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Astrônomos investigam explosão cósmica estranha que pode revelar uma “superkilonova” nunca vista e mudar a forma de identificar colisões de estrelas de nêutrons

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 24/04/2026 às 23:30
Astrônomos analisam uma explosão cósmica que pode indicar uma superkilonova ligada a ondas gravitacionais.
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A possível explosão cósmica recebeu a designação AT2025ulz e chamou atenção por começar parecida com uma kilonova, mudar de comportamento em poucos dias e levantar a hipótese de uma “superkilonova”, fenômeno em que uma colisão de estrelas de nêutrons ficaria escondida dentro de uma supernova.

Astrônomos podem ter identificado uma explosão cósmica de tipo ainda não observado, após detectarem um evento que começou parecido com uma kilonova e, poucos dias depois, passou a se comportar como uma supernova. O fenômeno, chamado AT2025ulz, pode indicar uma “superkilonova”, hipótese em que uma colisão de estrelas de nêutrons ocorre dentro de uma supernova.

A descoberta envolve sinais de ondas gravitacionais, observações de telescópios e uma mudança inesperada no brilho do objeto. A possibilidade ainda não foi confirmada, mas o caso levou pesquisadores a considerar que futuras kilonovae podem não se parecer com o evento clássico registrado em 2017.

Explosão cósmica começou parecida com uma kilonova

O primeiro sinal do evento apareceu em 18 de agosto de 2025, quando detectores do LIGO, na Louisiana e em Washington, e do Virgo, na Itália, registraram um sinal de ondas gravitacionais. Minutos depois, um alerta foi enviado a astrônomos em várias partes do mundo, com a indicação de que o sinal provavelmente vinha da fusão de dois objetos.

O alerta também apontava que pelo menos um dos objetos envolvidos parecia ter massa incomumente pequena. Horas depois, o Zwicky Transient Facility, no Observatório Palomar, identificou uma fonte vermelha em desaparecimento a cerca de 1,3 bilhão de anos-luz, na mesma região do céu associada ao sinal gravitacional.

O objeto recebeu inicialmente o nome ZTF 25abjmnps e depois passou a ter a designação oficial AT2025ulz. Durante aproximadamente três dias, a emissão se pareceu com a kilonova observada em 2017, quando duas estrelas de nêutrons se fundiram e produziram ondas gravitacionais e luz.

Sinal mudou de cor e confundiu pesquisadores

As primeiras observações mostraram um objeto vermelho que desaparecia rapidamente. Esse comportamento lembrava a kilonova de 2017, na qual a cor vermelha estava ligada a elementos pesados, como ouro, que absorvem luz azul e deixam passar comprimentos de onda avermelhados.

A explosão cósmica, porém, mudou de comportamento poucos dias depois do primeiro clarão. O objeto voltou a ficar mais brilhante, passou a emitir luz mais azulada e apresentou hidrogênio em seus espectros, características associadas a uma supernova de colapso de núcleo com envelope removido.

Essa virada levou parte dos astrônomos a considerar que o evento poderia ser apenas uma supernova comum e sem relação com o sinal de ondas gravitacionais. Supernovas em galáxias distantes normalmente não produzem ondas gravitacionais detectáveis, o que aumentou a dificuldade de interpretação.

Hipótese aponta para uma “superkilonova”

A equipe liderada por Mansi Kasliwal, professora de astronomia do Caltech e diretora do Observatório Palomar, identificou sinais que não se encaixavam totalmente em uma kilonova clássica nem em uma supernova típica. O estudo com os resultados foi publicado no The Astrophysical Journal Letters.

A hipótese apresentada é que a explosão cósmica represente uma “superkilonova”, uma kilonova acionada por uma supernova. A ideia já havia sido proposta por cientistas, mas nunca havia sido observada.

Nesse cenário, uma estrela massiva teria explodido e criado duas estrelas de nêutrons recém-formadas. Essas estrelas teriam espiralado uma em direção à outra e se fundido rapidamente, produzindo uma kilonova dentro dos destroços da supernova.

Estrelas de nêutrons pequenas entram no debate

Estrelas de nêutrons são remanescentes densos deixados após a explosão de estrelas massivas. Elas têm aproximadamente o tamanho de São Francisco, cerca de 25 quilômetros de diâmetro, e normalmente apresentam massas entre 1,2 e três vezes a massa do Sol.

Os dados de ondas gravitacionais sugeriram que ao menos um dos objetos em colisão tinha massa menor que a do Sol. Algumas teorias admitem a existência de estrelas de nêutrons ainda menores, mas nenhuma foi observada diretamente.

Cientistas propuseram dois caminhos para a formação dessas estrelas de nêutrons pequenas. Em um deles, uma estrela massiva em rotação rápida explode e se divide em duas estrelas menores por fissão; em outro, a explosão cria um disco de material ao redor do núcleo em colapso, e aglomerados nesse disco formam uma pequena estrela de nêutrons.

Mais eventos serão necessários para confirmar descoberta

A explicação ainda exige novas evidências. Os pesquisadores ressaltam que ainda não há dados suficientes para confirmar que AT2025ulz seja realmente uma “superkilonova”, apesar de o evento ter chamado atenção pelo comportamento incomum.

Novas buscas poderão usar dados do ZTF, do Observatório Vera Rubin e de projetos futuros ou em desenvolvimento. A lista inclui o Telescópio Espacial Nancy Roman, da NASA, o UVEX, liderado por Fiona Harrison, do Caltech, o Deep Synoptic Array-2000 e o Cryoscope, no Antártico.

A investigação também reforça a importância de observar eventos que possam ser confundidos com supernovas comuns. Caso novas ocorrências semelhantes sejam identificadas, a possível explosão cósmica AT2025ulz poderá se tornar a primeira pista concreta de uma classe inédita de cataclismo estelar.

Com informações ScienceDaily

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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