Medições por radar mostram que a subsidência na planície de Semarang-Demak pode superar 12 centímetros por ano em áreas urbanizadas, enquanto diferenças de movimento entre pontos próximos aumentam a exposição de corredores de transporte, sistemas de drenagem e outras estruturas instaladas junto ao litoral da Indonésia.
O solo da planície costeira de Semarang-Demak, na Indonésia, está cedendo em ritmo capaz de ultrapassar 120 milímetros por ano nos pontos mais afetados, mas o principal risco para a infraestrutura está também na forma desigual como esse movimento se distribui pela superfície.
Uma estrada, ferrovia ou instalação aeroportuária pode atravessar trechos que afundam em velocidades diferentes, criando mudanças de inclinação e deformações ao longo de uma mesma estrutura. O problema, portanto, não se limita à perda uniforme de altitude.
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O estudo publicado no Journal of Earth and Marine Technology, assinado por Reyhan Azeriansyah, Kuo-En Ching e Bambang Darmo Yuwono, estimou subsidência vertical superior a 120 milímetros por ano e perda volumétrica acima de 6 mil metros cúbicos anuais em partes urbanizadas da planície.
Os pesquisadores identificaram a extração intensiva de água subterrânea como principal fator associado à compactação dos aquíferos analisados.
À medida que a água é retirada, camadas subterrâneas suscetíveis à compressão podem perder volume, fazendo a superfície localizada acima delas baixar progressivamente. Em terrenos formados por sedimentos aluviais, esse processo ocorre sob áreas já ocupadas por vias, redes de drenagem e outras estruturas urbanas.
Diferenças de movimento aumentam a exposição da infraestrutura
A pesquisa utilizou a técnica SBAS-InSAR, baseada em imagens de radar de satélite, juntamente com o modelo de fonte de Mogi para interpretar a distribuição espacial da deformação e estimar componentes verticais e horizontais do movimento do terreno.
Os resultados revelaram um padrão semelhante ao de uma bacia, em que diferentes partes da superfície não se deslocam exatamente na mesma velocidade ou direção. Essa geometria cria gradientes de deformação e inclinação que se tornam relevantes quando uma estrutura cruza vários setores da planície.
As áreas de maior gradiente coincidem, conforme o estudo, com corredores que incluem vias expressas, ferrovias, estradas nacionais, ruas locais e instalações aeroportuárias, estruturas cuja operação depende da estabilidade e da geometria do terreno.
O trabalho não afirma que todas essas estruturas já estejam danificadas. A conclusão é que elas apresentam sensibilidade às zonas de maior deformação, onde diferenças de deslocamento ao longo da superfície podem criar condições menos favoráveis para a manutenção de alinhamentos e níveis.
Ferrovias exigem controle preciso da geometria dos trilhos, enquanto estradas e vias expressas percorrem longas extensões e podem atravessar áreas com padrões distintos de rebaixamento.
Em instalações aeroportuárias, estabilidade e nivelamento também são fatores importantes para a infraestrutura. Por isso, saber apenas quantos centímetros determinado ponto afundou pode oferecer uma visão incompleta quando trechos vizinhos apresentam movimentos diferentes.
O monitoramento tridimensional permite localizar essas variações ao incorporar deslocamentos horizontais, verticais e mudanças espaciais de inclinação, ajudando a reconhecer corredores onde a deformação diferencial merece acompanhamento mais detalhado.
Perda de altitude também interfere na vulnerabilidade costeira
Semarang-Demak está situada em uma planície costeira baixa, condição que torna o rebaixamento do terreno particularmente importante para a relação entre áreas urbanizadas, canais de drenagem e as águas ao redor. Quando determinados pontos perdem altitude, suas posições relativas dentro desse sistema também mudam.
A subsidência não explica sozinha as inundações da região, que também dependem de chuva, marés e características locais da drenagem.
Ainda assim, uma superfície progressivamente mais baixa pode aumentar a exposição de áreas já vulneráveis e modificar diferenças de nível consideradas no funcionamento de canais e redes urbanas. A deformação desigual acrescenta outro problema porque alguns pontos podem baixar mais rapidamente do que setores próximos.
O fenômeno é acompanhado há anos em Semarang e não ocorre com a mesma intensidade em toda a área urbana, com taxas mais elevadas registradas principalmente em partes da faixa costeira e da planície aluvial.
Um segundo trabalho, publicado na Geosystems and Geoenvironment, analisou dados do Sentinel-1 entre 2015 e 2025 e encontrou subsidência de até 15,2 centímetros por ano no setor costeiro ao norte de Semarang, estendendo-se em direção a Demak. A pesquisa também identificou relação entre a distribuição espacial do rebaixamento e estruturas geológicas do aquífero profundo.
Os dois trabalhos reforçam que a deformação não deve ser interpretada como um movimento uniforme de toda a planície. Enquanto a pesquisa sobre Semarang-Demak destaca a extração de água subterrânea como principal fator da compactação analisada, o estudo mais amplo indica que falhas e diferenças geológicas também podem controlar onde as maiores taxas aparecem.
A gestão sustentável da água subterrânea e estratégias adaptadas de uso do solo estão entre as medidas apontadas pelos autores para reduzir os riscos associados ao processo. O mapeamento de gradientes pode ainda orientar o acompanhamento de trechos onde obras existentes ou planejadas cruzam zonas submetidas a deformação mais intensa.
Como a velocidade e a direção do movimento variam dentro da própria planície, os pesquisadores defendem que avaliações de infraestrutura considerem a deformação em três dimensões, permitindo identificar não apenas os pontos que mais perdem altitude, mas também as mudanças de inclinação e tensão ao longo dos corredores construídos.

