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Para enfrentar o desemprego na crise de 1930, Kellogg, empresa de cereais, trocou três turnos de oito horas por quatro de seis, colocou cerca de 300 pessoas para trabalhar e fez funcionários escolherem entre renda maior e mais tempo livre

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 31/07/2026 às 18:44 Atualizado em 31/07/2026 às 18:45
Assista o vídeoEm 1º de dezembro de 1930, a Kellogg reduziu os turnos de sua fábrica de cereais em Battle Creek, nos Estados Unidos.
Em 1º de dezembro de 1930, a Kellogg reduziu os turnos de sua fábrica de cereais em Battle Creek, nos Estados Unidos.
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A jornada de seis horas da Kellogg manteve a fábrica ativa por 24 horas durante a Grande Depressão, abriu cerca de 300 vagas e dividiu trabalhadores entre dinheiro e tempo livre.

Em 1º de dezembro de 1930, a Kellogg reduziu os turnos de sua fábrica de cereais em Battle Creek, nos Estados Unidos. A empresa substituiu três jornadas de oito horas por quatro de seis, colocando cerca de 300 pessoas para trabalhar em plena Grande Depressão.

A pesquisa de Benjamin Kline Hunnicutt foi publicada pela Business History Review, revista acadêmica disponibilizada pela Cambridge University Press. O estudo analisa a jornada de seis horas adotada pela Kellogg em 1930 e as mudanças posteriores na posição da administração.

A jornada menor, porém, criou uma escolha difícil dentro da fábrica. Parte dos funcionários valorizava o tempo livre, enquanto outros preferiam trabalhar mais horas para receber uma remuneração total maior.

Kellogg manteve a fábrica funcionando durante 24 horas

A redução da jornada de trabalho não diminuiu o período diário de operação da fábrica. A Kellogg apenas reorganizou as equipes, substituindo três grupos de oito horas por quatro grupos de seis horas.

Quando um turno terminava, outro assumia a produção. Assim, as máquinas podiam continuar funcionando durante 24 horas, enquanto cada pessoa permanecia menos tempo no local de trabalho.

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A criação do quarto turno permitiu distribuir a atividade entre mais funcionários. Em vez de concentrar as horas em três grupos, a empresa abriu espaço para a entrada de pessoas que estavam sem emprego.

Cerca de 300 pessoas voltaram ao trabalho durante a crise de 1930

A Grande Depressão provocou desemprego e perda de renda nos Estados Unidos. Em Battle Creek, a jornada de seis horas permitiu que a Kellogg recontratasse dispensados e criasse aproximadamente 300 postos de trabalho.

A medida seguia uma lógica simples. Se cada funcionário trabalhasse duas horas a menos, outra equipe poderia ser formada para completar o dia de produção.

A empresa passou a dividir o trabalho disponível entre um número maior de pessoas. Para quem estava desempregado, a mudança representava uma nova oportunidade de receber renda durante um dos períodos mais difíceis da economia norte americana.

Salário por hora não significava o mesmo valor no fim do período

O salário por hora representa quanto uma pessoa recebe por cada hora trabalhada. A remuneração total depende desse valor e da quantidade de horas cumpridas. Por isso, uma jornada menor poderia resultar em menos dinheiro recebido ao final do período.

A Kellogg ajustou o valor pago por hora, mas a redução de oito para seis horas ainda colocava os funcionários diante de uma escolha. Trabalhar menos aumentava o tempo disponível fora da fábrica, enquanto turnos maiores poderiam proporcionar renda total mais alta.

Cambridge University Press, editora acadêmica da Universidade de Cambridge, detalhou essa disputa entre trabalho, renda e liberdade pessoal. A experiência ultrapassou a organização da fábrica e alcançou a vida familiar e financeira dos trabalhadores.

Funcionários precisaram escolher entre dinheiro e tempo livre

Parte dos trabalhadores aprovava as duas horas adicionais fora da fábrica. O período poderia ser usado para cuidar da família, realizar tarefas pessoais ou descansar antes do próximo dia de trabalho.

Outros funcionários desejavam retornar aos turnos de oito horas. Para esse grupo, a possibilidade de aumentar a remuneração pesava mais do que os benefícios de permanecer menos tempo na fábrica.

Funcionários precisaram escolher entre dinheiro e tempo livre
Funcionários precisaram escolher entre dinheiro e tempo livre

A divisão não tinha uma resposta simples. Cada trabalhador avaliava suas necessidades financeiras, suas responsabilidades familiares e a importância do tempo livre antes de escolher entre seis ou oito horas de trabalho.

Administração abandonou gradualmente o modelo após a guerra

No período posterior à Segunda Guerra Mundial, a administração da Kellogg mudou sua posição sobre a jornada reduzida. Os turnos maiores voltaram a ganhar espaço dentro da empresa.

A jornada de seis horas não desapareceu imediatamente. Alguns departamentos conservaram o modelo durante décadas, enquanto outros retornaram ao sistema de oito horas.

A mudança gradual revelou uma disputa entre diferentes visões de progresso. Uma defendia repartir o trabalho e ampliar o tempo fora da fábrica. A outra priorizava mais horas trabalhadas e maior remuneração total.

Experiência da Kellogg não oferece uma solução pronta para toda empresa

O caso não comprova que qualquer redução da jornada de trabalho aumenta a produtividade. A fábrica de Battle Creek tinha produção contínua e conseguiu acrescentar um quarto turno para manter as 24 horas de operação.

O resultado dependia da forma como o trabalho era organizado, do pagamento oferecido e das necessidades dos funcionários. Por isso, a experiência precisa ser entendida como um caso histórico complexo, com benefícios, custos e conflitos internos.

A Kellogg conseguiu colocar cerca de 300 pessoas para trabalhar durante a crise ao repartir as horas da fábrica entre mais equipes. Ao mesmo tempo, a empresa descobriu que trabalhar menos não era uma escolha simples quando a renda familiar também estava em jogo.

Décadas depois, a experiência continua relevante porque apresenta uma pergunta ainda presente no mercado de trabalho: o que deve pesar mais, receber uma renda maior ou recuperar parte do tempo dedicado ao emprego?

Se você pudesse trabalhar seis horas por dia, mas precisasse escolher entre preservar sua renda e ganhar mais tempo livre, qual decisão faria? Conte nos comentários e compartilhe a publicação.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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