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Astronautas chineses retornam à Terra após incidente com possível detrito espacial que deixou tripulação presa em órbita

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 14/11/2025 às 19:35
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Os astronautas chineses da Shenzhou-20 foram resgatados após ficarem presos na estação Tiangong devido ao impacto de possível lixo espacial. Depois de 204 dias em órbita, retornaram em segurança usando a cápsula da Shenzhou-21

Os três astronautas da missão Shenzhou-20 finalmente estão de volta ao solo depois de viverem uma das situações mais delicadas já registradas no programa espacial tripulado da China. A equipe, formada por Chen Dong, Wang Jie e Chen Zhongrui, ficou presa na estação Tiangong após um fragmento de possível lixo espacial atingir a cápsula que seria usada para o retorno à Terra.

Um retorno adiado por quase duas semanas

A missão havia estabelecido um novo marco logo no início. Foram 204 dias em órbita, marcando uma das estadias mais longas já realizadas por taikonautas. A viagem deveria terminar em 5 de novembro, mas tudo mudou poucas horas antes da partida planejada. A cápsula de reentrada apresentou danos após o impacto de um objeto que, segundo engenheiros da CMSA (Agência Espacial Tripulada da China), provavelmente era detrito espacial — um risco crescente e amplamente monitorado no setor aeroespacial.

Como medida de segurança, o retorno foi cancelado e a tripulação recebeu ordem para se manter na Tiangong enquanto uma cápsula reserva era testada às pressas.

A solução: voltar à Terra usando outra nave

A resposta veio dias depois. Os engenheiros chineses concluíram que a única forma segura de resgatar a equipe seria utilizar a cápsula da Shenzhou-21, que havia levado a tripulação substituta até a estação.

O procedimento exigiu uma logística precisa:

• A Shenzhou-21 desacoplou da Tiangong às 11h14 (horário de Pequim) de sexta-feira.
• Às 14h49, a cápsula de retorno se separou do módulo orbital.
• O pouso aconteceu às 16h40, na Região Autônoma da Mongólia Interior, no norte do país.

Segundo a agência estatal Xinhua, o trio foi resgatado em boas condições de saúde e iniciou imediatamente os protocolos de readaptação à gravidade terrestre.

O que aconteceu com a cápsula original?

A causa exata do dano ainda não foi confirmada, mas o cenário provável é o mais preocupante: lixo espacial. A Terra está rodeada por centenas de milhares de fragmentos — desde estágios de foguetes até porcas e parafusos liberados em antigas missões. Com mais satélites sendo lançados a cada ano, o risco de colisões vem aumentando, e incidentes como este reforçam alertas feitos há anos por especialistas.

Um recorde chinês, mas longe dos maiores da história

Os 204 dias vividos pela Shenzhou-20 estabelecem um marco importante para a China, embora fiquem abaixo das missões mais longas já enfrentadas por astronautas de outros países.

Butch Wilmore e Sunita Williams, da NASA, ficaram 286 dias na ISS entre 2024 e 2025 devido a falhas na nave Starliner, da Boeing.
• O recorde dos Estados Unidos pertence a Frank Rubio, que permaneceu 371 dias na órbita terrestre entre 2022 e 2023.
• A marca absoluta segue pertencendo ao cosmonauta Valeri Polyakov, que viveu 437 dias consecutivos na antiga estação russa Mir, entre 1994 e 1995.

Apesar dos impactos fisiológicos das longas estadias — como perda de massa óssea, alterações musculares e mudanças na circulação — a maior parte desses efeitos costuma regredir dentro dos seis meses após o retorno ao planeta, embora ainda existam muitas perguntas sem resposta sobre como o corpo humano realmente reage a longos períodos fora da Terra.

Um alerta para o futuro

O episódio da Shenzhou-20 reforça uma preocupação compartilhada por todas as agências espaciais: o risco imposto pela crescente nuvem de lixo espacial em torno do planeta. Missões tripuladas, satélites de comunicação, plataformas científicas e até constelações comerciais precisam navegar por um ambiente cada vez mais congestionado.

Enquanto a China celebra o retorno seguro de sua tripulação, o incidente deixa um recado claro: o espaço próximo à Terra já não é um ambiente tão silencioso quanto antes — e gerir seus riscos será uma das grandes tarefas da próxima geração da exploração espacial.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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