Caixinhas para figurinhas impulsionaram pequenos negócios durante a Copa, com vendas por encomenda, investimentos em impressoras 3D e casos como o de Luca, que aos 13 anos produziu mais de 100 unidades em pouco tempo
Durante o período de maior procura pelas figurinhas da Copa do Mundo, a impressão 3D abriu uma oportunidade de renda para pequenos produtores. Caixinhas organizadoras, chaveiros e artigos personalizados passaram a ser fabricados sob demanda, enquanto Luca Bernardo de Albuquerque, então com 13 anos, produziu mais de 100 organizadores em pouco mais de um mês.

Adolescente de 13 anos usou impressão 3D para financiar curso
Naquele período, Luca Bernardo de Albuquerque havia recebido dos pais uma impressora 3D de R$ 3,5 mil como presente de aniversário. Desde que ganhou o equipamento, o estudante já havia produzido mais de 500 peças.
A produção incluía cofres temáticos, suportes para celular e produtos personalizados relacionados à Copa do Mundo.
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Entre os artigos que ganharam espaço estavam justamente as caixinhas utilizadas para guardar figurinhas.
Em pouco mais de um mês trabalhando com o tema da Copa, Luca havia fabricado mais de 100 dessas peças. Com ajuda da família, conseguia produzir aproximadamente dez unidades por dia.
Os organizadores eram vendidos por valores entre R$ 30 e R$ 50, principalmente em grupos de WhatsApp e pelo Instagram @lucaimpressora3d.
O adolescente pretendia utilizar o dinheiro obtido com as vendas para pagar um curso avançado de design em impressão 3D e aprender a desenvolver seus próprios projetos.
“Agora eu quero aprender a criar meus próprios arquivos e peças”, contou Luca na época.
O movimento também chamava atenção pelo avanço esperado para o próprio setor. Segundo relatório da Fortune Business Insights citado no material-base, o mercado global de impressão 3D tinha projeção de movimentar US$ 105,99 bilhões até 2030, com crescimento médio anual de 24,9%.

Copa do Mundo criou uma nova oportunidade para pequenos produtores
A pedagoga Tatiana Pietrobom havia começado a trabalhar com impressão 3D no fim de fevereiro daquele ano e adotado uma estratégia baseada em datas comemorativas e tendências sazonais.
Depois de concentrar a produção em peças relacionadas à Páscoa, ela direcionou o negócio para produtos ligados à Copa do Mundo.
Desde maio, Tatiana havia fabricado 200 caixinhas para figurinhas. Todas tinham sido vendidas.
Ela cuidava pessoalmente de toda a fabricação e divulgava os produtos pelo Instagram @taniro_impressao_3d e em grupos do condomínio onde morava.
Parte da procura vinha de compradores recorrentes. Tatiana relatou que um cliente proprietário de uma papelaria fazia encomendas todas as semanas, enquanto crianças também apareciam em sua porta procurando pelas caixinhas.
As peças custavam aproximadamente R$ 20. Diante de clientes que buscavam opções mais baratas, ela também passou a produzir versões mais simples.
Outra aposta foram os chaveiros verde e amarelo, comercializados por R$ 10.
Mesmo com a alta do preço do filamento, matéria-prima utilizada pelas impressoras 3D, Tatiana avaliava naquele momento que a atividade ainda compensava financeiramente.
Ela contou que a máquina e o filamento haviam sido comprados no Paraguai, mas não vieram nas cores verde, amarelo e azul, justamente algumas das mais procuradas naquele período.
Mesmo precisando adquirir esses filamentos por preços maiores no mercado local, Tatiana dizia que a produção ainda valia a pena.
Equipamentos comprados como hobby passaram a gerar renda
Fabio Roberto de Lima também havia identificado na Copa uma possibilidade de ampliar as vendas. Ele comprou sua primeira impressora em dezembro, inicialmente para utilizá-la como hobby, após receber incentivo do sobrinho.
Naquele momento, Fabio estava desempregado. Segundo seu relato, o sobrinho sugeriu que a impressão 3D poderia se transformar em uma maneira de obter rendimento e ajudar no orçamento da casa.
