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Avenida Liberdade, de 14 km, em Belém, ganha mais R$ 47 milhões em aditivo e a obra chega a quase R$ 36 milhões por quilômetro

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 08/11/2026 às 04:03 Atualizado em 08/11/2026 às 04:04
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Vista aérea de uma avenida expressa com ciclovia vermelha cortando a mata, com prédios de Belém ao fundo.
A Avenida Liberdade no dia da entrega, em 2 de abril de 2026, na Região Metropolitana de Belém. Foto: Divulgação/Agência Pará.
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A Avenida Liberdade, inaugurada em abril pelo Governo do Pará, teve trecho de 150 metros cedido em junho; veja quanto custa cada quilômetro e quanto sobra até o teto da lei

A Avenida Liberdade, via expressa de 14 quilômetros que liga Belém à Alça Viária, recebeu um segundo aditivo de R$ 47 milhões e o contrato da obra chega a cerca de R$ 499,6 milhões.

O valor foi publicado no Diário Oficial do Estado de 29 de outubro de 2026, com assinatura do secretário de Infraestrutura e Logística, Adler Silveira, segundo o Ponto de Pauta em 7 de novembro de 2026.

A obra da Avenida Liberdade foi contratada por R$ 410 milhões com o Consórcio Liberdade, formado por cinco empresas. Em janeiro de 2026 veio o primeiro aditivo, de R$ 42,6 milhões. Agora, o segundo.

Quanto custa cada quilômetro da Avenida Liberdade?

Com os dois aditivos, a soma passa a R$ 499,6 milhões (conta nossa). Dividido pelos 14 quilômetros informados pelo Governo do Pará, dá cerca de R$ 35,7 milhões por quilômetro (conta nossa).

A Coluna Olavo Dutra, em 3 de novembro, chegou a R$ 37,5 milhões por quilômetro usando a extensão de 13,3 km.

EtapaValorCusto por km (14 km)
Contrato inicialR$ 410 milhõesR$ 29,3 milhões
1º aditivo (jan/2026)R$ 42,6 milhões
2º aditivo (out/2026)R$ 47 milhões
TotalR$ 499,6 milhõesR$ 35,7 milhões

As divisões são conta nossa. Só o novo aditivo, ao preço do contrato original, pagaria cerca de 1,6 quilômetro da própria avenida.

Quanto ainda pode crescer o contrato?

A margem é pequena. A lei de licitações limita os acréscimos em obras a 25% do valor inicial do contrato, o que no caso daria R$ 102,5 milhões.

Na Avenida Liberdade, os dois aditivos somam R$ 89,6 milhões, ou 21,9% do contrato original (conta nossa). Sobra uma margem de cerca de R$ 12,9 milhões até o teto.

O extrato citado pelo Ponto de Pauta não detalha o que o novo aditivo vai pagar nem traz o número do contrato. O governo estadual não comentou o novo valor na reportagem.

O que é a Avenida Liberdade?

É a primeira via expressa da Região Metropolitana de Belém. Ela foi entregue em 2 de abril de 2026 e liga a Avenida Perimetral à Alça Viária, passando por Belém, Ananindeua e Marituba, segundo a Agência Pará.

Pista expressa vazia com três faixas, ciclovia vermelha e mata dos dois lados.
Trecho da via expressa, que liga a Avenida Perimetral à Alça Viária. Foto: Divulgação/Agência Pará.

Além da pista principal, o pacote inclui 3 quilômetros de duplicação da Alça Viária, quatro viadutos, duas pontes e 34 passagens de fauna, 22 aéreas e 12 subterrâneas. O governo estima que mais de 2,5 milhões de pessoas da Grande Belém sejam beneficiadas.

Em janeiro de 2024, a então Setran previa que a viagem entre a BR-316 e a Alça Viária cairia de 52 para 12 minutos, como registrou o Diário do Pará em 30 de janeiro de 2024.

A velocidade máxima prevista para a Avenida Liberdade era de 100 km/h.

O que aconteceu com o trecho que cedeu?

No fim de junho, cerca de 150 metros da pista cederam, pouco mais de três meses depois da inauguração. A Seinfra interditou o trecho e informou que o problema apareceu em inspeções preventivas.

Carros, motos e um caminhão circulando por avenida com postes e mureta central.
Tráfego na Avenida Liberdade após a liberação gradual em julho de 2026. Foto: Reprodução/Diário do Pará.

A liberação gradual começou em 10 de julho, só para carros e motos, com caminhões, ônibus e carretas ainda proibidos, de acordo com o Diário do Pará em 9 de julho de 2026.

Segundo a Seinfra, os reparos são feitos pelas empresas que construíram a via, sem custo adicional para o Estado.

Quem questiona o valor?

O ex-deputado Arnaldo Jordy chamou a obra de “supostamente superfaturada” e cobrou o Ministério Público do Pará, em fala reproduzida pelo Ponto de Pauta.

O Diário do Poder, em 29 de outubro, também tratou do custo e dos afundamentos na pista. Não há, até aqui, decisão de órgão de controle sobre o contrato.

Para quem usa a Avenida Liberdade entre Belém e a Alça Viária, o próximo ponto a acompanhar é o que o aditivo de R$ 47 milhões vai pagar e quando a via volta a receber veículos pesados em toda a extensão.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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