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Filha de pedreiro e dona de casa da zona rural da menor cidade do Ceará, jovem de 20 anos trabalhava desde as 7h, percorria mais de 70 quilômetros por dia para cursar Odontologia e estudava de madrugada, até ser aprovada em dois cursos de Medicina, incluindo a Universidade Federal do Cariri

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Escrito por Carla Teles Publicado em 31/07/2026 às 07:57 Atualizado em 31/07/2026 às 07:58
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Filha de pedreiro da zona rural conciliou trabalho e Odontologia até conquistar duas aprovações em Medicina, incluindo vaga na UFCA. Reprodução/Youtube
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Taynara Alves de Almeida, filha de pedreiro e dona de casa de Granjeiro, conciliou trabalho desde as 7h, deslocamentos superiores a 70 quilômetros, aulas de Odontologia e simulados na madrugada até ser aprovada em dois cursos de Medicina, incluindo a Universidade Federal do Cariri, em Barbalha, no interior do Ceará.

Aos 20 anos, a filha de pedreiro Taynara Alves de Almeida foi aprovada em dois cursos de Medicina depois de enfrentar uma rotina que reunia trabalho, faculdade e longos deslocamentos. Moradora do Sítio Picadas, na zona rural de Granjeiro, ela cursou cinco semestres de Odontologia enquanto continuava estudando para alcançar o objetivo cultivado desde a infância.

A trajetória foi detalhada pelo Diário do Nordeste em reportagem publicada em 27 de agosto de 2025 e atualizada em 5 de setembro daquele ano. O Jornal do Cariri também noticiou a conquista em 4 de setembro de 2025, destacando a aprovação na Universidade Federal do Cariri, a UFCA, cujo curso de Medicina funciona em Barbalha.

Infância foi vivida na zona rural de Granjeiro

Taynara cresceu no Sítio Picadas, comunidade rural pertencente a Granjeiro, município que tinha aproximadamente 4,8 mil habitantes e era apontado pela fonte como a cidade menos populosa do Ceará. Ela é filha do pedreiro Luiz Alvez Filho e da dona de casa Maria das Dores de Almeida.

A residência da família possui alpendre, sala, dois quartos, cozinha e quintal com plantas frutíferas, como goiaba e banana. A casa fica conjugada à residência da avó de Taynara, uma idosa acamada cuidada por Maria das Dores.

Sonho de ser médica começou ainda na infância

A vontade de trabalhar na área da saúde surgiu quando Taynara ainda era criança. Ela dizia aos professores que pretendia ser médica e, com o passar dos anos, transformou esse desejo em um objetivo acadêmico.

Parte da inspiração veio das viagens que fazia a Barbalha para realizar tratamento hormonal. Ao observar os médicos durante o acompanhamento, a filha de pedreiro passou a admirar a profissão e a imaginar uma carreira ligada ao cuidado de pacientes.

Escola pública ajudou a construir o caminho

Taynara cursou o ensino fundamental na própria comunidade, em uma escola localizada perto de casa. Como o Sítio Picadas não oferecia ensino médio, ela precisava utilizar transporte escolar para chegar à Escola Miguel Saraiva, situada na sede de Granjeiro, a aproximadamente cinco quilômetros.

A estudante concluiu o ensino médio em 2022, depois de atravessar parte importante dessa etapa durante a pandemia de Covid-19. Nos dias de chuva, a conexão com a internet falhava no sítio e dificultava o acompanhamento das aulas remotas.

Resultados no Enem mostraram que a meta era possível

Durante o ensino médio, Taynara participou do Exame Nacional do Ensino Médio no primeiro, no segundo e no terceiro ano. Ainda no segundo ano, obteve 920 pontos na redação e 800 em matemática.

As notas mostraram que Medicina exigiria desempenho elevado, mas também indicaram que a aprovação não estava fora de alcance. Professores perceberam a dedicação da estudante, ofereceram livros e passaram a incentivá-la a continuar tentando.

Odontologia foi o primeiro ingresso no ensino superior

Depois de concluir o ensino médio, Taynara foi aprovada em Odontologia em três instituições: na Universidade Estadual da Paraíba e em dois centros universitários privados, localizados em Juazeiro do Norte e em São Paulo.

Ela escolheu a instituição mais próxima, em Juazeiro do Norte, onde recebeu bolsa integral pelo Programa Universidade para Todos. A gratuidade permitiu que a filha de pedreiro ingressasse imediatamente no ensino superior sem abandonar o sonho de cursar Medicina.

