Encontrada em 1971 durante obras em Changsha, Lady Dai preservava pele elástica, cabelos, órgãos e sangue tipo A, revelando detalhes médicos raros sobre sua morte e a engenharia funerária da dinastia Han na China antiga
A múmia de Xin Zhui, encontrada em 1971 em Changsha, surpreendeu arqueólogos pela pele macia, articulações móveis, órgãos preservados e sangue tipo A, tornando-se um dos casos mais raros da arqueologia mundial.
Descoberta em uma tumba da dinastia Han
A descoberta ocorreu quando operários cavavam um abrigo antiaéreo e encontraram uma tumba monumental ligada ao período da dinastia Han, entre 206 a.C. e 220 d.C.
Dentro do complexo funerário havia mais de mil artefatos, incluindo utensílios de luxo, cosméticos, peças de laca e estatuetas de madeira feitas para representar servos na vida após a morte.
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A riqueza do túmulo chamou atenção, mas o corpo da nobre, conhecida como Lady Dai, se tornou o ponto mais impressionante da escavação.
Múmia de Xin Zhui surpreendeu pela conservação
Diferente de múmias tradicionais, ressecadas e frágeis, Xin Zhui mantinha pele macia ao toque, com elasticidade parecida com a de um cadáver recente.
Cabelos, cílios e sobrancelhas continuavam intactos. As articulações ainda podiam se mover, e os órgãos internos estavam preservados, condição considerada rara em um corpo tão antigo.
Durante a autópsia, os cientistas encontraram sangue do tipo A ainda presente nas veias. Esse detalhe permitiu exames médicos detalhados, algo incomum em corpos conservados por tanto tempo.
Exames revelaram como Lady Dai viveu e morreu
As análises revelram que Xin Zhui morreu por volta de 163 a.C., provavelmente vítima de um ataque cardíaco.
Os exames também identificaram colesterol alto, hipertensão, problemas hepáticos e obesidade, sinais associados a uma vida marcada por excessos.
Outro detalhe chamou atenção dos pesquisadores: cerca de 138 sementes de melão foram encontradas no estômago de Xin Zhui.
Como esse alimento leva aproximadamente uma hora para ser digerido, a conclusão foi que ela havia comido a fruta pouco antes de morrer.
Tumba tinha engenharia funerária complexa
A preservação da múmia de Xin Zhui foi ligada diretamente à estrutura da tumba, construída em grande profundidade e isolada do ambiente externo.
O corpo foi colocado em quatro caixões de madeira encaixados um dentro do outro, em uma estrutura comparada a bonecas russas.
Xin Zhui também foi envolvida em cerca de 20 camadas de seda e depositada em um líquido misterioso, levemente ácido e com traços de magnésio.
A composição completa desse líquido ainda não é totalmente compreendida, mas ele aparece como um dos fatores centrais para o estado incomum do corpo.
Selamento impediu ação de bactérias
A câmara funerária foi fechada com cuidado para impedir a entrada de ar e água, criando um ambiente praticamente hermético.
Camadas de carvão absorviam a umidade, enquanto a argila compacta bloqueava o contato com o exterior e retardava fortemente a decomposição.
Esse equilíbrio permaneceu preservado por mais de dois mil anos, até que a abertura da tumba colocou o corpo em contato com o oxigênio.
A partir desse momento, o estado excepcional começou a se deteriorar, mostrando como a preservação dependia da proteção criada dentro da cãmara.
Corpo da múmia segue sob cuidados no Museu Provincial de Hunan
Hoje, Lady Dai está sob cuidados no Museu Provincial de Hunan, onde continua sendo estudada como um caso único para a ciência.
Mais do que uma descoberta curiosa, a múmia de Xin Zhui oferece um retrato raro da vida, da morte e das práticas funerárias da China antiga.
Com informações de Aventuras na História.


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