Uma operação de engenharia realizada em Southsea usou uma draga, tubulações submarinas, escavadeiras e trabalho contínuo para remodelar o litoral de Portsmouth, reforçar a proteção urbana e preparar a cidade para tempestades, avanço do mar e eventos costeiros extremos.
Ondas fortes, tempestades e o avanço do nível do mar pressionavam um dos trechos mais expostos do litoral britânico. A ameaça não se limitava à perda de praia ou a danos no calçadão. Mais de 10 mil imóveis estavam em uma área vulnerável a inundações costeiras.
A resposta não veio apenas na forma de muros. Autoridades e engenheiros decidiram reconstruir a própria faixa litorânea com mais de um milhão de toneladas de cascalho retirado de áreas marítimas autorizadas próximas à Ilha de Wight.
Em Southsea, na cidade de Portsmouth, o trecho entre Speakers’ Corner e St George’s Road ficou duas vezes mais largo e passou a funcionar como primeira linha de defesa contra ondas, erosão e avanço da água.
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A praia precisava absorver as ondas

As antigas estruturas costeiras estavam perto do fim da vida útil e já não ofereciam a segurança necessária diante de eventos extremos e da elevação prevista do nível do mar.
O risco atingia residências, empresas, acessos urbanos e construções históricas. O Southsea Coastal Scheme, conduzido pelo Portsmouth City Council, calcula que o conjunto das novas defesas deverá proteger mais de 10 mil propriedades residenciais e cerca de 704 imóveis comerciais.
A estratégia foi aumentar o volume da praia para que as ondas perdessem energia antes de alcançar o passeio marítimo. Quanto maior e mais alta a faixa de cascalho, menor tende a ser o impacto da água sobre a cidade.
Uma draga trabalhou 24 horas por dia

A fase principal ocorreu no fim de 2025. A draga Gateway recolheu o material no mar, armazenou a carga e depois bombeou o cascalho em direção à costa.
A operação funcionou dia e noite, com cerca de duas descargas diárias. Apenas três dias após o início do bombeamento, aproximadamente 110 mil toneladas já haviam sido depositadas perto de The Pyramids.
Para levar o material até a praia, foi montada uma rede de grandes tubulações. Uma linha principal, com aproximadamente um metro de diâmetro, atravessava a faixa costeira. No setor oeste, cerca de 700 metros de tubos foram instalados.
No mar, uma tubulação metálica de 516 metros foi posicionada sobre o fundo e conectada a outro trecho flutuante de aproximadamente 168 metros. Escavadeiras e tratores espalharam o material, seguindo as marés e o perfil definido pelos engenheiros.
O litoral virou parte da defesa

A intervenção não mudou toda a praia de Southsea, mas transformou profundamente o trecho reconstruído. A faixa ampliada passou a absorver parte da força das ondas e a reduzir o risco de erosão e transbordamento sobre o calçadão.
Segundo o Portsmouth City Council, a praia trabalhará em conjunto com muros, passeios elevados, blocos de rocha e outras estruturas do projeto.
O novo volume também exigiu a extensão, por cerca de 60 metros mar adentro, da tubulação de drenagem de Canoe Lake. Sem essa adaptação, o cascalho poderia comprometer o escoamento de água.
Um projeto de £185 milhões
A ampliação integra um sistema costeiro de aproximadamente 4,5 quilômetros, entre Old Portsmouth e Eastney, com investimento superior a £185 milhões.
De acordo com a Haskoning, responsável pela engenharia detalhada, o conjunto foi projetado para oferecer proteção por cerca de 100 anos, considerando uma elevação do nível do mar próxima de um metro.
As obras começaram em setembro de 2020 e devem avançar até 2029. Em março de 2026, uma nova etapa começou entre Speakers’ Corner e South Parade Pier, incluindo elevação do passeio, novos acessos, iluminação, áreas verdes e ciclovia.
Southsea mostra que uma praia pode deixar de ser apenas paisagem e assumir uma função decisiva na proteção urbana. Ao dobrar de largura com mais de um milhão de toneladas de cascalho, o litoral passou a revelar como cidades costeiras estão redesenhando a própria fronteira com o mar.

