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Bancário largou a segurança do banco em 1986 para abrir uma pequena facção inspirada na mãe costureira, e hoje a fábrica produz 4 milhões de peças por ano e emprega mais de 800 pessoas

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 31/07/2026 às 17:23 Atualizado em 31/07/2026 às 17:28
Ele saiu do banco em 1986 para abrir uma facção em Blumenau. Hoje a fábrica produz 4 milhões de peças por ano e emprega mais de 800 pessoas.
Ele saiu do banco em 1986 para abrir uma facção em Blumenau. Hoje a fábrica produz 4 milhões de peças por ano e emprega mais de 800 pessoas.
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Sérgio Ferrari tinha 25 anos e um emprego estável no banco estadual catarinense quando pediu demissão para montar uma facção de costura no bairro Garcia, em Blumenau. Quarenta anos depois, a fábrica que nasceu dali é uma das maiores do setor de moda infantil e juvenil do país.

Em 1986, um jovem de 25 anos entregou a carta de demissão no antigo Banco do Estado de Santa Catarina, o BESC, e foi montar uma pequena facção de confecção em Blumenau, no Vale do Itajaí. O nome do negócio era Sol Tropical, funcionava no bairro Garcia e costurava peças para outras marcas. Quarenta anos depois, a fábrica que nasceu dali produz cerca de 4 milhões de peças por ano e emprega mais de 800 pessoas, conforme reportagem de Brenda Bittencourt publicada pelo ND Mais em 31 de julho de 2026.

A empresa hoje se chama Tex Cotton, ocupa o antigo complexo industrial da Sulfabril e reúne cinco marcas próprias de moda infantil e juvenil. A inspiração inicial veio de dentro de casa: a mãe de Sérgio Ferrari trabalhava como costureira. As marcas do grupo estão em mais de 3 mil pontos de venda no Brasil.

A têxtil já estava na família antes do negócio

A ligação com a indústria do vestuário vinha de duas gerações. Além da mãe costureira, Ferrari tem no avô uma referência do setor: Leopoldo Ferrari operava tear na Companhia Hering e foi premiado em 1965 como Operário Padrão de Blumenau e de Santa Catarina, segundo perfil publicado pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina.

Essa memória virou objeto dentro da própria empresa. Um painel em acrílica do artista blumenauense Jean Tomedi, que ocupa uma parede inteira na sala da presidência, reúne as duas pontas da história: de um lado o avô diante da máquina de tear, de outro uma locomotiva a vapor passando em frente ao prédio que a companhia arrematou décadas depois.

Onze anos costurando para outras marcas

Ele saiu do banco em 1986 para abrir uma facção em Blumenau. Hoje a fábrica produz 4 milhões de peças por ano e emprega mais de 800 pessoas.
Ele saiu do banco em 1986 para abrir uma facção em Blumenau. Hoje a fábrica produz 4 milhões de peças por ano e emprega mais de 800 pessoas.

A operação começou no modelo conhecido como private label, ou seja, produzindo roupa que sai da fábrica com etiqueta de terceiros. Foi assim durante onze anos, atravessando inclusive a crise dos anos 1990, período em que boa parte da indústria têxtil brasileira encolheu diante da abertura comercial.

A virada veio em 1997, com a reestruturação da empresa, a troca do nome para Tex Cotton e a decisão de mirar exclusivamente o público infantil e juvenil. Nessa fase, a companhia passou a atender grandes magazines, entre eles a Renner, o que a colocou em contato direto com a lógica de escala, prazo e padrão de qualidade do varejo nacional.

Dos personagens licenciados à primeira marca própria

O passo seguinte foi a produção de peças licenciadas com personagens conhecidos do público infantil, como Hello Kitty e Pucca. Licenciamento exige controle de qualidade rígido e capacidade de entrega, e funcionou como uma espécie de certificação informal para a empresa dentro do setor.

Em 2008 veio a primeira marca própria, a Animê. Ferrari atribui essa decisão diretamente ao aprendizado obtido no atendimento aos grandes magazines, e aponta dois ganhos: mais liberdade para criar e mais rentabilidade. A diferença entre os dois modelos é grande. Quem produz para terceiros vende capacidade instalada e opera com margem apertada. Quem tem marca própria assume risco de coleção e de estoque, mas fica com a parcela do preço que antes ia para o cliente.

