Professora Mia usa tampinhas, folhas, pedras e galhos para ensinar letras e palavras em escola com poucos recursos na Indonésia.
Em 2025, a professora Mia, de uma madrasah em Nias Utara, na Indonésia, mostrou como materiais simples podem mudar a dinâmica da sala de aula. Segundo o programa KREASI, Kolaborasi untuk Edukasi Anak Indonesia, ela passou a usar tampinhas de garrafa recicladas com letras para ajudar crianças a formar palavras em inglês.
A atividade foi aplicada em um contexto de poucos recursos pedagógicos disponíveis. Mia leciona desde 2017, ensina matemática para turmas do 5º e 6º ano e inglês para turmas do 1º e 2º ano, de acordo com o KREASI.
No lugar de materiais caros, a professora usou objetos comuns do cotidiano. Tampinhas, folhas, pedras e galhos passaram a fazer parte da aula, permitindo que os estudantes montassem letras, palavras e pequenos projetos com as próprias mãos.
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Tampinhas recicladas viraram letras para ensinar nomes de frutas em inglês
A dinâmica principal consistia em usar tampinhas de garrafa marcadas com letras. Segundo o KREASI, Mia pedia que os alunos organizassem essas tampinhas para formar nomes de frutas em inglês.
A proposta tornava a aprendizagem mais concreta. A criança não apenas copiava uma palavra do quadro, mas manipulava cada letra, observava a sequência correta e participava da construção da escrita.
Esse tipo de atividade ajuda especialmente nos primeiros anos, quando a criança ainda está desenvolvendo associação entre som, letra e palavra. Ao montar uma palavra fisicamente, o aluno passa a enxergar a escrita como algo que pode ser formado, desmontado e reorganizado.
Folhas, pedras e galhos foram usados para transformar palavras em atividade prática
A aula não ficou restrita às tampinhas. Segundo o KREASI, Mia também incentivou os alunos a escolherem uma fruta favorita, desenharem essa fruta e soletrarem o nome usando materiais naturais, como folhas, pedras e gravetos.

Com isso, o conteúdo saiu do modelo tradicional de repetição e ganhou uma etapa manual. A palavra passou a ser ligada ao desenho, ao objeto e ao ambiente ao redor da escola.
A atividade também criou uma conexão entre alfabetização, criatividade e reaproveitamento. O que antes poderia ser descartado passou a ter função pedagógica dentro da sala.
Crianças ficaram mais focadas durante a atividade com materiais simples
O resultado apareceu no comportamento dos estudantes. Segundo o KREASI, Mia observou que, quando as crianças eram envolvidas diretamente nas atividades, ficavam mais concentradas no aprendizado.
A professora relatou que, normalmente, os alunos se cansavam rápido ou ficavam impacientes para ir embora. No entanto, quando aprendiam com materiais do ambiente, ficavam tão envolvidos que até esqueciam que já era hora do intervalo.
Esse envolvimento mostra o impacto de uma aula ativa. Quando a criança toca o material, escolhe peças, monta palavras e participa do processo, o aprendizado tende a ganhar mais atenção e interesse.
Método nasceu após formação sobre criação de materiais de aprendizagem
A prática de Mia ganhou força depois de uma formação. Segundo o KREASI, ela é uma das master trainers do programa e começou a aplicar novas estratégias em sala após participar de treinamento sobre desenvolvimento de materiais de aprendizagem.
O KREASI é um programa voltado ao fortalecimento da educação na Indonésia. De acordo com a própria iniciativa, o programa é financiado pela Global Partnership for Education e desenvolvido com órgãos do governo indonésio, por meio da Save the Children e parceiros locais.
A atuação de Mia mostra como uma formação docente pode gerar soluções práticas dentro da escola. A proposta não dependeu de equipamentos sofisticados, mas de adaptação ao contexto da turma.
Materiais reciclados ajudam crianças a aprender com movimento e participação
O uso de tampinhas cria uma atividade de alfabetização com movimento. Cada criança pode pegar uma letra, trocar a posição, testar combinações e corrigir a palavra durante o processo.
Esse recurso também reduz a distância entre o conteúdo e a realidade do aluno. Materiais simples encontrados no cotidiano passam a ser reconhecidos como parte da aprendizagem.
Outro caso citado pelo KREASI reforça essa lógica. Em Morotai, a professora Umian usa objetos como tampinhas, pedras, bolinhas de gude e canudos para ajudar crianças a praticarem contagem. Segundo o programa, os alunos se tornaram mais ativos, confiantes e envolvidos no processo de aprendizagem.
Exemplo semelhante no Brasil usa tampinhas e caixas de ovos na alfabetização
No Brasil, uma prática parecida foi registrada em Canoas, no Rio Grande do Sul. Segundo a Prefeitura de Canoas, a professora Jaqueline de Freitas, da EMEI Alcy Paulo de Oliveira, criou uma atividade de alfabetização com tampinhas de garrafas e caixas de ovos para uma turma da pré-escola.
A tarefa consistia em decodificar palavras no quadro e replicá-las organizando letras com os materiais disponíveis. Depois, as crianças reforçavam os sons dessas palavras.
De acordo com a professora Jaqueline, atividades de consciência fonética e fonológica ajudam as crianças a perceberem as ligações entre a letra escrita e a letra falada.
Alfabetização pode ganhar força com recursos baratos e bem planejados
A história de Mia mostra que materiais de baixo custo podem ter alto impacto quando são usados com intenção pedagógica. Tampinhas, folhas, pedras e galhos não funcionam apenas como objetos de apoio, mas como ferramentas para tornar a aprendizagem mais concreta.
A criança deixa de ser apenas ouvinte e passa a construir a palavra. Esse processo estimula atenção, coordenação, memória visual, reconhecimento de letras e associação entre som e escrita.
O reaproveitamento também acrescenta outra camada à aula. Ao usar tampinhas de garrafa e elementos naturais, a professora transforma descarte e ambiente em parte da alfabetização.
Professora mostra que criatividade pode transformar a falta de recursos em aprendizagem real
Mia também compartilhou sua prática com outros professores. Segundo o KREASI, a resposta foi positiva porque os materiais usados eram simples, como garrafas usadas, pedras, areia, galhos e folhas, mas conseguiam apoiar o processo de aprendizagem.
O caso reforça uma ideia central para escolas com poucos recursos: a qualidade da aula não depende apenas da quantidade de materiais disponíveis, mas da forma como o professor organiza a experiência de aprendizagem.
Ao transformar tampinhas em letras e elementos naturais em atividade de escrita, Mia mostrou que a alfabetização pode nascer de materiais acessíveis, reciclados e presentes no próprio ambiente escolar.
