Recuperação de uma propriedade esquecida no interior fluminense envolveu reconstrução completa, mudança no rebanho e adoção de práticas agroecológicas. Em experiência documentada em 2017, a Fazenda Alliança produzia leite orgânico de búfala, cultivava alimentos, recuperava cafezais e recebia visitantes.
Completamente abandonada quando foi adquirida pela arquiteta Josefina Durini, uma fazenda no interior do Rio de Janeiro ganhou nova estrutura produtiva após um trabalho que envolveu recuperação do solo, reconstrução das instalações e reorganização das atividades rurais.
Localizada em Barra do Piraí, a Fazenda Alliança passou por intervenções nas cercas, na sede, na ordenha e nos espaços destinados aos animais antes de alcançar cerca de 200 litros diários de leite orgânico de búfala, conforme produção registrada em 2017.
Além da recuperação física da propriedade, o projeto foi estruturado para implantar um sistema agroecológico capaz de reunir criação animal, cultivo vegetal, conservação dos recursos naturais e produção certificada, segundo reportagem publicada pela Sociedade Nacional de Agricultura.
-
Cerca de 400 pessoas, em 1532, fundaram a primeira cidade organizada do Brasil, realizaram a primeira eleição das Américas e criaram em São Vicente um modelo de governo usado durante séculos
-
Professora transforma tampinhas de garrafa em letras, usa folhas, pedras e galhos como material de aula e prova que a alfabetização pode nascer do lixo reciclado quando falta recurso na escola
-
Após perder o pai e cuidar da mãe, filho cria casa de repouso que oferece atendimento 24 horas e três cuidadores por paciente com Alzheimer na Tailândia
-
Aos 96 anos, ele é o funcionário número 1 de uma empresa no interior de São Paulo e acaba de completar 76 anos de casa no mesmo lugar: sem nunca pensar em desistir, atravessou gerações, viu o mundo mudar do lado de fora e transformou o próprio trabalho na história de uma vida inteira
Fazenda abandonada exigiu reconstrução da estrutura rural
Ao assumir a área, Josefina encontrou uma propriedade cuja estrutura precisava ser praticamente refeita, situação que levou o trabalho inicial a se concentrar na melhoria e na remineralização do solo, na instalação de cercas e na restauração da sede.
Na sequência, a fazenda recebeu uma ordenha, apriscos e outros espaços necessários à rotina produtiva, permitindo que a atividade pecuária fosse implantada dentro do modelo planejado para recuperar a área e aproveitar novamente seu potencial econômico.
Antes da entrada das búfalas, a pecuária leiteira começou com vacas da raça Jersey, conhecidas pela produção de leite com elevados teores de gordura e proteína, mas os animais não apresentaram boa adaptação ao sistema orgânico adotado na propriedade.
Conforme o relato divulgado pela Sociedade Nacional de Agricultura naquele período, as condições encontradas em Barra do Piraí e as características do manejo fizeram com que a produtora buscasse uma alternativa mais adequada à proposta agroecológica desenvolvida desde o início da recuperação.
Troca de vacas por búfalas redefiniu a produção
Diante das dificuldades observadas com as vacas Jersey, Josefina passou a adquirir búfalas gradualmente, percebendo durante o processo que esses animais respondiam melhor às condições da fazenda e apresentavam maior compatibilidade com o sistema produtivo escolhido para a propriedade.
Na época retratada pela reportagem de 2017, o leite de búfala era o principal produto comercial da Fazenda Alliança, que mantinha entre 150 e 200 animais e registrava uma produção aproximada de 200 litros de leite orgânico por dia.
Obtido por meio de duas ordenhas realizadas diariamente naquele momento, o volume era encaminhado a um laticínio da região, onde o leite servia como matéria-prima para derivados comercializados em supermercados e restaurantes do estado do Rio de Janeiro.
Naquele estágio do projeto, a propriedade que havia sido encontrada sem estrutura operacional já integrava uma cadeia comercial mais ampla, levando produtos de origem orgânica para estabelecimentos situados além dos limites do município de Barra do Piraí.
Manejo orgânico começou pela recuperação do solo
Para atender aos critérios do sistema orgânico adotado, as intervenções alcançaram diferentes etapas da produção, desde o tratamento do solo e o cultivo dos alimentos oferecidos ao rebanho até o manejo cotidiano das búfalas mantidas na propriedade.
Entre as práticas apresentadas na reportagem estavam a adubação verde e a aplicação de vermicomposto produzido dentro da própria fazenda, recursos utilizados para melhorar as condições do solo sem abandonar os princípios definidos para o projeto agroecológico.
Também cultivados na propriedade naquele período, cana, capim, milho e sorgo formavam parte da alimentação destinada aos animais, estratégia que diminuía a dependência da compra de ração e ampliava o controle sobre os ingredientes utilizados na nutrição do rebanho.
