A arroba do boi pode subir no fim de 2026 com embarques para a China; analista projeta até 400 mil toneladas e aponta gestão da cota como fator para conter altas no mercado pecuário brasileiro.
A arroba do boi pode subir com mais força no fim de 2026 caso os embarques brasileiros para a China avancem sem um sistema de gestão da cota, avalia Fernando Iglesias, da Safras & Mercado.
Segundo análise publicada pelo Canal Rural em 18 de outubro, o país poderia enviar até 400 mil toneladas de carne aos chineses entre novembro e dezembro. O volume é uma projeção do especialista, condicionada à ausência desse controle.
O cenário surge enquanto a oferta de animais permanece restrita. Na maior parte das regiões brasileiras, as escalas de abate estavam entre cinco e seis dias úteis, situação apontada como fator de sustentação dos preços.
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Cota de 2027 orienta os embarques
Na avaliação de Iglesias, a estratégia mais provável dos frigoríficos envolve produzir em outubro e embarcar nos dois meses seguintes. O objetivo seria fazer as cargas chegarem em janeiro, utilizando o limite de importação do próximo ano.
A cota brasileira para o mercado chinês em 2027 é de 1,128 milhão de toneladas, conforme a reportagem. O volume supera em 2% o limite de 1,106 milhão de toneladas estabelecido para 2026.
O analista relaciona o comportamento dos preços à resposta do governo federal ao pedido da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, a Abiec, por um mecanismo interno de administração desse volume.
Com a gestão, a expectativa apresentada é de estabilização da arroba, com aumentos pontuais. Sem ela, Iglesias projeta uma demanda maior por animais, impulsionada pela concentração dos embarques para a China no encerramento do ano.
Cotações avançam em cinco praças
As referências de 15 de outubro mostram altas em cinco das seis localidades acompanhadas, nos negócios a prazo. Em São Paulo, a arroba chegou a R$ 385, ante R$ 380 no fechamento da semana anterior.
Goiânia passou de R$ 360 para R$ 365, enquanto Uberaba avançou de R$ 365 para R$ 370. Em Cuiabá, o valor subiu de R$ 345 para R$ 350.
Vilhena registrou a maior variação percentual desse grupo: 1,96%, com passagem de R$ 358 para R$ 365. Dourados manteve a referência de R$ 370, sem alteração na comparação semanal.
Atacado tem limite para novas altas
No atacado, o quarto traseiro bovino passou de R$ 28,50 para R$ 29,50 por quilo. O dianteiro avançou de R$ 21,50 para R$ 22. Os aumentos foram de 3,51% e 2,33%, respectivamente.
Iglesias aponta a expectativa de consumo doméstico no último trimestre como apoio às cotações. Ao mesmo tempo, considera que a competitividade do frango e dos cortes suínos limita o espaço para novos reajustes da carne bovina.
Exportações recuam na média diária
Nos primeiros sete dias úteis de outubro, as vendas externas brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada somaram 61.321 toneladas e US$ 377,937 milhões, segundo dados da Secex reproduzidos na publicação.
Diante de outubro de 2025, a quantidade média diária caiu 39,9%, enquanto o preço médio por tonelada aumentou 11,3%, para US$ 6.163,30.
