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Adeus ao entulho: brasileira criou um tijolo revolucionário que usa o lixo das obras, já avançou sobre os mercados do Reino Unido e dos EUA e promete sacudir a construção civil global

Escrito por Ana Alice
Publicado em 05/04/2026 às 04:03
Atualizado em 05/04/2026 às 12:25
Assista o vídeoBrasileira cria tijolo com resíduos de obras, sem queima e com certificação internacional para reduzir emissões na construção civil. (Imagem: Reprodução/Instagram Kenoteq/Xataka)
Brasileira cria tijolo com resíduos de obras, sem queima e com certificação internacional para reduzir emissões na construção civil. (Imagem: Reprodução/Instagram Kenoteq/Xataka)
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Pesquisa liderada por uma brasileira transformou resíduos da construção civil em um tijolo de baixo carbono, já certificado em mercados internacionais e inserido no debate sobre reciclagem, inovação industrial e redução de emissões no setor.

A engenheira brasileira Gabriela Medero desenvolveu, ao lado do engenheiro Sam Chapman, um tijolo produzido majoritariamente com resíduos da construção civil que chegou ao mercado britânico como alternativa de menor impacto ambiental.

Chamado de K-Briq, o material foi criado a partir de pesquisas conduzidas na Universidade Heriot-Watt, em Edimburgo, e hoje é apresentado pela empresa Kenoteq como um produto de construção com alto teor de conteúdo reciclado e certificações técnicas para uso no Reino Unido e nos Estados Unidos.

O principal diferencial está no processo de fabricação.

Diferentemente do tijolo cerâmico tradicional, o K-Briq não é submetido à queima em fornos de alta temperatura.

Segundo a Kenoteq, o produto é feito por compressão com resíduos de construção, demolição e escavação, o que reduz o consumo de energia na produção.

A empresa afirma ainda que o material tem pelo menos 95% menos carbono incorporado do que materiais convencionais e que sua composição pode variar de mais de 90% até perto de 100% de conteúdo reciclado, conforme a formulação informada pela própria fabricante.

Desenvolvimento do K-Briq e origem da pesquisa

A tecnologia começou a ser desenvolvida em pesquisas acadêmicas voltadas à avaliação do ciclo de vida de materiais de construção.

De acordo com a Universidade Heriot-Watt e com a British Board of Agrément, o projeto evoluiu ao longo de mais de dez anos até chegar ao estágio comercial.

Em 2019, Medero e Chapman fundaram a Kenoteq para transformar o resultado dessas pesquisas em produto de mercado.

Nas informações divulgadas pela universidade e por entidades ligadas ao setor, a iniciativa aparece como uma tentativa de responder a um problema recorrente da construção civil: o grande volume de resíduos gerados por obras e demolições.

Imagem: Heriot-Watt
Imagem: Heriot-Watt

Nesse contexto, a proposta foi desenvolver um tijolo capaz de reaproveitar parte desse material sem repetir o modelo produtivo do tijolo tradicional, que depende de altas temperaturas.

Em entrevista reproduzida por veículos especializados em arquitetura e design, Gabriela Medero afirmou que passou anos pesquisando materiais de construção e que sua preocupação estava ligada ao uso de matérias-primas sem consideração suficiente sobre o impacto ambiental.

A declaração ajuda a situar a motivação do projeto, mas o avanço comercial do K-Briq foi acompanhado principalmente por testes técnicos, certificações e expansão fabril.

Diferenças entre o K-Briq e o tijolo convencional

A Kenoteq informa que o K-Briq mantém dimensões e aplicações semelhantes às de tijolos usados tradicionalmente em obras, com possibilidade de diferentes cores e acabamentos.

A empresa também destaca que o produto foi submetido a avaliações sobre resistência, durabilidade e estabilidade de cor.

No material institucional, o K-Briq é apresentado para uso em fachadas e superfícies internas, dentro dos limites previstos nas certificações obtidas.

Além do reaproveitamento de resíduos, a empresa afirma que a fabricação ocorre em unidade instalada em East Lothian, na Escócia, próxima da cadeia de fornecimento de materiais reciclados.

Segundo a Kenoteq, essa lógica busca reduzir deslocamentos e reforçar o modelo de economia circular, no qual resíduos de um setor retornam à própria construção civil em forma de novo produto.

A comparação ambiental com os tijolos convencionais aparece em diferentes comunicações da empresa e de organizações parceiras.

Imagem: Reprodução/K-BRIQ
Imagem: Reprodução/K-BRIQ

Em linhas gerais, o argumento central é que a ausência da etapa de queima reduz de forma expressiva o uso de energia e as emissões associadas ao processo.

Em publicações sobre a tecnologia, o K-Briq é descrito como um tijolo não queimado, de baixo carbono e com mais de 90% de material reciclado.

Construção civil, resíduos e pressão por descarbonização

A criação do K-Briq ganhou visibilidade em um cenário de pressão crescente sobre a construção civil para reduzir emissões e resíduos.

A Comissão Europeia informa que os resíduos de construção e demolição representam mais de um terço de todo o lixo gerado na União Europeia.

Trata-se de uma fração relevante porque inclui concreto, tijolos, madeira, vidro, metais e plásticos, materiais que podem ter valor econômico e potencial de reaproveitamento.

No debate sobre descarbonização, iniciativas voltadas à reutilização e à reciclagem de materiais passaram a ganhar espaço em universidades, empresas e políticas públicas.

A Zero Waste Scotland relaciona a trajetória da Kenoteq a esse esforço de circularidade e já havia apoiado a expansão industrial do produto em sua fase de comercialização.

Registros de 2021 indicam que o projeto recebeu financiamento para ampliar a produção a mais de dois milhões de unidades por ano.

Sam Chapman, cofundador da empresa, afirmou em material divulgado por organizações parceiras que a indústria da construção enfrenta um desafio relevante para cumprir metas de descarbonização e que parte dos resíduos descartados poderia ser reinserida na cadeia produtiva.

A fala foi usada pela empresa e por entidades do setor para defender o reaproveitamento de agregados provenientes de tijolo, pedra, concreto e argamassa.

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Certificação internacional e entrada no mercado

O projeto também recebeu reconhecimento internacional.

Em 2022, a Heriot-Watt informou que a Kenoteq venceu a categoria de sustentabilidade no voto do público do Dezeen Awards, premiação voltada à arquitetura e ao design.

Na ocasião, a universidade destacou que o produto era feito com resíduos da construção e pigmentos reciclados.

Mais recentemente, o avanço mais relevante ocorreu no campo regulatório.

A Kenoteq informa que o K-Briq obteve certificação da British Board of Agrément no Reino Unido e certificação DrJ nos Estados Unidos, enquanto a certificação europeia ainda está em andamento.

Em comunicado publicado em 30 de junho de 2025, a BBA afirmou que a aprovação técnica ampliava a confiança de arquitetos e especificadores e acompanhava a nova fase de crescimento da empresa.

Com isso, a invenção associada à pesquisa de Gabriela Medero deixou o estágio experimental e passou a integrar o mercado de materiais de construção de baixo carbono.

O caso reúne pesquisa universitária, apoio institucional, certificação técnica e escala de produção, em um momento em que a construção civil busca alternativas para reduzir o descarte de resíduos e a dependência de processos de maior emissão.

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Júlio César
Júlio César
13/04/2026 12:48

No Brasil já existe produtos semelhante, há vários anos, inclusive maquinários para produção, produto de boa qualidade, problema é que aqui pesquisadores não recebem nenhum incentivo, seja financeiro ou da mídia, se existisse, era possível que já estivesse produzindo comercialmente em larga escala

Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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