Ao produzir uma parcela importante dos alimentos consumidos pelas búfalas, a Fazenda Alliança aproximava o manejo nutricional das exigências do sistema orgânico e mantinha maior integração entre as atividades agrícolas e pecuárias desenvolvidas na área rural.
Lagos e áreas sombreadas integraram o manejo
Além da alimentação produzida na fazenda, o manejo descrito pela fonte considerava características naturais das búfalas, que encontravam áreas sombreadas, água para consumo e lagos onde podiam se banhar durante os períodos de temperaturas mais elevadas.
Esses espaços atendiam ao comportamento de uma espécie que utiliza água e lama para auxiliar na regulação da temperatura corporal, tornando a estrutura disponível na propriedade parte importante da adaptação dos animais ao sistema produtivo implantado.
Segundo Josefina informou à Sociedade Nacional de Agricultura em 2017, a rotina da fazenda utilizava tratamentos homeopáticos e não empregava hormônios ou antibióticos, práticas associadas às decisões tomadas para preservar o posicionamento orgânico da produção naquela época.
Inseridas em um conjunto mais amplo de exigências, essas medidas abrangiam o cuidado com o solo, a alimentação fornecida aos animais, as condições de manejo e os procedimentos adotados na obtenção do leite destinado à comercialização.
Certificação orgânica diferenciava o leite de búfala
À época da reportagem, a Fazenda Alliança possuía certificação concedida pela Ecocert, organização responsável por avaliar sistemas de produção orgânica e verificar se as práticas adotadas atendiam aos critérios necessários para comercializar alimentos com essa identificação.
Em declaração publicada em 2017, Josefina afirmou que a propriedade era então a única certificada para produção orgânica de leite de búfala no estado do Rio de Janeiro e uma das poucas dedicadas à atividade no Brasil.
Como essa condição foi apresentada em um registro jornalístico específico daquele ano, a informação descreve o cenário existente no momento da publicação e não representa, por si só, uma classificação permanente sobre o mercado brasileiro de leite orgânico.
Mais do que uma declaração feita pela própria produtora, o selo exigia o acompanhamento das práticas aplicadas ao solo, à alimentação, ao manejo dos animais e à produção dos alimentos que posteriormente eram direcionados ao mercado consumidor.
Para os consumidores daquele período, a certificação funcionava como referência sobre origem e método de produção, enquanto a fazenda utilizava esse reconhecimento para diferenciar o leite e seus derivados dentro de um segmento ainda pouco difundido no país.
Hortas, pomares e cafezais diversificaram a propriedade
Embora o leite de búfala ocupasse o centro da atividade comercial documentada em 2017, a Fazenda Alliança também mantinha hortas e pomares orgânicos destinados à venda, além de carneiros, porcos e animais de granja utilizados no abastecimento interno.
Outra frente produtiva surgiu com a recuperação de um cafezal já existente na área, que se encontrava abandonado e voltou a receber atenção junto com o plantio de novas mudas de café arábica na propriedade.
Ao retomar essa cultura, a fazenda incorporou ao projeto uma atividade historicamente ligada ao Vale do Café, região onde Barra do Piraí está situada e que preserva construções, paisagens e referências associadas ao desenvolvimento cafeeiro fluminense.
Hortaliças, frutas, leite, café e criações de menor porte ocupavam diferentes áreas da fazenda, formando um sistema no qual parte da produção atendia ao consumo interno e outra parcela era direcionada ao mercado.
Turismo rural aproximava visitantes da produção
Incorporado ao projeto como mais uma atividade econômica, o turismo rural permitia que visitantes conhecessem a rotina agroecológica da Fazenda Alliança e tivessem contato com refeições preparadas a partir de ingredientes cultivados ou produzidos na propriedade.
Favorecida pela localização em uma região marcada pelo patrimônio das antigas fazendas de café, a experiência reunia criação de búfalas, produção de leite, hortas, pomares, gastronomia e elementos históricos ligados ao espaço rural.
Em vez de se restringir à observação dos animais, a visita aproximava o público das etapas envolvidas na produção dos alimentos e criava uma ligação direta entre os ingredientes servidos, o manejo empregado e o local de obtenção da matéria-prima.
No cenário documentado pela Sociedade Nacional de Agricultura em 2017, a Fazenda Alliança havia passado de uma área sem estrutura operacional para uma propriedade com solo recuperado, instalações reconstruídas, rebanho adaptado, certificação orgânica e diferentes atividades econômicas.
Você imaginaria que a recuperação de uma fazenda completamente abandonada poderia envolver a substituição das vacas por búfalas e dar origem a uma propriedade com leite orgânico, café, hortas, pomares e turismo rural?
