Após 27 anos de obra e 5,9 bilhões de euros, a Áustria inaugurou a maior ferrovia nova do país em mais de um século
Em 14 de dezembro de 2025, a Áustria colocou em operação a Koralmbahn — uma ferrovia de 127 km que conecta as cidades de Graz e Klagenfurt atravessando os Alpes.
Segundo a ÖBB Infrastruktur, operadora estatal austríaca, o projeto custou 5,9 bilhões de euros, cofinanciado por mais de 600 milhões de euros da União Europeia.
Contudo, o mais impressionante não é o custo — é o que os engenheiros fizeram para atravessar uma das cadeias montanhosas mais imponentes do planeta.
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A linha inclui 100 pontes, 23 estações modernas e o Túnel Koralm, que sozinho tem 32,9 km de extensão — o 6º mais longo túnel ferroviário do mundo.
Dessa forma, a Áustria entregou a primeira ferrovia de alta velocidade inaugurada na Europa fora da China em anos.

O túnel que cortou os Alpes por dentro: 33 km a até 1.250 metros abaixo da superfície
O Túnel Koralm é a peça central da Koralmbahn e o maior túnel ferroviário da Áustria.
De acordo com a documentação técnica do projeto, o túnel tem duas galerias paralelas de 32,9 km cada, com pontos que chegam a 1.250 metros abaixo da superfície das montanhas.
Além disso, o gradiente máximo é de apenas 5,4 por mil — praticamente plano — o que permite que os trens mantenham velocidades de até 250 km/h mesmo dentro do túnel.
Consequentemente, a viagem entre Graz e Klagenfurt que antes levava quase 3 horas agora pode ser feita em apenas 41 minutos nos serviços mais rápidos Railjet Xpress.
Portanto, a diferença é brutal: a ferrovia antiga contornava as montanhas por fora; a nova atravessa por dentro.
São 29 trens por dia cruzando os Alpes — e a viagem mais rápida leva 41 minutos
A ÖBB opera agora 29 conexões diárias entre Graz e Klagenfurt pela nova linha.
Os trens mais rápidos completam o trajeto em 41 minutos, enquanto os serviços regulares levam cerca de 45 minutos.
Da mesma forma, a linha faz parte do corredor Báltico-Adriático da rede TEN-T europeia — uma rota que no futuro conectará portos na Polônia a portos na Itália.
Nesse sentido, a Koralmbahn não é apenas uma ferrovia regional: é uma peça de um quebra-cabeça logístico continental.
De fato, a Voestalpine, siderúrgica austríaca, forneceu os trilhos e aparelhos de mudança de via que permitem a velocidade máxima na linha.

Os operários levaram 27 anos perfurando rocha: a Koralmbahn começou quando o mundo ainda não tinha smartphone
O projeto da Koralmbahn foi aprovado em 1998 — um ano antes do lançamento do primeiro BlackBerry e quase uma década antes do iPhone.
Ao longo de 27 anos de construção, milhares de operários perfuraram rocha nos Alpes, enfrentando temperaturas elevadas no interior da montanha e pressões geológicas imprevisíveis.
Além disso, o projeto precisou lidar com aquíferos subterrâneos, falhas geológicas e a necessidade de manter duas galerias paralelas perfeitamente alinhadas a mais de 1 km abaixo do pico das montanhas.
Ainda assim, a obra foi concluída dentro do orçamento revisado — algo raro em projetos de infraestrutura dessa escala.
Por outro lado, a ferrovia mais alta do mundo no Tibet enfrentou desafios similares: permafrost, altitude extrema e oxigênio insuficiente para os trabalhadores.
Por que a Koralmbahn importa: fora da China, quase ninguém inaugura ferrovia de alta velocidade
Segundo a Railway Gazette, a Koralmbahn foi destaque justamente por ser exceção global.
No mundo inteiro, praticamente nenhum país fora da China inaugurou uma ferrovia de alta velocidade significativa nos últimos anos.
A China adicionou 12 mil km de linhas de alta velocidade entre 2021 e 2025, enquanto o restante do planeta inaugurou menos de 500 km combinados.
Igualmente, projetos como o HS2 britânico foram cancelados, o California High-Speed Rail acumula décadas de atraso, e o trem-bala brasileiro nunca saiu do papel.
Sobretudo, a Áustria provou que é possível construir infraestrutura ferroviária de classe mundial na Europa — mas o preço é alto e a paciência precisa ser medida em décadas.

A lição que a Koralmbahn deixa para o resto do mundo
A ferrovia custou 5,9 bilhões de euros e levou 27 anos — mas agora corta 2 horas de uma viagem que antes era penosa e demorada.
Por consequência, cidades que antes ficavam isoladas nos Alpes agora estão a 41 minutos uma da outra.
No entanto, a grande lição é que infraestrutura de qualidade exige compromisso de longo prazo — algo que poucos governos conseguem manter ao longo de quase três décadas.
A Áustria começou a perfurar os Alpes quando o Google ainda não existia — e só terminou quando carros já dirigem sozinhos. Poucos países têm essa disciplina.
A pergunta que resta é: diante de projetos como a Koralmbahn, será que países como o Brasil algum dia terão a paciência institucional necessária para construir algo comparável?
Os números da Koralmbahn que impressionam engenheiros do mundo inteiro
A ferrovia tem 127 km de extensão total, dos quais 32,9 km são dentro do Túnel Koralm — o que significa que mais de um quarto do trajeto é subterrâneo.
Além disso, o túnel atinge profundidades de até 1.250 metros abaixo da superfície — mais fundo que qualquer mina de ouro da África do Sul.
Consequentemente, os trens Railjet Xpress completam a travessia dos Alpes em apenas 41 minutos, cruzando a montanha por dentro em vez de contorná-la por fora como faziam há mais de um século.
Da mesma forma, o gradiente máximo de 5,4 por mil é tão suave que os passageiros mal percebem que estão a mais de um quilômetro abaixo do pico da montanha.
Por outro lado, a temperatura da rocha nos pontos mais profundos do túnel chegava a 50°C durante a construção — condições extremas que exigiram sistemas de refrigeração industrial para proteger os operários.
Sobretudo, a Koralmbahn conecta a Áustria ao corredor ferroviário Báltico-Adriático da União Europeia, criando uma rota direta entre portos poloneses e italianos que antes dependia de desvios montanhosos lentos e ineficientes.

Como que deu para fazer um ferrovia na Europa sendo fora China? A Europa não é uma província chinesa??
Boa observação, Pedro! O título destaca a inauguração específica de 2026: a Áustria é a primeira a inaugurar um trecho novo de alta velocidade fora da China nesse ciclo. França, Espanha, Alemanha, Itália e Japão já têm linhas há décadas — mas a expansão recente da malha mundial vem em maioria absoluta da China, que sozinha tem cerca de 2/3 dos 70 mil km globais. O título é recorte temporal, não geográfico.