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Artemis 2 volta em modo extremo: cápsula Orion reentra acima de 30 mil km/h, encara 2.700°C, blackout de comunicação e corredor estreito, depende do escudo térmico e paraquedas para cair no oceano em segurança

Escrito por Carla Teles
Publicado em 08/04/2026 às 11:16
Atualizado em 10/04/2026 às 22:14
Assista o vídeoArtemis 2 volta em modo extremo cápsula Orion reentra acima de 30 mil kmh, encara 2.700°C, blackout de comunicação e corredor estreito, depende do escudo térmico (1)
Escudo térmico na cápsula Orion: corredor de reentrada, blackout de comunicação e paraquedas definem a volta da Artemis 2 ao oceano.
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Com o escudo térmico na base, a cápsula Orion precisa acertar um corredor de reentrada estreito, atravessar plasma e blackout de comunicação, abrir paraquedas em sequência e cair no mar com segurança

A volta da Artemis 2 para a Terra é o trecho mais tenso da missão, e o escudo térmico vira a diferença entre um retorno controlado e um cenário fora do plano. Depois de viajar pelo espaço e contornar a Lua, a cápsula Orion enfrenta minutos que concentram anos de engenharia, testes e cálculos.

Nessa fase, nada é “só descer”. A Orion chega do espaço profundo em altíssima velocidade, entra na atmosfera no ponto certo, no ângulo certo e no alinhamento certo. Qualquer desvio muda tudo, porque a reentrada acontece dentro de limites extremamente precisos até o toque no oceano.

O retorno começa com velocidade extrema e zero margem confortável

Escudo térmico na cápsula Orion: corredor de reentrada, blackout de comunicação e paraquedas definem a volta da Artemis 2 ao oceano.

Quando a Orion inicia a volta, ela não reduz a velocidade aos poucos como um avião. Ela cruza a atmosfera acima de 30.000 km/h, e isso muda completamente como a chegada funciona.

Em um cenário assim, qualquer detalhe importa, desde a posição da cápsula no espaço até a forma como ela se apresenta para a atmosfera.

É por isso que a missão trata esse trecho como uma sequência cronometrada. Para quem assiste, parece rápido. Para a nave, é a parte mais exigente de toda a viagem.

SAIBA MAIS DE COMO FOI A AMERRISAGEM DA ARTEMIS 2

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Corredor de reentrada: a faixa invisível onde tudo pode dar certo ou errado

O primeiro grande desafio está no corredor de reentrada, uma faixa invisível e extremamente estreita por onde a cápsula precisa passar para desacelerar do jeito correto.

Se a entrada for mais inclinada do que deveria, o aquecimento cresce demais e as forças sobre a estrutura aumentam rápido.

Se a entrada for rasa demais, a cápsula pode tocar camadas mais altas da atmosfera e “saltar”, escapando de volta para o espaço.

A comparação é clara: como uma pedra batendo na água no ângulo errado. Só que, na Orion, isso acontece em escala muito maior e com energia muito mais violenta. Por isso, a reentrada começa com precisão, antes mesmo de qualquer imagem impressionante aparecer.

Por que o escudo térmico fica na base e não pode falhar

Antes de encontrar o ar mais denso, a cápsula precisa estar corretamente alinhada para que a base encare a parte mais intensa da reentrada.

É nessa base que está o escudo térmico, e esse detalhe é essencial porque a Orion foi desenhada para voltar desse jeito.

O formato da cápsula ajuda a controlar a descida e a distribuir melhor as forças durante a passagem pela atmosfera.

Quando a nave se apresenta corretamente, ela usa a própria geometria como parte da proteção. A partir daí, a física assume o comando.

2.700°C, compressão do ar e a fase em que a atmosfera vira inimiga

Quando a Orion encontra as primeiras camadas da atmosfera, o ar à frente dela não consegue se mover normalmente. A cápsula está rápida demais.

Esse ar é comprimido com violência e a compressão faz a temperatura subir de forma extrema. É isso que gera o calor brutal da reentrada.

Do lado de fora, a temperatura pode passar de 2.700°C, um nível capaz de destruir a maioria dos materiais comuns. E o mais impressionante é que isso acontece enquanto a cápsula ainda avança em velocidade altíssima. A Orion precisa usar a atmosfera para frear, mas essa mesma atmosfera vira a parte mais agressiva da volta.

