Com mais de 20 mil vagas abertas, indústrias de aves e suínos enfrentam dificuldades para contratar. Presidente da ABPA prevê ajustes na produção e alta de preços com a redução da jornada de trabalho semanal.
O fim da escala 6×1 deve levar empresas de proteína animal a rever o volume de produção, segundo Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A entidade aponta dificuldades para contratar trabalhadores.
Em entrevista ao Canal Rural, publicada neste domingo (18), Santin afirmou que o setor pretende diminuir a entrada de animais nas fábricas para evitar que faltem funcionários na hora do abate.
Segundo a reportagem do Canal Rural, a preocupação é manter o processamento dentro das condições sanitárias exigidas pela legislação. O executivo também prevê menor disponibilidade de produtos em alguns mercados e aumento dos preços.
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Indústrias têm mais de 20 mil vagas abertas
De acordo com Santin, as indústrias de processamento já acumulam mais de 20 mil postos de trabalho sem preenchimento. Esse cenário antecede a adaptação à jornada menor e dificulta, na avaliação dele, a recomposição das equipes.
Para preencher vagas, empresas têm recorrido a trabalhadores de outras regiões brasileiras e do exterior. O presidente da ABPA citou pessoas do Norte e do Nordeste que vão trabalhar em unidades industriais do Sul.
Entre os estrangeiros, mencionou venezuelanos, haitianos, bolivianos e trabalhadores de países africanos. Segundo o dirigente, o setor não consegue encontrar rapidamente a mão de obra necessária para compensar a redução das horas trabalhadas.
Cada empresa avaliará produção e horas extras
Santin disse que as companhias precisarão analisar como ajustar suas operações. O pagamento de horas extras foi uma das possibilidades mencionadas na entrevista, ao lado da redução do volume recebido pelas fábricas.
Ao comentar a diminuição inicial de duas horas semanais, o executivo estimou um corte de 5% na quantidade de produtos que entra nas unidades que operam no regime de seis dias de trabalho.
Esse percentual foi apresentado como avaliação do presidente da associação. A reportagem não detalha uma projeção por empresa, produto ou região, nem informa quanto os preços poderiam subir para o consumidor.
Transição prevê duas etapas de redução
Conforme a reportagem sobre a promulgação, vinculada ao texto original, o Congresso promulgou a mudança na sexta-feira (16). O texto prevê manutenção dos salários e redução gradual da jornada, atualmente de 44 horas semanais.
A primeira etapa estabelece 42 horas semanais e dois dias de descanso após 60 dias da promulgação. Doze meses depois dessa redução inicial, o limite passa para 40 horas por semana.
A publicação também informa que acordos coletivos poderão estabelecer regimes compensatórios, com manutenção da média de duas folgas remuneradas semanais e compensação dentro do mesmo mês.
ABPA prepara discussão com empresas e ministros
O dirigente afirmou que o setor se reunirá para discutir estratégias de adaptação. Também informou que irá a Brasília conversar com ministros e apresentar as dificuldades das empresas diante da mudança na organização do trabalho.
Apesar das críticas aos efeitos sobre a produção, Santin declarou que a alteração constitucional precisa ser cumprida. A entrevista ocorreu durante a SIAL Paris, evento internacional da indústria de alimentos e bebidas.