No começo, ele fabricava peças para uso próprio enquanto aprendia como o equipamento funcionava.
Depois de aproximadamente um mês, passou a pesquisar nichos de mercado e oportunidades comerciais ligadas à tecnologia.
Sua produção acompanhou diferentes momentos do calendário. Primeiro vieram artigos para o Dia das Mães, depois para a festa junina e, em seguida, para a Copa do Mundo.
Durante o período retratado, Fabio vendia caixinhas e chaveiros personalizados em duas versões. Os modelos menores custavam R$ 20 e os maiores chegavam a R$ 40.
A divulgação acontecia principalmente pelo Instagram @encantoscamadas3d e pelo boca a boca na escola da filha.
Fabio também havia se registrado como microempreendedor individual, o MEI, para formalizar a atividade. A impressora tinha sido adquirida de forma parcelada e ainda estava sendo paga. Sua produção funcionava sob encomenda.
Outro caso era o do tapeceiro automotivo Micael Nascimento Maciel, que havia começado a trabalhar com impressão 3D seis meses antes para complementar a renda.
Micael e a esposa, Julia, mantinham quatro impressoras em funcionamento e outras duas em manutenção. O investimento acumulado até aquele momento havia alcançado R$ 25 mil.
Somente entre os produtos ligados à Copa do Mundo, eles haviam produzido aproximadamente 230 caixinhas e 100 chaveiros.
Os organizadores eram vendidos por preços entre R$ 35 e R$ 70, dependendo do tamanho. O casal também fabricava mini taças e acessórios personalizados.
Na época, Micael afirmava que estava vendendo mais do que havia previsto e planejava transformar aquela renda complementar em seu principal negócio.
A meta anunciada era alcançar 30 impressoras em funcionamento até o fim daquele ano.
Impressão 3D permitia aproveitar rapidamente as tendências da Copa
O analista financeiro Vitor Motta e a analista tributária Allana Motta também haviam entrado naquele mercado buscando uma renda complementar.
O casal começou a produzir caixinhas para figurinhas poucas semanas antes do relato e depois abriu a loja Tobe na Shopee, @tobem3d, para testar a procura por diferentes produtos.
As caixinhas rapidamente passaram a ser o artigo mais vendido.
Até aquele momento, haviam sido comercializadas 50 unidades para uma papelaria e outras dez para conhecidos.
Os produtos eram vendidos entre R$ 40 e R$ 45, mantidos em pronta entrega e fabricados seguindo um projeto padrão adequado ao tamanho das figurinhas.
Para iniciar a operação, o casal investiu R$ 5.390 em uma impressora 3D comprada à vista, já acompanhada de quatro filamentos.
A produção levava aproximadamente nove horas para fabricar três caixinhas. O casal também utilizava o Instagram @tobem3d para divulgar os artigos.
Segundo o especialista em tecnologia e inovação Arthur Igreja, uma das vantagens da impressão 3D era justamente a possibilidade de responder rapidamente a tendências e fabricar sob demanda.
Ele explicou que algo poderia viralizar em outra parte do mundo e ser produzido localmente poucos minutos depois, reduzindo a dependência de grandes estoques ou linhas industriais complexas.
Para Igreja, o equipamento sozinho não determinava o sucesso do negócio. Criatividade, divulgação, capacidade de encontrar oportunidades e velocidade para aproveitar tendências eram elementos fundamentais.
O especialista também apontou oportunidades para a tecnologia em protótipos, aplicações industriais, fabricação em pequenos lotes, apresentação de produtos, engenharia, arquitetura e artesanato.
Assim, durante a movimentação provocada pelas figurinhas e pelos produtos relacionados à Copa do Mundo, pequenos empreendedores encontraram na impressão 3D uma maneira de testar produtos, atender encomendas e buscar novas fontes de renda.
Esta matéria foi elaborada com base nas informações presentes no material-base fornecido, incluindo dados da Fortune Business Insights e declarações dos empreendedores e do especialista Arthur Igreja. Os números de produção, vendas, preços, investimentos e planos empresariais retratam o período da Copa do Mundo abordado pelo material original, com dados e declarações preservados conforme a fonte consultada.