Viagens somavam mais de 70 quilômetros por dia

Durante cinco semestres, Taynara percorreu diariamente mais de 70 quilômetros entre Granjeiro e Juazeiro do Norte. Ela saía da sede do município às 15h40 em um ônibus universitário disponibilizado pela prefeitura e retornava por volta da meia-noite.

A estudante permaneceu em Odontologia até o primeiro semestre de 2025. Mesmo vinculada ao curso e próxima dos professores, ela continuou se preparando em casa para tentar uma vaga em Medicina.

Trabalho começava às sete horas da manhã

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Além das aulas e dos deslocamentos, Taynara trabalhava como orientadora social na Assistência Social de Granjeiro. Sua jornada começava às 7h e seguia até o momento de embarcar para a faculdade durante a tarde.

Depois de retornar para casa após as 23h, ela ainda reservava parte da madrugada para realizar simulados. A rotina da filha de pedreiro reunia trabalho, transporte, graduação e preparação para outro processo seletivo dentro do mesmo dia.

Aprovação veio em dois cursos de Medicina

Taynara voltou a fazer o Enem em 2023 e descobriu, em 2024, que teria possibilidade de entrar em Medicina na Universidade Federal do Cariri. Posteriormente, foi aprovada em dois cursos da área, segundo as reportagens fornecidas.

Uma das vagas foi conquistada na UFCA, no campus de Barbalha. A fonte não identifica claramente a segunda instituição em que Taynara foi aprovada em Medicina, por isso esse nome não pode ser acrescentado sem confirmação.

Mudança para Barbalha exigiu preparação financeira

Para frequentar o novo curso, Taynara precisaria deixar Granjeiro e mudar-se para Barbalha, município localizado a 84 quilômetros de sua cidade. A alteração representaria uma nova etapa depois das viagens diárias realizadas durante a graduação em Odontologia.

Como havia trabalhado durante parte da preparação, a estudante conseguiu guardar algum dinheiro. A família também passou a reorganizar as finanças, com apoio de tios e outros parentes, para custear aluguel e despesas na nova cidade.

Medicina terá seis anos de duração

O curso escolhido possui duração de seis anos e, no momento da reportagem, Taynara se preparava para iniciar as aulas. Ela reconhecia que a graduação exigiria domínio técnico e capacidade de acolher pessoas em situações de doença e vulnerabilidade.

Entre as áreas que mais despertavam seu interesse estavam ginecologia, obstetrícia e pediatria. A jovem ainda não havia definido uma especialidade, e suas preferências foram apresentadas como expectativas anteriores ao ingresso.

Escola celebrou aprovação da ex-aluna

José Wenes Pereira Lima, diretor da Escola Miguel Saraiva, descreveu Taynara como uma estudante dedicada, resistente e perseverante. Segundo ele, a instituição já percebia seu potencial desde a chegada ao ensino médio.

A escola atendia majoritariamente alunos da zona rural e vinha consolidando uma cultura de ingresso no ensino superior. De acordo com o diretor, mais de 200 aprovações em universidades públicas e privadas haviam sido registradas nos dois anos anteriores à reportagem.

Família espera retorno para a própria comunidade

Maria das Dores contou que sempre acreditou no esforço da filha e comemorou a aprovação junto aos moradores da comunidade. Para a mãe, viver em uma cidade pequena impõe limitações porque estudantes precisam se deslocar ou mudar de município para frequentar uma faculdade.

Ela também manifestou o desejo de ver Taynara trabalhando futuramente no posto de saúde da própria região, que, segundo seu relato, recebia médico a cada oito dias. A possibilidade representa uma expectativa familiar, e não uma decisão profissional já tomada pela estudante.

Nova etapa transforma esforço em oportunidade

A aprovação encerrou uma rotina marcada por viagens diárias, trabalho desde cedo, aulas noturnas e simulados realizados durante a madrugada. Ao mesmo tempo, abriu novos desafios relacionados à mudança de cidade, à permanência universitária e aos seis anos de formação.

A trajetória da filha de pedreiro mostra como transporte, bolsas de estudo, escola pública e apoio familiar podem interferir diretamente no acesso ao ensino superior. Na sua opinião, quais políticas poderiam ajudar mais jovens da zona rural a estudar sem enfrentar deslocamentos tão longos? Conte nos comentários.

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31/07/2026 09:49

Não é só força de vontade é luta na guerra

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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