas públicas seguem no vermelho e a dívida pública avançou para 79,0% do PIB, sem contar os juros no cálculo do resultado primário.

O que significa déficit primário nas contas públicas

Déficit primário é o resultado das contas públicas antes do pagamento de juros.

Quando as receitas ficam abaixo das despesas, surge o déficit primário, indicador usado para medir o esforço fiscal corrente sem misturar o custo financeiro da dívida pública.

O Banco Central reforça que o indicador agrega governo federal, estados, municípios e estatais, oferecendo uma visão consolidada do setor público.

No debate público, a expressão Banco Central aparece com frequência como atalho para o tema fiscal, mas o número que interessa aqui é o do Banco Central sobre contas públicas, déficit primário e dívida pública.

Novembro sob a lupa: governo federal, estados e municípios, estatais

Em novembro, o déficit primário de R$ 14,4 bilhões foi pior do que o rombo de R$ 6,6 bilhões observado no mesmo mês do ano anterior, segundo a comparação divulgada.

Esse movimento recoloca as contas públicas no centro do debate, sobretudo porque o resultado mensal pode oscilar com calendário de receitas e despesas.

A decomposição mostra o peso relativo de cada bloco.

O governo federal respondeu pelo maior saldo negativo, com R$ 16,9 bilhões, enquanto estados e municípios mitigaram o resultado com superávit de R$ 5,3 bilhões.

Já as estatais contribuíram com déficit de R$ 2,9 bilhões, reforçando o papel das estatais na fotografia de curto prazo do déficit primário e das contas públicas.

Parcial de 2025: déficit primário de R$ 61,3 bilhões e comparação histórica

No acumulado de janeiro a novembro, o Banco Central informou déficit primário de R$ 61,3 bilhões nas contas públicas.

Desse total, as estatais responderam por déficit de R$ 10,3 bilhões, o que mostra que a discussão sobre estatais não se limita a um único mês.

A comparação com anos anteriores altera a leitura.

No mesmo período do ano passado, o setor público teve déficit primário de R$ 63,3 bilhões, portanto 2025 ficou melhor, embora ainda deficitário.

Em 2023, de janeiro a novembro, o déficit primário foi de R$ 119,5 bilhões, patamar significativamente mais alto, dado usado pelo Banco Central para sustentar que a melhora de 2025 é relevante, mesmo sem superávit.

Estatais: o que compõe o rombo e onde ele se concentra

O rombo das estatais de R$ 10,3 bilhões no acumulado de 2025 foi puxado principalmente pelas empresas federais, com déficit de R$ 6,3 bilhões.

As estatais estaduais também ficaram no negativo, com R$ 3,7 bilhões, e as estatais municipais registraram déficit de R$ 365 milhões.

Em novembro, o déficit de R$ 2,9 bilhões das estatais se soma a esse quadro anual.

Para quem acompanha o tema, inclusive leitores que chegam ao assunto por buscas como Banco Central, o dado relevante é que estatais podem alterar rapidamente sua contribuição para o déficit primário e, por consequência, para as contas públicas.

Dívida pública: 79,0% do PIB e R$ 10 trilhões

A dívida do setor público consolidado avançou 0,6 ponto percentual em novembro e atingiu 79,0% do PIB, o equivalente a R$ 10 trilhões.

Especialistas costumam usar a razão dívida pública sobre PIB para comparar países, e o dado é sensível a crescimento, inflação, resultado fiscal e custo financeiro.

No acumulado de 2025, a dívida pública subiu 2,8 pontos percentuais do PIB.

Embora o déficit primário não inclua juros, a dinâmica da dívida pública é influenciada por ambos: o resultado primário e o pagamento de juros.

É por isso que a discussão fiscal, frequentemente pesquisada com termos como Banco Central, retorna ao mesmo tripé: contas públicas, déficit primário e dívida pública.

Como ler o número de novembro sem confundir fluxo e estoque

O déficit primário de novembro, isoladamente, não define o ano, mas sinaliza pressão quando comparado ao mesmo mês do ano anterior.

O acumulado de R$ 61,3 bilhões e o patamar de 79,0% do PIB na dívida pública colocam a discussão em duas frentes que se conversam, mas não são a mesma coisa.

A primeira frente é o fluxo: mês a mês, as contas públicas revelam se o déficit primário está caindo, estabilizando ou subindo, e qual é o peso das estatais nesse desenho.

A segunda frente é o estoque: a dívida pública reage ao saldo fiscal, ao crescimento do PIB e ao custo financeiro. Quando o fluxo piora, o estoque tende a pressionar mais cedo ou mais tarde.

Os dados de novembro divulgados em 30 de dezembro de 2025 apontam déficit primário de R$ 14,4 bilhões nas contas públicas, com estatais no vermelho e dívida pública em 79,0% do PIB.

Mesmo com melhora do acumulado de 2025 frente a 2024, o quadro ainda é deficitário e exige atenção aos movimentos de estatais e à trajetória da dívida pública.

Se você acompanha política fiscal, o passo mais útil é monitorar, a cada divulgação, a composição do déficit primário, a contribuição das estatais e a variação da dívida pública como proporção do PIB, sem confundir resultado primário com juros.

Que medida deveria vir primeiro para melhorar as contas públicas: reduzir o rombo das estatais ou aumentar o superávit do governo federal?

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Bruno Teles

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