O que a fábrica produz hoje

O portfólio atual reúne cinco marcas: Momi, Authoria, Youccie, Animê e a mais recente, Bimbi. A Momi, voltada ao público feminino infantil, é a principal delas e responde por cerca de metade do volume anual. A Youccie foi criada para o público masculino infantil, com tamanhos que vão de 0 a 18 anos.

Toda a produção atual está direcionada às marcas próprias, sem retorno ao modelo de private label. O volume de 4 milhões de peças por ano não sai de uma única linha nem de um único endereço, já que a companhia opera duas unidades industriais e mantém parte da costura com facções parceiras de longa data, arranjo comum na cadeia têxtil do Vale do Itajaí.

O leilão que trouxe a Sulfabril de volta à atividade

Em dezembro de 2018, a empresa arrematou em leilão o antigo complexo industrial da Sulfabril, na Rua Itajaí, um dos endereços mais simbólicos da história têxtil de Blumenau. O conjunto principal, avaliado em R$ 41,25 milhões, saiu por R$ 34,35 milhões após uma disputa com outros quatro interessados, com entrada de 10% e parcelamento em 72 vezes. Somando outros lotes da massa falida, o desembolso total chegou a cerca de R$ 38 milhões.

A motivação foi prática. A operação estava espalhada por vários imóveis no bairro Garcia e precisava se reorganizar em um só lugar. A reforma começou em 2019 e trocou tudo, da iluminação ao telhado, em uma área construída de cerca de 45 mil metros quadrados. A última parcela da compra foi quitada em 6 de dezembro de 2024. Na revitalização, foram preservados a praça aberta à comunidade, a antiga ferrovia e uma locomotiva restaurada, e o complexo passou a abrigar também uma loja de fábrica.

A segunda unidade e a troca no comando

Em 2021, a companhia anunciou sua primeira fábrica fora de Blumenau, em Otacílio Costa, na Serra catarinense. A escolha do município foi justificada pela disponibilidade de mão de obra, e a unidade começou produzindo peças que exigiam menor grau de qualificação. Na época, a empresa tinha 35 anos de mercado e mais de 500 funcionários.

A estrutura societária também mudou. Em setembro de 2024, o então diretor financeiro Ricardo Lyra foi promovido a presidente da companhia, em processo de sucessão anunciado publicamente. Sérgio Ferrari passou a ocupar a presidência do conselho de administração, mantendo a condição de fundador. Lyra teve participação ativa na compra do parque fabril da antiga Sulfabril.

Jornada reduzida depois dos 50 e escola de costura

Dois programas internos chamam atenção no perfil da empresa. O Vida Ativa é destinado a trabalhadores com mais de 50 anos e oferece jornada reduzida, com o objetivo declarado de manter profissionais experientes na ativa em vez de empurrá los para fora do mercado.

O segundo é uma escola de costura mantida pela própria companhia para formar novas profissionais, com foco em mulheres. A iniciativa responde a um gargalo real do setor têxtil catarinense, que é a escassez de costureiras qualificadas, problema que aparece com frequência nos diagnósticos da indústria da região e que ajudou inclusive a definir a escolha de Otacílio Costa como segunda base produtiva.

Os 40 anos em 2026

O aniversário de quatro décadas está sendo marcado por uma série de ações ao longo de 2026, sob o conceito de unir histórias e corações. A empresa celebra o ciclo completo entre o barracão do bairro Garcia e o complexo de 45 mil metros quadrados na Rua Itajaí.

Entre as atividades previstas está a Tex Run, primeira corrida organizada pela companhia e aberta à comunidade, marcada para 30 de agosto, com percursos de 4 quilômetros e 8 quilômetros, caminhada e prova infantil pelas ruas centrais de Blumenau. A empresa também será patrocinadora do tradicional Carro da Bolacha nos desfiles oficiais da Oktoberfest Blumenau.

E você, largaria um emprego estável para começar um negócio do zero? Conta aqui nos comentários se conhece alguém que fez essa troca e como foi o resultado, e diga também se você acha que ainda dá para construir uma indústria assim no Brasil de hoje.

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Joao
Joao
31/07/2026 18:42

Abriu uma facção…. Kkkkkkkkkkkk..

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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