Plasma e blackout de comunicação: o trecho de silêncio planejado

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Conforme o aquecimento aumenta, o ar ao redor da cápsula se transforma em plasma, um gás super aquecido e eletricamente carregado que envolve a nave e cria o brilho intenso da reentrada. Essa “bola de fogo” é a imagem marcante, mas o plasma afeta algo ainda mais sensível: as comunicações.

Durante alguns minutos, os sinais de rádio não conseguem atravessar essa camada. É aí que acontece o blackout de comunicação. A transmissão some, a voz não chega, e os dados deixam de aparecer normalmente.

Esse silêncio já faz parte do planejamento, mas continua sendo um dos trechos mais delicados, porque a cápsula segue atravessando a fase mais dura sem contato com a Terra.

Navegação autônoma e sistemas de bordo assumem o controle

No blackout, os sistemas de bordo conduzem a nave sozinhos. Sensores acompanham a trajetória, monitoram a orientação e mantêm a descida dentro do perfil calculado.

Os computadores continuam trabalhando sem pausa, executando o que foi programado muito antes do lançamento.

É nesse momento que a confiança passa para a tecnologia embarcada. A Orion atravessa a parte crítica contando com navegação autônoma, sensores e a precisão de sistemas testados exaustivamente antes do voo.

Ablação: como o escudo térmico se “consome” para salvar a cápsula

No centro de toda a proteção está o escudo térmico. Sem ele, a cápsula não resistiria. E o ponto mais interessante é que esse escudo não foi feito para sair intacto. Ele foi criado para se desgastar do jeito certo.

Enquanto o calor aumenta, a camada externa do material começa a se consumir de maneira controlada. Esse desgaste absorve energia e impede que a temperatura extrema avance para o interior. Enquanto o lado de fora se sacrifica, a cabine continua protegida. Esse processo é chamado de ablação.

Na prática, o escudo térmico funciona porque perde material no ritmo planejado. Em vez de tentar ficar inteiro diante de um ambiente absurdo, ele usa o próprio desgaste como defesa.

É uma solução elegante e extremamente eficiente, mas exige precisão total, porque qualquer diferença muda como o calor é distribuído pela estrutura.

Paraquedas em camadas: a sequência que transforma velocidade em pouso

Escudo térmico na cápsula Orion: corredor de reentrada, blackout de comunicação e paraquedas definem a volta da Artemis 2 ao oceano.

Enquanto a cápsula atravessa as etapas mais agressivas, ela também começa a perder velocidade. Depois da fase mais quente, vem outra parte decisiva: a abertura dos paraquedas.

A sequência é calculada com cuidado. Primeiro entram paraquedas menores, que estabilizam a cápsula e controlam oscilações.

Depois surgem os paraquedas principais, muito maiores, responsáveis por reduzir a velocidade final até um nível seguro. Nada acontece de uma vez só, porque a desaceleração precisa ser gradual para preparar a fase seguinte.

Pouso no oceano e recuperação: a missão só termina no resgate

Quando o brilho extremo fica para trás e o blackout acaba, a Orion desce sob os paraquedas e se aproxima da área escolhida com antecedência.

O pouso acontece no mar, e esse momento também segue o plano: após o impacto com a água, a cápsula é estabilizada, as equipes se aproximam e começa a fase de recuperação.

Navios, helicópteros, mergulhadores e especialistas aguardam a chegada. A situação da nave é verificada, a tripulação é atendida e os procedimentos de resgate entram em ação. A missão só termina de verdade quando a cápsula está segura e os astronautas foram retirados com sucesso.

No fim, é isso que torna a volta da Artemis 2 tão importante: em poucos minutos, a Orion precisa acertar o corredor de reentrada, atravessar plasma, lidar com blackout, confiar no escudo térmico, abrir paraquedas na ordem certa e cair no oceano com segurança.

Você imaginava que o ponto mais delicado da Artemis 2 estava justamente na volta para a Terra?

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Edmar
Edmar
12/04/2026 07:13

E o incrível é que toda essa tecnologia já existia em 1969 quando o homem “foi à lua” pela primeira vez, correto?

Anailton marinho
Anailton marinho
10/04/2026 18:48

Nao consequia entender porque a falta de comunicação em certo momento da volta da cápsula. Entendi que é a alta temperatura que bloqueia a comunicação. Valeu!!!

Anailton marinho
Anailton marinho
10/04/2026 18:38

Massa a explicação! Aula de física.

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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