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Bactéria derruba 10% da criação em Goiás após provocar a perda de até 30 peixes por dia; diagnóstico técnico recupera viveiros com 1.800 animais e produtor projeta quase 40% de rentabilidade

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 29/08/2026 às 19:09 Atualizado em 29/08/2026 às 19:29
Piscicultor Jean Fratão conversa com técnica do Senar Goiás ao lado dos viveiros em Trindade
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Uma criação de peixes em Trindade, na região metropolitana de Goiânia, saiu de uma rotina de perdas diárias para um plano de expansão depois que exames identificaram o problema sanitário, orientaram o tratamento e transformaram dois viveiros com 1.800 animais em uma operação que pode chegar a quase 40% de rentabilidade.

Durante semanas, o piscicultor Jean Fratão chegava à propriedade e encontrava um número diferente de peixes mortos. Em um dia eram 15, no outro 20 e, no pior momento, até 30 animais por dia. O problema avançava sem uma causa visível e ameaçava uma produção de peixe pintado que dependia do equilíbrio delicado entre água, alimentação e sanidade.

Segundo o Sistema Faeg/Senar, Jean não conseguia identificar sozinho o que estava acontecendo. Diante da mortalidade crescente, procurou o Sindicato Rural de Trindade e passou a receber a Assistência Técnica e Gerencial do Senar Goiás. Quando o quadro foi controlado, a propriedade havia perdido aproximadamente 10% da criação.

Contudo, o percentual parece pequeno quando isolado, mas ele esconde a velocidade da deterioração. Sem diagnóstico, a sequência de perdas poderia continuar até comprometer todos os viveiros. O próprio produtor afirmou que, sem a parceria técnica, corria o risco de perder tudo. É difícil não ver aí o ponto central desta história: a diferença não veio de uma solução improvisada, mas da decisão de medir antes de agir.

Diagnóstico muda o rumo da criação de peixes

Em seguida, a equipe recolheu exemplares, realizou exames e recorreu a testes laboratoriais. O resultado apontou uma bactéria que não podia ser reconhecida a olho nu. Com a causa identificada, os técnicos definiram os procedimentos e as medicações corretas para interromper a mortalidade, recuperar os viveiros e reduzir o risco de o problema reaparecer.

De acordo com a técnica de campo Milca Rodrigues, o atendimento começou com um diagnóstico completo da propriedade. Depois vieram os testes para detectar as doenças presentes e o tratamento direcionado. Dessa forma, a intervenção substituiu a tentativa e erro por uma sequência verificável: observar os sintomas, confirmar o agente e só então escolher o manejo adequado.

Viveiro de criação de peixes com sistema de aeração em funcionamento em Trindade
Viveiro acompanhado pela assistência técnica em Trindade. Foto: Sistema Faeg/Senar

Além disso, o acompanhamento não terminou quando os peixes deixaram de morrer. A propriedade passou a monitorar mensalmente os viveiros e os animais. Os kits usados no local avaliam oxigenação, amônia, transparência e pH, parâmetros que ajudam a mostrar se a água oferece condições para o desenvolvimento do lote ou se existe alguma alteração capaz de comprometer a engorda.

Por isso, esse cuidado é especialmente importante em uma atividade realizada em água doce, onde uma mudança no ambiente atinge muitos animais ao mesmo tempo. No caso de Jean, o controle da água virou parte da gestão, ao lado dos custos e dos indicadores produtivos. A recuperação sanitária, portanto, não foi tratada como um episódio encerrado, mas como uma nova rotina da propriedade.

Dois viveiros reúnem 1.800 peixes e um terceiro está a caminho

Atualmente, Jean mantém dois viveiros ativos. Enquanto um deles recebe peixes pintados na fase juvenil, o outro concentra animais na etapa final de engorda. Juntos, os tanques somam cerca de 1.800 peixes. Além disso, um terceiro viveiro está sendo preparado para entrar em funcionamento e ampliar a capacidade de rotação.

Assim, a expectativa informada pelo produtor é comercializar aproximadamente três toneladas de peixe ao fim do ciclo, com o início da retirada planejado para setembro. O volume representa a parte concreta da retomada: depois de conter uma ameaça que avançava diariamente, a propriedade volta a planejar a despesca, a venda e o repovoamento dos tanques.

Técnica de campo examina peixe pintado criado em viveiro de Goiás
Avaliação sanitária de peixe pintado na propriedade. Foto: Sistema Faeg/Senar

Por outro lado, o pintado também exige atenção durante o contato direto. Milca explica que se trata de um peixe de couro com ferrões, característica que torna o manejo mais cuidadoso. Nas avaliações, a equipe observa a coloração, a boca, os olhos e as nadadeiras para verificar o estado sanitário dos animais e acompanhar seu desenvolvimento.

Olhando assim, os números de rentabilidade deixam de parecer uma promessa solta. Eles estão ligados a tarefas repetidas e pouco visíveis: testar a água, examinar os peixes, registrar custos, acompanhar fases diferentes e evitar que um problema sanitário se transforme novamente em uma perda generalizada.

Rentabilidade de quase 40% ainda é uma projeção técnica

Conforme o planejamento da atividade, a técnica do Senar Goiás estima que a produção pode alcançar quase 40% de rentabilidade. É importante separar projeção de resultado realizado. O índice depende da execução do ciclo, da sobrevivência dos animais, dos custos, da venda da produção e da manutenção das condições sanitárias observadas após o tratamento.

Portanto, a ambição de Jean é aumentar o ritmo de três para cinco ciclos por ano. A ideia é retirar e vender a produção de um tanque, repovoá-lo e usar o outro viveiro em estágio diferente, criando uma rotação mais frequente. O terceiro tanque poderá dar mais espaço a esse sistema, desde que o monitoramento acompanhe o crescimento da operação.

Peixe pintado é segurado durante avaliação sanitária na propriedade
Detalhe do peixe pintado durante o acompanhamento técnico. Foto: Sistema Faeg/Senar

Recentemente, uma segunda reportagem, publicada pelo Portal RuralNews em 27 de agosto, confirmou os números centrais: perdas limitadas a cerca de 10%, plantel de 1.800 peixes, expectativa de três toneladas e expansão para cinco ciclos anuais. O veículo também destacou que a combinação de diagnóstico laboratorial e controle dos parâmetros da água permitiu interromper o avanço do quadro.

A história de Trindade não transforma assistência técnica em milagre. Ela mostra algo mais útil: quando um produtor reconhece que não consegue enxergar sozinho a causa de uma perda e procura apoio, o problema pode virar dado, o dado pode orientar uma decisão e a decisão pode devolver previsibilidade ao negócio. No lugar de até 30 perdas por dia, Jean agora acompanha viveiros cheios e calcula o próximo ciclo.

E você, acredita que mais assistência técnica poderia evitar perdas semelhantes nas pequenas propriedades rurais?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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